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BNCC e materiais pedagógicos acessíveis para educação inclusiva

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) representa uma oportunidade significativa de alavancarmos uma educação cada vez mais inclusiva na prática. Orientada por princípios como a formação humana e o desenvolvimento integral dos sujeitos, assim como a construção de uma sociedade mais justa, democrática e inclusiva, traz, já nas competências gerais, a diversidade como uma aprendizagem essencial aos estudantes brasileiros ao longo da Educação Básica, seja de saberes, vivências, linguagens, manifestações artísticas e culturais. Como documento normativo, estabelece os conhecimentos, as competências e as habilidades essenciais para a aprendizagem e o desenvolvimento de todos os alunos, sem exceção, e deve nortear os currículos das redes de ensino e as propostas pedagógicas das escolas brasileiras.

No entanto, para a efetivação de uma educação inclusiva, se por um lado o currículo deve ser um só para todos os estudantes, por outro, é imprescindível que as estratégias pedagógicas sejam diversificadas, com base nas diferentes vias e ritmos de aprendizagem, nos interesses, nos contextos cotidianos e repertórios de vida, nas potencialidades e necessidades específicas de cada estudante, respeitando a inerente diversidade da sociedade humana. Somente por meio da adoção de múltiplas estratégias de apresentação dos conteúdos curriculares, as oportunidades de participação e aprendizagem estarão sendo ofertadas em igualdade para todos os alunos, sejam quais forem suas características.

Nesse sentido, os materiais pedagógicos acessíveis são recursos que podem auxiliar o processo de ensino-aprendizagem em turmas compostas por estudantes com e sem deficiência. Desenvolvidos por educadores, eles possibilitam que os objetos de aprendizagem sejam apresentados de forma criativa, multisensorial, dinâmica, lúdica e contextualizada, promovendo o acesso ao conteúdo por diferentes vias e despertando a atenção e o interesse para o assunto.

 

Em sala de aula e ao redor do material Caminho sustentável, seis estudantes estão divididos em pares e conversam entre si. Uma das alunas sorri e faz sinal de positivo para a câmera. Fim da descrição.
Foto: Paulo Fehlauer. Fonte: Instituto Rodrigo Mendes.

Na UME Cidade de Santos, escola de ensino fundamental na região litorânea de São Paulo, uma das turmas de 1º ano contava com estudantes muito participativos. Dentre eles, um aluno com Transtorno do Espectro Autista (TEA), com dificuldade de interação com os colegas. Para quebrar as barreiras comunicacionais entre as crianças e ensinar conteúdos de ciências, como a geração de resíduos e a reciclagem, a professora da sala comum e a do Atendimento Educacional Especializado (AEE) criaram juntas um material pedagógico acessível, partindo do interesse do aluno por caminhões.

O material, chamado de Caminho Sustentável, é composto por dois caminhões de lixo e uma guarita em miniatura com cancela. A pista onde os caminhões trafegam foi construída com a participação dos estudantes, reproduzindo o território onde está localizada a escola. Para jogar, o aluno aproxima o caminhão da cancela, recebe a indicação do local de coleta, responde à questão de sustentabilidade e, acertando, recolhe o lixo na caçamba.

Jogado em pequenos grupos, o material, que possui sensor de presença e recursos sonoros, visuais e táteis, incentivou a colaboração e comunicação entre as crianças. Além de ciências, outros componentes curriculares foram trabalhados de forma articulada com a BNCC, como geografia (noção espacial e entorno escolar), matemática (noção espacial, números e lateralidade) e língua portuguesa (leitura, escrita, interpretação e oralidade).

 

Em sala de aula, aluna escreve com giz em uma pequena lousa e dois colegas a observam. Todos estão interagindo com o Caminho sustentável. Fim da descrição.
Foto: Paulo Fehlauer. Fonte: Instituto Rodrigo Mendes.

Um material parecido foi desenvolvido por educadores da EMEFEI Dante Gazzetta, em Nova Odessa (SP), para trabalhar conteúdos de língua portuguesa com uma turma de 2º ano com alguns alunos com dificuldades de aprendizagem, dentre eles um com deficiência intelectual.

Composto por um tabuleiro acessível inspirado em elementos presentes no entorno da unidade escolar, um farol de led para marcação de tempo, áudios e um alfabeto móvel com imagens, braile e Libras, o material, chamado de Corrida do Desafio, apresentava parlendas e canções para que os estudantes montassem palavras e avançassem nas casas do jogo.

No DIVERSA, há dezenas de materiais pedagógicos acessíveis e relatos de educadores sobre práticas pedagógicas inclusivas que levaram em conta as competências e habilidades contempladas pela BNCC, assim como a diversificação de estratégias e recursos para que outros educadores se inspirem e coloquem em prática uma educação inclusiva de qualidade.

 

Saiba mais

+ Crianças aprendem sobre sustentabilidade com material interativo
+ “Corrida do desafio” de educadoras proporciona alfabetização lúdica


Este artigo foi publicado originalmente no Observatório da implementação da BNCC e do Novo Ensino Médio, em 03/05/2021, e está disponível para leitura em https://bit.ly/3uPeW6l.

Lailla Micas é jornalista pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e está há mais de dez anos no terceiro setor, atuando em gestão de projetos de educação. Faz parte da equipe do Instituto Rodrigo Mendes, coordenando o portal DIVERSA.

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