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Educadora dá aulas de pilates para estudantes da EJA

Em escola municipal de São Paulo (SP), professora viu no interesse dos estudantes uma oportunidade de praticar a educação física inclusiva

Trabalho na área da educação desde 2008 e, em 2019, comecei a dar aula no CEU EMEF Manoel Vieira de Queiroz Filho, em São Paulo (SP).

A escola, situada no bairro de Parelheiros, atende o ensino fundamental I e II e a Educação de Jovens e Adultos (EJA), e tem 1.347 alunos matriculados. Dentre eles, 65 são estudantes público-alvo da educação especial.

Hoje a escola faz parte do programa “São Paulo Integral”, que possibilita o ensino integral para os estudantes de cinco turmas. Além disso, o atendimento no programa “Mais Educação” oferece 13 projetos nas áreas de dança, coral, esporte, fotografia e acessibilidade com o ensino de Libras e braile para todos os estudantes. Os projetos são desenvolvidos no contraturno do horário regular para toda a escola.

Pilates para EJA

Em 2021, fui trabalhar no período da noite como professora de complementação de jornada da disciplina de ciências. Como minha área de formação é educação física, o conteúdo desenvolvido com os educandos foi saúde, corpo humano e qualidade de vida.

Na época, trabalhei um tema que os motivou muito: sedentarismo. Iniciei as aulas com perguntas sobre o assunto, vídeos explicativos e aulas práticas.

No decorrer das semanas, os estudantes começaram a pedir para fazer mais atividades físicas, e foi quando surgiu a ideia do projeto de “Pilates para EJA”. O objetivo era tirá-los do sedentarismo e melhorar a qualidade de vida de cada um, propiciando, assim, uma verdadeira educação integral.

Em salão com piso de madeira e barras nas paredes laterais, cinco pessoas estão deitadas sobre colchonetes e fazem alongamento. Ao fundo, há uma cadeira de rodas. Fim da descrição.
Foto: Sheyla Tavares. Fonte: arquivo pessoal.

A educação física escolar é uma atividade que engloba diversos conteúdos de ensino programados pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), com o intuito de promover um conjunto de habilidades e conhecimentos a serem desenvolvidos no âmbito escolar, de modo que auxiliem na aprendizagem das alunos e alunos.

Pensando na possibilidade de acesso à cultura para os alunos da EJA, elaboramos um projeto de ações que procurasse estabelecer redes de comunicação entre a escola – que é um local de aquisição de conhecimento - e a comunidade escolar.

Assim, nasceu o projeto, fruto de uma parceria entre comunidade e escola. A iniciativa se constitui por um conjunto de ações que visaram ampliar o ingresso da arte nas comunidades em vulnerabilidade social, com a introdução da linguagem do pilates no ambiente escolar.

Um dos objetivos específicos do “Pilates para EJA” é favorecer a estimulação para a ação e decisão dos estudantes, e também a reflexão sobre os resultados de suas ações para poder modificá-las diante de dificuldades que possam aparecer. Por meio dessas mesmas atividades, reforçamos a autoestima, a autoimagem e a autoconfiança.

 

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Diversidade em prática

A turma que integra o projeto é bem heterogênea, há diversidade: tenho estudantes entre 18 e 68 anos, e com e sem deficiência.

O pilates para os alunos da EJA requer muito cuidado, devido às diversas faixas de idade. Portanto, temos que pensar no método e de que forma adaptar a prática às especificidades de cada aluna e aluno, afinal eles vêm em busca de uma melhor qualidade de vida.

As metodologias aplicadas no desenvolvimento do projeto foram explorar a teoria sobre o tema decidido; experimentar os movimentos básicos, sentindo e compreendendo as principais características da dança escolhida; e trabalhar a respiração consciente.

A respiração é um dos princípios fundamentais para a prática do pilates. Portanto, respirar bem e de forma consciente contribui em vários aspectos para a nossa prática, incluindo expansão da caixa torácica, mobilidade da coluna vertebral em todos os planos de movimento, melhora da capacidade pulmonar e aumento da oxigenação de todo o nosso corpo.

Em salão com piso de madeira e barras nas paredes laterais, cinco pessoas estão sentadas sobre colchonetes e fazem alongamento com faixa rosa. Ao fundo, há uma cadeira de rodas. Fim da descrição.
Foto: Sheyla Tavares. Fonte: arquivo pessoal.

No começo de 2022, quando passei nas salas de aula para divulgar a iniciativa, um estudante com deficiência física se interessou e me perguntou se ele poderia participar. Eu disse: “com certeza!” e fiquei super feliz pelo interesse dele.

Sempre devemos estimular e tentar, sim. Todos os membros da equipe escolar precisam saber que é necessário investir no que o estudante consegue fazer e apoiá-lo a desenvolver suas potencialidades.

Desde o início do projeto, o intuito é de que os alunos sejam participativos, interessados e apliquem os aprendizados constantemente no relacionamento com demais estudantes e funcionários da escola, tendo ainda mais empatia, criticidade, autonomia e respeito.


Sheyla dos Santos Tavares é formada em licenciatura e bacharel em educação física e pós-graduada em educação inclusiva e psicopedagogia.

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