Garantia à educação com o atendimento pedagógico domiciliar

Educadora realiza projeto para garantir aprendizado de estudantes impossibilitados de frequentar a escola por causa de tratamento médico

Como podemos proporcionar aprendizado a estudantes impedidos de frequentar a escola por problemas de saúde prolongados e internações? Ficam excluídos do processo de ensino-aprendizagem? Não!

Existe uma modalidade de ensino que tem o compromisso com a manutenção do processo de ensino e aprendizagem de estudantes afastados da escola comum por motivo de tratamento de saúde. É o Atendimento Pedagógico Domiciliar.

Um dos objetivos do atendimento é exatamente romper toda e qualquer barreira que impeça os alunos de fazerem parte do processo educativo. E seu funcionamento tem respaldo na Lei de Diretrizes e Bases da Educação, que assegura a garantia de acesso à aprendizagem a todas e todos.

Além do compromisso pedagógico, as ações do atendimento também funcionam para estabelecer um vínculo claro entre os estudantes, educadores e família. O currículo pode ser flexibilizado e/ou adaptado, de forma a favorecer o retorno do estudante à escola ao final do tratamento, sem prejuízos significativos na aprendizagem.

O Atendimento Pedagógico Domiciliar na prática

Sou professora de Atendimento Pedagógico Domiciliar desde 2014, quando iniciei na cidade de Santos (SP). E atualmente componho o quadro de educadores da compor o quadro de educadores da EMEF Jacob Andrade Câmara, após ser convidada, em 2019, pela Secretaria Municipal de Educação de São Vicente.

Como a escola tinha dois estudantes com Atrofia Muscular Espinhal (AME) matriculados nos anos iniciais do ensino fundamental e essa condição os impossibilitava de frequentar a unidade educativa, fui designada a atendê-los por meio do APD.

Assim que assumi como professora dos estudantes Octávio (2ª ano) e Victória (4ª ano), decidi criar o projeto “Atendimento Pedagógico Domiciliar: a inclusão além dos muros escolares”. O objetivo era proporcionar pleno aprendizado aos estudantes, bem como divulgar e ampliar o conhecimento sobre esse atendimento para toda a comunidade escolar.

A educação além dos muros da escola

Desde que iniciei o trabalho com Victória e Octávio, a família vem relatando ganhos significativos na autonomia, autoestima e protagonismo das crianças. Eles também conseguiram estabelecer uma rotina de estudo e apresentaram notável desenvolvimento em aprendizagem.

Entendo que, embora eles não estejam no espaço físico da escola, estão tendo garantidos o acesso ao ensino e à aprendizagem. Por conta disso, tenho apresentado essa experiência em eventos educacionais da escola e do município, como o “Movimento Leia São Vicente”, a Feira Inclusiva e encontros com educadores.

Estande preparado para a apresentação do Atendimento Pedagógico Domiciliar em Feira Inclusiva. Há bexigas, fotos, bolo e uma TV com slides. Fim da descrição.
Apresentação do projeto na Feira Inclusiva de 2019, em São Vicente (SP). (Foto: Maria Emília Abreu. Fonte: arquivo pessoal)

Com a propagação desse trabalho, pretendo divulgar esse atendimento, para que as pessoas saibam que a criança que não pode frequentar a escola devido a uma doença crônica tem o direito à educação. E que essa modalidade possibilita aprendizagem para além dos muros da escola.

Além disso, também criei página no Facebook e canal no Instagram para compartilhar conhecimentos sobre o APD.

Parceria com a escola e com a família

Para que o atendimento seja exitoso em sua proposta, a parceria entre o educador, a escola e a família é valorizada. O diálogo com os familiares é incentivado, para que participem ativamente das discussões e dos processos de decisão.

Durante todo o desenvolvimento das atividades, os professores de Atendimento Pedagógico Domiciliar também trabalham de forma colaborativa com os educadores da sala comum, da gestão escolar e principalmente com os professores do Atendimento Educacional Especializado (AEE).

Na prática, o professor acompanha pedagogicamente o estudante em sua residência com o planejamento e encaminhamento elaborados com base nas orientações fornecidas pelo professor regente da sala de aula comum.

São considerados conteúdos de todas as áreas do conhecimento para o desenvolvimento de atividades disponibilizadas e elaboradas a partir das especificidades dos estudantes.

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Trabalho colaborativo com o AEE

Já no AEE, estão disponíveis vários recursos de tecnologia assistiva que o professor pode levar em conta para desenvolver, em parceria, estratégias pedagógicas de eliminação de barreiras.

Criar pontes é uma das atribuições dos professores do APD. Nenhuma decisão é tomada de forma independente, pelo contrário: tenho reuniões periódicas com os gestores escolares e com a professora da sala comum para discutirmos a realidade de cada aluno.

Em minha experiência, realizo relatórios trimestrais sobre o desenvolvimento de Octávio e Victória. Além desse acompanhamento pedagógico, o desenvolvimento do processo educativo considera a elaboração de estratégias que ofereçam a oportunidade de desenvolvimento do estudante.

Como o atendimento foi oferecido na quarentena?

Neste ano, por conta da pandemia da Covid-19, as aulas presenciais foram suspensas, mas o atendimento continua de forma remota. Para isso aconteça, tenho utilizado recursos de tecnologia como videochamadas e conto com a parceira com as famílias para a realização de atividades.

Além disso, também incorporo ferramentas para a elaboração das propostas, como jogos digitais. Este processo também tem contado com o trabalho colaborativo com os educadores da escola para proporcionar plena participação aos estudantes.

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Este projeto foi 2ª colocado no Prêmio Paratodos de Inclusão Escolar 2019

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