Potencializamos alfabetização e participação de estudantes com material interativo

Com elaboração de recurso acessível, aulas se tornaram mais dinâmicas e proporcionaram aprendizagem mais divertida e significativa

Somos educadores da EMEF Brigadeiro Haroldo Veloso, localizada na zona leste da cidade de São Paulo (SP). Em 2019, a turma do 1ª ano do ensino fundamental era muito esperta e comunicativa. Havia 30 estudantes na sala, dentre os quais um aluno com baixa visão e uma aluna com paralisia cerebral.

O aluno com deficiência visual não mostrava motivação durante as aulas, querendo apenas desenhar. E a estudante com paralisia cerebral apresentava muita dificuldade para realizar as atividades propostas. Ela não interagia com os demais estudantes, nem falava com clareza: todos a viam como um bebê.

Como estimular a participação e o envolvimento?

A partir da identificação dessas barreiras ao aprendizadoplanejamos desenvolver uma estratégia pedagógica para estimular a alfabetização e o ensino de conteúdos de ciências, como o estudo de características e desenvolvimento de animais domésticos e selvagens. Nossa intenção era proporcionar a participação dos estudantes nas atividades propostas e garantir a aprendizagem de todos.

Duas alunas escrevem com giz branco na lousa interativa, que está apoiada no quadro negro da sala de aula, enquanto professora as observa. Fim da descrição.

Estabelecendo diálogo com o Atendimento Educacional Especializado (AEE) e com a coordenação pedagógica, e observando as potencialidades da turma, entendemos que era possível construir um material pedagógico acessível (MPA) capaz de garantir o acesso de todos ao currículo.

Com a definição de nossa estratégia, demos início à elaboração do recurso para dar luz aos nossos objetivos. A ideia era potencializar a alfabetização e possibilitar envolvimento por parte de todas e todos. Queríamos que o material também estimulasse a escrita e a escuta dos estudantes. Optamos, então, por um painel sonoro para reproduzir os sons de animais determinados. Nascia assim a “Lousa interativa”.

Saiba como o material se articula com a BNCC

Construindo a Lousa interativa

Buscamos acesso a um repertório teórico e prático para a elaboração do material, que foi construído com utilização de uma cortadora a laser e de recursos de eletrônica básica. Dessa forma, pudemos inserir temporariamente sons e imagens dos animais que queríamos trabalhar com os estudantes.  

Criamos o material com uma caixa de som com seis botões, associada a uma lousa, para que as crianças pudessem escrever e desenhar. Em cada um dos botões, gravamos sons de animais. Por conta da tecnologia empregada, podemos alterar o áudio quantas vezes quisermos, tornando o material adaptável ao conteúdo proposto.

+ Aprenda a construir o material com o nosso tutorial

Aprendizagem interativa e divertida

Após a construção e preparação da Lousa interativa, decidimos aplicá-la em sala de aula com os estudantes. Eles foram separados em pequenos grupos para que todos pudessem participar da atividade. Pedimos para as crianças que, quando acionassem um dos botões e ouvissem o som, identificassem o animal e o caracterizassem como doméstico ou silvestre.

O material exigiu atenção dos alunos e instigou a participação de todos. Eles distinguiram os sons dos animais, desenharam na lousa e escreveram o nome de cada espécie animal representada, favorecendo a escrita e a escuta. A atividade estimulou a interação entre os estudantes, despertou muito interesse e mobilizou muito para o aprendizado.

A Lousa interativa consegue ser flexível na proposta da aula e os estudantes gostaram muitoPercebemos que eles ficaram muito encantados e se envolveram bastante, até mesmo os mais tímidos.  

O mais gratificante foi presenciar o espírito de colaboração que eles tiveram um com o outro durante toda a atividade. O MPA enriqueceu o fator lúdico da aprendizagem, favorecendo o acesso de todas e todos ao currículo, de maneira mais prazerosa e eficaz.

Ao redor de mesa escolar, cinco estudantes interagem entre si e observam brinquedo ao lado de pilha de cadernos. Fim da descrição.

Material foi utilizado para outros conteúdos e disciplinas

Notamos que o material tinha potencial para ser utilizado com outras disciplinas e conteúdos e assim aplicamos em aulas de inglês, com a mesma turma. Dessa forma, foi possível trabalhar a pronúncia de palavras. Os estudantes escreviam as frases em inglês na lousa e depois escutavam a pronúncia, e vice-versa. 

Com a utilização do material, as crianças conseguiram melhorar a dicção, o vocabulário e a pronúncia das palavras, comprovando a possibilidade de utilização do material para diversos conteúdos de diferentes componentes curriculares.

Com o sucesso do MPA, resolvemos disponibilizá-lo também para a sala de leitura da escola, para ser utilizada com todos os estudantes em intervenções artísticas, peças de teatro e contação de histórias. 

Para nós, educadores, a experiência com a Lousa interativa foi incrível, pois possibilitou diálogo e o trabalho colaborativo entre diversos educadores. Foi um laboratório para pensarmos a inclusão como um todo, como um eixo transversal de todo o currículo e mobilizou toda a comunidade escolar.

Enquanto é observada pelos colegas de sala, aluna aperta um dos botões da caixa da lousa interativa, que está na mão da professora. Fim da descrição.


Este relato de experiência é fruto da participação dos autores na edição 2019 do Materiais pedagógicos acessíveis – formação em serviço para educadores envolvidos no processo de escolarização de estudantes público-alvo da educação especial em escolas comuns, desenvolvida pelo Instituto Rodrigo Mendes Site externoSite externoem parceria com a Fundação LemannSite externo Site extern. O objetivo é contribuir na construção de materiais pedagógicos acessíveis que auxiliem o processo de ensino-aprendizagem de estudantes com e sem deficiência.

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