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Educação física nas escolas e a educação inclusiva

Passamos por grandes mudanças educacionais nos últimos anos, principalmente na disciplina de educação física. A luta por uma educação inclusiva de qualidade é um caminho longo, que não se finda com estatutos, convenções e leis.

A Lei Brasileira de Inclusão (LBI), de 2015, trouxe avanços importantes aos estudantes público-alvo da educação especial, assegurando às pessoas com deficiência a oferta de um sistema educacional inclusivo em todos os níveis e modalidades, de acordo com suas características, interesses e necessidades de aprendizagem.

Hoje, a presença de pessoas com deficiência nas escolas comuns, além de ser uma realidade, deve ser vista como um passo valoroso para a ampliação das relações sociais e da igualdade de oportunidades para uma participação plena.

A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, realizada em 2006, fortalece o cumprimento das obrigações do Estado, sendo um compromisso do governo brasileiro com a conquista histórica da sociedade mundial.

 

Estudantes realizam atividade em quadra esportiva. Os adolescentes estão sentados no chão. Uma garota em uma cadeira de rodas sorri no centro da cena.
Foto: Leonne Sá Fortes. Fonte: Instituto Rodrigo Mendes.

Muitas vezes, as escolas e professores enfrentam barreiras para atender com qualidade as pessoas com deficiência, seja em relação à acessibilidade arquitetônica, na aquisição de tecnologias assistivas e de materiais pedagógicos acessíveis, ou nas questões didático pedagógicas.

Para construir uma educação de qualidade para todas e todos, dentre outros fatores, é necessário implantar o Atendimento Educacional Especializado (AEE) no contraturno da escola e incentivar a formação continuada para o corpo docente, para que eles estejam em constante troca de experiências e atualização de teorias e metodologias.

É preciso união de todos os envolvidos na comunidade escolar e no processo educacional: escola, educandos, profissionais da educação, da saúde, familiares e responsáveis, formando uma rede de apoio para promover a equidade entre as alunas e alunos.

 

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Pensando nisso, o professor de educação física não pode estar à parte desse processo e deve também buscar novos conhecimentos, realizar trocas de experiências, diversificar atividades, propor novas estratégias para que suas aulas promovam a inclusão.

Uma vez que a inclusão é uma realidade no espaço escolar, a educação física, que também tem uma importância expressiva no desenvolvimento global dos estudantes, pode apoiar a promoção do desenvolvimento cognitivo, afetivo, emocional, social e motor, oportunizando uma participação efetiva nas aulas e eventos escolares.

Participação plena

Quando falamos em inclusão e participação efetiva, não estamos falando em alunos segurando bandeiras, apitos, fazendo marcações e relatórios como um estudante “de suporte” ao professor durante as atividades.

A educação física escolar tem, justamente, o papel de quebrar paradigmas sobre a inclusão. Por isso, não se deve falar em “educação física adaptada”, e sim em uma educação física que considera as singularidades de cada estudante em todas as atividades, espaços e materiais, para que todos realizem a mesma proposta.

Não são apenas as pessoas com deficiência que precisam de adaptações. Crianças e jovens menos habilidosos em determinadas atividades também podem receber adaptações para que os estudantes consigam ser protagonistas no processo de ensino-aprendizagem.

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Portanto, não é necessário trazer atividades diferentes ou específicas para um estudante. Contudo, o olhar, o cuidado e o comprometimento do profissional darão a particularidade que cada um necessita. O modo de execução pode ser diferenciado, como as distâncias e alturas minimizadas, os pesos e as formas dos objetos modificados e a quantidade de execuções diminuídas.

No mesmo grupo, podemos encontrar estudantes com mais ou menos facilidade de entendimento e execução das ações solicitadas, porém, dentro de suas potencialidades, todos conseguem avançar.

Mesclar atividades que combinem exercícios fáceis com desafiadores respeita as diferenças individuais. Com esse olhar, é possível promover os diferentes tipos de aprendizagem e a cooperação.

