Educadoras colocam planejamento pedagógico inclusivo em prática

Cursistas falam de que maneira a formação “Planejamento pedagógico na perspectiva inclusiva” impactou o trabalho em sala de aula

No início do ano letivo, antes mesmo de estudantes retornarem às salas de aula, educadores e gestores já começam a organizar objetivos, estratégias e propostas a serem trabalhadas na escola.

Essa atividade é chamada de planejamento pedagógico e tem a finalidade de orientar o processo de ensino-aprendizagem de alunas e alunos. Ela é importante para definir o que educadores irão trabalhar com cada turma e qual a melhor forma de aplicação das estratégias pedagógicas.

O momento de planejar é assegurado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996), que garante a todos os profissionais de educação um período, dentro da sua jornada de trabalho, para preparar suas aulas.

No contexto da educação inclusiva, cada profissional de educação, ao preparar suas propostas, deve sempre contemplar todos os estudantes, não deixando ninguém para trás.

Apesar de ser um processo desafiador, construir um planejamento pedagógico na perspectiva inclusiva é possível ao juntar diferentes saberes e ao conhecer a realidade da comunidade escolar e de seu território.

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+ A educação inclusiva é para todas as pessoas 

Trabalho colaborativo

Em artigo publicado no DIVERSA, Camila Aguiar e Jéssica Vassaitis, formadoras do Instituto Rodrigo Mendes (IRM), destacam um dos pontos necessários para criar um planejamento inclusivo.

“A fim de construir um espaço de diálogo, é necessário um movimento que considere a relevância dos diferentes saberes que compõem a comunidade escolar, sem hierarquizá-los. Cada um vivencia a escola de um jeito, e nessa pluralidade conseguimos enxergar quais estratégias estão funcionando e quais devem ser revistas para garantir uma educação de qualidade a todas e todos.”

Essa troca de saberes citada pelas autoras começa com um trabalho colaborativo. Antes de traçar objetivos e estratégias, é fundamental que os educadores e gestores pensem em conjunto.

Ao participar do curso “Planejamento pedagógico na perspectiva inclusiva”, do Instituto Rodrigo Mendes, em parceria com a Fundação Lemann, a professora do Atendimento Educacional Especializado (AEE) Flávia Silva, que trabalha na rede municipal de Cabrobó (PE), mudou sua maneira de preparar as aulas.

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+ Acesse a plataforma de formação do IRM 

Atuando há quase oito anos na educação, a educadora conta como o curso contribuiu para o ano letivo de 2023:

“Ao construir o planejamento de forma colaborativa, nos demos a oportunidade de ouvir e discutir sobre quais são as dificuldades em sala de aula e buscar soluções para esses desafios, além de ter diferentes olhares e opiniões, o que é excelente, pois, assim, temos opções de estratégias onde todos participam.”

Também tendo realizado a formação, a professora Maria de Lourdes Gomes, da rede estadual de Pernambuco, conta o que mudou no momento de preparar o ano letivo:

“Hoje temos uma visão do território em geral. Nós pensamos na comunidade escolar, trazendo a participação dos familiares, que são de extrema importância, tendo uma parceria. Também temos a participação de outros atores da comunidade, que nos auxiliam em conhecimentos que permitem criar estratégias inclusivas, principalmente ao utilizar a tecnologia.”

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+ Trabalho colaborativo como ferramenta para inclusão escolar 

Perspectiva inclusiva

“Ao elaborar um planejamento pedagógico que considere a diversidade da comunidade escolar, incitamos a criatividade, o senso de pertencimento, o respeito, o protagonismo, entre outros aspectos essenciais para a construção de sujeitos críticos e atuantes no mundo contemporâneo.”

A afirmação presente no artigo de Camila e Jéssica traz um importante desafio enfrentado por muitos educadores na rotina escolar: contemplar todos os estudantes nas estratégias pedagógicas.

Por isso, ao realizar o planejamento, é necessário conhecer seus estudantes, suas habilidades e dificuldades, considerando suas potencialidades e singularidades.

Daniela Mendes, professora de sala comum da rede estadual de Alagoas, ao realizar o curso “Planejamento pedagógico na perspectiva inclusiva” junto com seus pares, diz que o seu olhar ao criar estratégias de ensino mudou:

“Eu e os outros educadores, por termos agora essa base de conhecimento, pensamos sempre em todos os estudantes. Em 2023, colocando em prática o que aprendemos, iniciamos o planejamento querendo saber qual é o nível de habilidade do estudante, quais são as dificuldades e o que precisamos desenvolver para promover a aprendizagem e a autonomia de cada um.”

Em consonância, a educadora do AEE Flávia Silva percebeu neste início de ano que as alunas e alunos estão mais motivados em frequentar as aulas na sala comum e na sala de recursos: “Os estudantes se tornaram bem mais participativos, buscando interagir mais uns com os outros. Nossa preparação aborda os conteúdos do currículo de forma mais adequada ao nosso público”.

Segundo ela, isso se deve ao trabalho junto com os professores da sala comum, que permitiu “elaborar estratégias inclusivas, eliminando barreiras que impediam o aprendizado da turma”.

Planejamento contínuo

Apesar de ser construído no início do ano letivo, o planejamento pedagógico na perspectiva inclusiva prevê mudanças ao longo do ano, levando em conta que o processo de aprendizagem e de desenvolvimento de cada estudante é único.

As mudanças podem ocorrer por conta da configuração de novos desafios e potencialidades que as alunas e os alunos apresentam no decorrer das aulas. Cabe ao gestor, educador, familiar ou qualquer pessoa da comunidade perceber a necessidade de ajustar os conteúdos e evitar a exclusão.

Flavia Silva conta que já precisou mudar o seu planejamento para se adequar à realidade dos estudantes com que atua. Para ela, ter essa consciência de que a preparação é contínua e pode e deve ser revista, caso necessário, “é fundamental para que todo professor e a gestão escolar consiga praticar a inclusão de verdade”.

Seguindo a mesma linha, Maria de Lourdes entende que todo educador, gestor e qualquer pessoa ligada à educação precisa ter capacitações que dão norte ao exercício de suas atividades: “As formações continuadas valorizam a atuação docente e, principalmente, permitem garantir o direito à educação a todos os estudantes”.

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Projetos do IRM

Além da plataforma EAD com cursos de formação continuada na perspectiva inclusiva, o Instituto Rodrigo Mendes (IRM) mantém o projeto DIVERSA, portal que produz e compartilha conhecimento e boas práticas em educação inclusiva para educadores, gestores pedagógicos e outros membros da comunidade escolar.

No fim de 2022, o site foi refeito para melhorar a usabilidade, a navegabilidade e o desempenho por meio de um novo design e novas funcionalidades. Em 2021, quando completou uma década de existência, o DIVERSA recebeu mais de um milhão de acessos, o que torna a atualização significante para as milhares de pessoas que utilizam o portal como fonte de pesquisa e referência para realizar um trabalho prático de educação inclusiva no Brasil.

Outra novidade nessa mudança é o lançamento do Painel de Indicadores da Educação Especial. A ideia da ferramenta é facilitar o acesso a dados seguros e de qualidade sobre a educação de pessoas com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento e/ ou com altas habilidades/ superdotação.

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+ Boas-vindas ao novo portal DIVERSA!
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