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Recursos Educacionais Digitais e Tecnologia Assistiva para inclusão

A utilização de recursos digitais nas escolas se tornou parte da realidade educacional. Em diversos países, há anos ocorre a modernização dos sistemas escolares com o auxílio de novas tecnologias. Em muitos casos, ela assume forma por meio de programas governamentais.

No Brasil, a Estratégia Brasileira para a Transformação Digital já havia explicitado, em 2018, o interesse do Estado nesse assunto. Hoje, a adoção do ensino remoto ou híbrido reforça a necessidade de reflexões direcionadas para a construção de experiências inclusivas.

Conforme destacado em artigo publicado anteriormente no DIVERSA, a prática de ensino à distância com o uso de tecnologias revelou experiências positivas. Elas favorecem a comunicação e a interação entre professores e estudantes, possibilitam a flexibilidade e a personalização do ensino e estimulam o aprendizado de cada estudante de acordo com seu próprio ritmo.

No campo educacional, duas soluções são geralmente destinadas ao público estudantil: Recursos Educacionais Digitais (REDs) e recursos de Tecnologia Assistiva (TA).

Os Recursos Educacionais Digitais são produtos e serviços que apoiam tanto os processos de ensino e aprendizagem como a gestão pedagógica das escolas. De uso abrangente, eles facilitam as atividades de docentes, estudantes e gestores e são disponibilizados sem dependência externa. Também são replicáveis e autocontidos, isto é, podem ser reproduzidos sem dependências externas.

Segundo classificação produzida pelo Centro de Inovação para a Educação Brasileira (CIEB), os REDs podem ser divididos em dois tipos principais: Softwares e Hardwares, que, por sua vez, podem ainda ser classificados em 20 grupos.

 

Descrição de imagem: Tabela com título “Recursos Educacionais Digitais” e subtítulos “Software” e “Hardware”. Abaixo de “Software”, há três colunas. A primeira se refere aos conteúdos, com textos em lista: “1. Objeto digital de aprendizagem (ODA)”, “2. Jogo educativo” e “3. Curso on-line". A segunda coluna traz as ferramentas em lista: “4. Ferramenta de apoio à gestão”, “5. Ferramenta de apoio à gestão pedagógica”, “6. Ferramenta de avaliação do estudante”, “7. Ferramenta gerenciadora de currículo”, “8. Ferramenta de autoria”, “9. Ferramenta de apoio à aula”, “10. Ferramenta de colaboração” e “11. Ferramenta de tutoria”. A terceira coluna menciona plataformas e textos em lista: “12. Sistema de gestão educacional (SIG | SIS), “13. Sistema gerenciador de sala de aula”, “14. Ambiente virtual de aprendizagem (AVA)”, “15. Plataforma educacional”, “16. Plataforma educacional adaptativa”, “17. Plataforma de oferta de conteúdo on-line" e “18. Repositório digital”. No mesmo nível da coluna de Software, há uma nova coluna, referente ao conteúdo de Hardware, com textos em lista: “19. Ferramenta maker” e “20. Hardware educacional”. Fim da descrição.
Fonte: CIEB, 2019.

Recursos digitais inclusivos

Há, atualmente, recursos educacionais digitais que desde a sua concepção consideram a diversidade humana e respeitam a singularidade de cada usuário. Sua adoção nas escolas pode projetar cenários inclusivos para estudantes público-alvo da Educação Especial (pessoas com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação).

O Clusive é um exemplo atual. Trata-se de uma ferramenta de leitura adaptativa, fundamentada em princípios do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA) e desenvolvida pelo Centro de Software Inclusivo para Aprendizagem (CISL).

Já a Tecnologia Assistiva é definida na Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, de 2015, enquanto: “produtos, equipamentos, dispositivos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivem promover a funcionalidade, relacionada à atividade e à participação da pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida, visando a sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social”.

A utilização de Tecnologia Assistiva pode promover a autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão do usuário.

 

Em sala de aula, estudante assopra caixa de MDF que faz parte de material pedagógico acessível. Ao fundo, seus colegas de classe sentados em volta de mesa observam. Fim da descrição.
Foto: Paulo Fehlauer. Fonte: Instituto Rodrigo Mendes.

Como se trata de uma solução específica para a particularidade da pessoa, recomenda-se usar o termo no singular. Segundo a publicação “Introdução à tecnologia assistiva”, de Rita Bersch, para nomear um conjunto de ferramentas ou equipamentos utiliza-se o termo “recursos de tecnologia assistiva”. Os recursos de TA são bastante amplos, podendo variar de objetos analógicos simples a dispositivos de alta complexidade (bengala, cadeira de rodas, sistema braile, próteses, recursos de acessibilidade em computadores, tablets e celulares).

No contexto escolar, os recursos de TA são compostos por um conjunto de ferramentas ou equipamentos que garantem a participação da aluna ou do aluno no processo de ensino e aprendizagem. Sobretudo, o uso desses recursos nas escolas deve ocorrer dentro de um projeto pedagógico participativo.

Conforme destacou o relatório Digital Education Outlook da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em 2021, as fronteiras da educação digital trazem oportunidades e desafios, dos quais destaca-se a necessidade de consolidar formatos de aprendizagem que contemplem a diversidade humana.

Sob essa perspectiva, o Núcleo de Pesquisa e Tecnologias do Instituto Rodrigo Mendes atualmente desenvolve pesquisas sobre a utilização de REDs e recursos de TA em escolas. Uma delas é intitulada “Tecnologias digitais aplicadas à Educação Inclusiva: Fortalecendo o Desenho Universal para Aprendizagem”, realizada em parceria com o Instituto Unibanco, com previsão de lançamento para o segundo semestre de 2021. Sua finalidade é oferecer um retrato global e atual das tecnologias educacionais digitais que têm potencial para favorecer a inclusão escolar de todos os estudantes.

Leia mais

+ Mapa de evidências: estudos sobre Recursos Educacionais Digitais no Brasil


Gustavo Taniguti é pesquisador do Instituto Rodrigo Mendes. Possui mestrado e doutorado em sociologia, realizou estágios de pesquisa nos Estados Unidos e na França e foi professor do Instituto Federal de Minas Gerais.

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