Não há indivíduos iguais

Trabalhar com jogos e brincadeiras alterando as regras também é um dos meios mais eficazes para que “todos” possam participar. Não se espera movimentos perfeitos na execução das atividades, espera-se que todos tenham tentado realizá-los, que tenham buscado respostas aos desafios propostos, e que o momento tenha sido de diversão, interação e de muito conhecimento.

Não há indivíduos iguais. Assim, cada um demonstra uma resposta diante de uma mesma prática. Tendo possibilidades de participação, eles vão demonstrando seus avanços. Afinal, são em turmas heterogêneas que ocorrem as trocas de experiências. Desse modo, os estudantes serão diferentes no início e no fim do processo educativo.

A educação física deve ser para todos, voltada à aprendizagem e à aquisição de novos conhecimentos, por meio de trocas de experiências coletivas e individuais. A professora ou professor não trabalha apenas o corpo, mas trabalha também as emoções e sentimentos que afloram durante todo o processo de aprendizagem.

 

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Oportunidade de experimentar

No livro “Educação Física, o atletismo no currículo escolar”, publicado pela WAK Editora, trago mais de duzentas sugestões de atividades lúdicas, desde a educação infantil ao ensino médio, com as quais os alunos terão a oportunidade de experimentar o brincar e o jogar com os movimentos naturais de correr, saltar, lançar e arremessar.

Os movimentos naturais contribuem muito com a inclusão. Isso dará ao professor possibilidades de criar, modificar e adaptar espaços, materiais e regras para possibilitar a participação de todos.

Algumas questões quanto à competição e avaliação podem surgir quando se pensa em inclusão. Será que todos os estudantes podem competir ou ser avaliados? Sim, mas é preciso saber lidar com a competição de forma saudável, de modo que não leve à exclusão de ninguém.

É possível competir com cooperação e respeito, realizando atividades coletivas nas quais se experimenta o ganhar e o perder em equipes. Assim, as relações vão se firmando, levando os estudantes a perceberem a presença do outro, as diferenças de cada um e o direito de todos adquirirem conhecimento.

Papel do professor

Cabe ao professor mediar as relações, podendo estimular crianças e adolescentes desde cedo a falarem sobre suas experiências, frustrações, dificuldades e sucessos nas atividades propostas. Colaborando, então, com o desenvolvimento motor, com o conhecimento do próprio corpo e de seus limites, com a convivência social e a melhoria da autoestima.

Uma visão de avaliação diagnóstica, formativa e contínua das aprendizagens irá considerar as possibilidades e capacidades de cada estudante. Com isso, o professor vai observando os avanços que tiveram, as dificuldades que ainda precisam ser trabalhadas e oportuniza novas experiências motoras. Nem todos seguirão o mesmo ritmo e tempo, mas todos evoluirão.

 

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No livro “Brincando com as habilidades motoras”, também publicado pela WAK Editora, apresento sugestões de brincadeiras e jogos como possibilidades de realizar avaliações individuais e coletivas, propondo competições que promovem a cooperação entre os estudantes com o objetivo de avançar nas aprendizagens.

Comemorar a data de 1º de setembro, Dia do Profissional de Educação Física, é valorizar esse profissional dentro do espaço escolar.

Além disso, é lembrá-lo, bem como aos demais educadores, que sempre deve haver uma transformação, com a responsabilidade de melhorar a prática pedagógica para um atendimento equitativo a todos. As crianças sempre estarão na escola à espera de se divertirem e evoluírem nas suas capacidades e potencialidades motoras, cognitivas, sociais, emocionais e afetivas.


Cecília Mariano é licenciada em educação física e pedagogia, com especialização em educação infantil; pós-graduada em psicopedagogia, psicomotricidade, gestão e orientação educacional, em Atendimento Educacional Especializado (AEE) e tecnologias da informação e comunicação acessíveis.

Este artigo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Instituto Rodrigo Mendes.

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