Educadores apostam em trabalho colaborativo para aprendizagem de estudante

Plano pedagógico envolve gestão escolar e parceria com rede de apoio para eliminar barreiras e garantir educação inclusiva

Somos educadores do município de Taubaté, localizado no estado de São Paulo, e em 2019 iniciamos nossa participação no Diversa presencial – formação em educação inclusiva voltada a profissionais envolvidos com o processo de escolarização de estudantes público-alvo da educação especial em escolas comuns.

 

Em sala, educadores sentados em cadeiras olham atentos para a frente . Fim da descrição.
Educadores durante encontro formativo do DIVERSA presencial. Foto: Eduardo Bandelli/ Fundação Volkswagen

Nossa rede

Nossa rede de ensino conta com 82 escolas de educação infantil, 56 de ensino fundamental, quatro de ensino médio, uma de educação exclusiva, uma de ciências aeronáuticas, uma de artes e três programas de esporte e juventude.

A educação inclusiva no município de Taubaté está assegurada pelo Plano Municipal de Educação, de 2016, alinhado aos objetivos do Plano Nacional de Educação, com destaque para a meta 4, que prevê a universalização do ensino fundamental e da educação infantil.

Há também legislação municipal em conformidade com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, que institui o Núcleo de Apoio Pedagógico Especializado (NAPE), que oferece apoio às unidades de educação infantil e ensino fundamental e conta com uma rede de profissionais de educação, saúde e assistência social.

Caso do estudante Felipe

Durante a formação, fomos instigados a refletir sobre uma situação desafiadora de nossa rede, partindo de uma perspectiva inclusiva. Levamos para ser discutido nos encontros o caso do estudante Felipe*, de 10 anos, que tem Síndrome de Down. Ele está matriculado no 4º ano do ensino fundamental da Escola Municipal Prefeito Guido José Gomes Miné. A unidade escolar, localizada no bairro Cecap, recebe cerca de 965 estudantes dos ensinos fundamental I e II e atende uma comunidade de média e baixa renda.

No início de 2019, Felipe tinha algumas dificuldades relacionadas à comunicação, autonomia e aprendizagem. Não tinha uma boa verbalização, precisando utilizar gestos para se fazer entender, e se perdia com facilidade ao andar pela escola. Também apresentava poucas evoluções em relação às atividades pedagógicas e dificuldades em se relacionar com os colegas, mesmo sendo procurado pelos demais estudantes da escola para conversar.

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Trabalho colaborativo

Diante dessa situação, percebemos a importância de construir um Plano de Desenvolvimento Individual (PDI) para o aluno. No decorrer do curso, com os conhecimentos adquiridos e os questionamentos levantados pelos participantes e mediadores, pudemos refletir sobre o caso e estabelecer novos caminhos para proporcionar um ambiente inclusivo.

Realizamos uma avaliação cognitiva para um melhor direcionamento do trabalho pedagógico para Felipe. As professoras da sala regular e da sala de Atendimento Educacional Especializado (AEE), trabalhando colaborativamente com a diretoria e demais educadores da escola, reorganizaram a rotina na sala de aula com a finalidade de antecipar as ações que seriam realizadas com o estudante.

O acompanhamento no AEE foi ampliado para duas vezes por semana com o objetivo de eliminar barreiras específicas e proporcionar aprendizagem e desenvolvimento acadêmico em sala de aula. Na sala de recursos, trabalhamos estratégias para socialização do aluno, com atividades em duplas e em pequenos grupos no período integral, como dança e teatro.

Rede de apoio

Estabelecemos também contato com a equipe da secretaria de saúde, que atendia Felipe no setor de reabilitação (fonoaudiologia e terapia ocupacional). Dessa parceria surgiu a necessidade de uma reavaliação auditiva e a sugestão de se introduzir imagens para facilitar a comunicação entre Felipe, colegas e educadores.

Utilizamos estratégias visuais para que Felipe pudesse desenvolver autonomia e se locomover com maior independência pelos ambientes da escola, por meio de placas de orientação geográfica.

Também estreitamos o vínculo com a família, convidando os responsáveis para uma conversa com a coordenação do NAPE. O diálogo logo surtiu efeito positivo, tanto para escola quanto para os familiares e, principalmente, para o Felipe.

Com as estratégias pedagógicas, Felipe apresentou avanços em sua autonomia e já consegue se organizar em relação às atividades propostas e à rotina da unidade. Também passou a se deslocar pela escola com maior facilidade.

Importância da formação

Durante toda a trajetória da formação, nos sentimos motivados e compreendendo a importância de ampliar, cada vez mais, os conhecimentos relacionados à educação inclusiva, buscando ajustar todos os facilitadores que a rede já oferecia.

 

Em sala de encontro do Diversa presencial, educadora discursa para outras quatro educadoras que a olham atentas. Todas estão sentadas em cadeiras. Fim da descrição.
Educadora Suellen Patareli Miragaia durante encontro do DIVERSA presencial. Foto: Eduardo Bandelli/ Fundação Volkswagen

A todo momento, fomos provocados a refletir e rever nossos conceitos. Tivemos a oportunidade de repensar, discutir e conhecer novas referências teóricas e, a partir dos diálogos entre os demais participantes de outros municípios, ampliar a forma de pensamento e de atuação de cada profissional, não só com o caso estudado, mas como toda a nossa rede.

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*nome fictício

Este relato de experiência é fruto da participação dos autores na edição 2019 do DIVERSA Presencial – formação para profissionais envolvidos com o processo de escolarização de estudantes público-alvo da educação especial em escolas comuns, desenvolvida pelo Instituto Rodrigo Mendes em parceria com a Fundação Volkswagen. Por meio de parcerias com secretarias municipais de educação, o projeto tem como objetivo contribuir com a ampliação de conhecimentos sobre a educação inclusiva a partir de situações reais e desafiadoras escolhidas pelos participantes.

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