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Livro Inclusão na prática: convivência com a diversidade

Aprender a viver em um ambiente de diversidade é um dos principais desafios do mundo contemporâneo e, claro, da educação como um todo. Nesse sentido, a escola é campo de diversidade cultural, social, de gêneros etc. Dar notoriedade a isso é fortalecer o reconhecimento dessas características tão diferentes e tão ricas. A percepção do outro requer que não nos enquadremos a padrões, quer seja de beleza, de normalidade, melhor, pior, entre outros.

Nessa perspectiva nasceu, em 2018, o projeto “Convivência na Diversidade” na Escola Estadual Johann Gutemberg, localizada na zona norte da capital paulista. A experiência foi possível após a participação de educadores no curso Ensino médio inclusivo, promovido pela Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação do Estado de São Paulo (EFAPE) e desenvolvido pelo Instituto Rodrigo Mendes (IRM) em parceria com o Instituto Unibanco (IU).

O projeto interdisciplinar, envolvendo Artes, História e Língua Portuguesa, pretende revelar respostas sobre como reconhecer a diversidade presente na escola e na sociedade e a importância da convivência pacífica às diferenças, objetivando a construção de uma postura de respeito uns para com os outros. Além disso, busca ressaltar o valor humano para que a interação possa ocorrer entre todas e todos de forma harmônica, possibilitando desenvolver o ensino-aprendizagem, a linguagem oral e escrita, o trabalho artístico e a pesquisa.

Mapeamento do percurso

Na primeira etapa, reunimos os estudantes do 1º ano do ensino médio por meio de roda de conversa na sala de leitura, apresentando cartazes ilustrativos sobre diversidade. Logo após, oportunizamos um debate com mediação do professor de história Gabriel Antônio, da professora Luciara Mendes, especialista da Sala de Recursos, do coordenador Edmundo Paiva e da gerente de organização escolar Adriana Paixão.

Os estudantes desenvolveram uma boa reflexão e apontaram diferenças existentes, falaram de discriminação e preconceito (de gênero, raça e valores), cada qual com o seu próprio repertório, que somado ao do outro, levou-nos a ampliar o conhecimento. A fala dos jovens foi pertinente para prosseguir, sabendo o que pensam a respeito das diferenças, dos direitos, deveres e atuação de minorias na escola, no âmbito do trabalho, na sociedade etc.

 

Em sala de aula, estudantes e educadora estão sentados em roda para conversa e debate. Fim da descrição.
Foto: Luciara Mendes. Fonte: Arquivo pessoal

Na segunda etapa, realizamos a leitura do livro “A lição das árvores”, de Roberto Parmeggiani, com a mediação da professora de português Maria de Jesus. Na sequência, oportunizamos um debate sobre a história contada. Os educandos conseguiram enxergar que é possível despertar um novo olhar em relação aos que são considerados diferentes na escola e na sociedade. Propomos aos estudantes que fizessem uma pesquisa para visualizar e reconhecer as diferenças individuais, indagando as particularidades encontradas.

Já na terceira etapa, retomamos a discussão por meio da roda de conversa e debate com a educadora Lúcia Figueiredo, membro do projeto “Dupla Visão”, que apresentou vários exemplos da sua vivência entre os estudantes com deficiência. Em um dos exemplos, ela ilustrou a casca do tronco da árvore, mostrando que a cor da pele é somente superficial, ou seja, nossos valores estão além da pele. Os estudantes conseguiram reconhecer e compreender a beleza da diversidade, as diferenças, o respeito e a valorização.

Posteriormente, dividimos a classe em grupos com o professor de artes André Luiz para realização da atividade “Ensino médio inclusivo 2018 Johann Gutemberg”. Propusemos que as alunas e alunos desenhassem o retrato um do outro de forma reflexiva e observando as características únicas do colega. Depois os educandos organizaram uma exposição e construíram o convite com o título “Fortalecendo os laços”, para convidar colegas e professores para visitação dos seus trabalhos, com intenção de conhecer e socializar.

Outros estudantes, professores e demais profissionais de educação da escola visitaram a exposição com os trabalhos desenvolvidos ao longo do projeto pelas alunas e alunos do 1º ano D. Tivemos as apresentações dos grupos responsáveis em esclarecer cada trabalho, além da contribuição das falas das professoras, dos professores e palestrantes envolvidos no projeto.

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Resultado alcançado

Os objetivos do projeto foram alcançados no sentido de levar o educando e a comunidade escolar ao reconhecimento da diversidade e a importância da convivência às diferenças presentes na escola e na sociedade. Conseguimos enxergar um novo olhar de respeito uns para com os outros. Nesse sentido, não mudaríamos as práticas de roda de conversa, debate, discussão e pesquisa para que os laços possam se manter fortalecidos, mas incluiríamos as famílias nas próximas experiências em outras turmas.

Percebemos que um currículo aberto é fundamental para os conhecimentos científicos, artísticos e socioculturais. Os projetos prezam principalmente por permitir que os educandos entrem em contato com eles, mas a partir de suas curiosidades e de seus interesses. Esses conhecimentos estão expostos nos parâmetros curriculares e na legislação vigente. Para representar essa concepção de conscientização e aprendizagem por meio das ações realizadas é preciso considerar a complexidade e a articulação da realidade da educação.

Durante todo o processo de desenvolvimento do trabalho foram observados os progressos e mudanças das atitudes por parte dos estudantes em relação à convivência um com o outro, à interação, à socialização e aos valores trabalhados. Paralelamente foram observadas as atuações frente aos desafios e as habilidades no contexto da temática e das atividades propostas, bem como os novos conhecimentos adquiridos diante das propostas realizadas. Identificamos um bom desempenho nos índices de desenvolvimento dos educandos no processo de ensino-aprendizagem, o esforço em participar das atividades de pesquisas, expressão oral, escrita (produção e reprodução de textos) e artística (desenhos de caricatura, pintura).

Podemos enxergar nos educandos, funcionários, educadores e gestores atitudes de reconhecimento e a valorização da beleza da diversidade. Foram alcançados os objetivos esperados, pois ao propiciar fomentação de reflexão entre eles, tivemos a impressão de que mudaram comportamento em relação à temática escola para todos.

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O livro digital “Inclusão na Prática” está disponível em bit.ly/inclusao-na-pratica.

Luciara Mendes é formada em pedagogia e pós-graduada em psicopedagogia com ênfase em educação especial. Atualmente é professora especialista da sala de recursos da Escola Estadual Johann Gutemberg, em São Paulo.

Este relato de experiência é fruto da participação da autora na edição 2018 do Ensino médio inclusivo – formação oferecida pelo Instituto Rodrigo Mendes e pelo Instituto Unibanco, com objetivo de apoiar equipes multidisciplinares das redes de educação no planejamento de políticas públicas para a garantia de acesso, permanência e aprendizagem dos estudantes público-alvo da educação especial.

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