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Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são trabalhados em aulas de inglês

Jaqueline Rodrigues é professora de língua estrangeira em escola estadual de São Paulo e conscientizou estudantes do ensino médio sobre os 17 ODS

Em 2019, tive a oportunidade de estar entre os 400 professores de língua Inglesa selecionados para uma bolsa de estudo PDPI (Desenvolvimento Profissional de Professores de Língua Inglesa). Outros professores e eu passamos dois meses na Universidade de Ohio, estudando sobre Metodologias e Tecnologias.

Lá realizei o curso sobre Tecnologias, com o tema “As Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (NTICs)”. Ao final do nosso curso, fomos designados a elaborar um projeto que englobasse todo nosso aprendizado nesse período, com conteúdo aplicável às necessidades dos nossos estudantes no Brasil, para discutir sobre um tema autêntico que pudesse desenvolver compreensão de texto, estratégias de leitura e oralidade.

Eu leciono para o ensino médio em uma escola da rede pública estadual de São Paulo e a ideia de desenvolver o projeto “Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU” surgiu a partir de algumas situações vivenciadas de forma direta e indireta no ambiente escolar.

Há algum tempo, eu vinha acompanhando os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas (ONU), que são 17 metas a serem implementadas em todos os países de forma a melhorar a vida das pessoas. Me interessei muito pelo assunto, bem como pela qualidade do material produzido pela organização.

Observei que os ODS poderiam servir como ferramenta de auxílio para a discussão e compreensão de vários tópicos como: reduzir as desigualdades, sexismo, preservação ambiental, erradicação da pobreza, consumo responsável, saúde e bem-estar, entre outros.

 

Objetivos da iniciativa

Percebi que poderia integrar as ODS com as novas tecnologias e trabalhar o conteúdo que precisava desenvolver com as minhas turmas relacionado à leitura, compreensão de textos, escrita, oralidade e pronúncia de forma contextualizada na aprendizagem da língua inglesa. Bem como desenvolver conceitos e conhecimentos muito além dos conteúdos, minha intenção era acessar temas que despertassem a empatia e a conscientização dos problemas globais. Tudo isso utilizando um material autêntico.

Partindo do conteúdo curricular, os principais objetivos eram compreender os problemas sociais sobre os quais as 17 Metas da ONU se referem; posicionar-se de forma crítica na sociedade em âmbito nacional e global; compreender o mundo em que vivemos; discutir assuntos polêmicos de relevância social; desenvolver a consciência socioambiental e de consumo responsável; adotar atitudes que considerem o bem comum e os Direitos Humanos; refletir sobre a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva; investigar, por meio de práticas de linguagem, maneiras de atuação social e política, debatendo princípios dessa atuação de forma crítica, ética e solidária; refletir sobre as relações de forma que sejam construídas de maneira empática, ética e com respeito às diferenças; e refletir sobre como a ação individual influencia o coletivo e sobre a importância de se pensar coletivamente.

Assim, planejei elaborar esse projeto de forma contextualizada com o uso das novas tecnologias de informação e comunicação, e realizei a produção de pôsteres por meio de um ambiente virtual sobre temas de interesse global que manifestam posicionamentos críticos. A tecnologia apoiou os processos do projeto, como as pesquisas, elaboração dos pôsteres, divulgação e exposição do trabalho.

Sobre mesa, notebook mostrando site internacional das Nações Unidas. Atrás do computador, há livros e papéis. Fim da descrição.
Fonte: arquivo pessoal.

Desenvolvimento do projeto

Atualmente, na escola em que trabalho temos alguns estudantes com deficiência. Um dos educandos que participou do projeto possui Transtorno do Espectro Autista (TEA) e apresenta dificuldades para a expressão oral e para o trabalho em grupo.

Como esse projeto foi formulado para se “desenrolar” de forma conjunta, com atividades extensas e colaborativas, optei por alterná-lo entre momentos individuais e em grupo – permitindo a interação coletiva, principalmente na apresentação final.

Com o estímulo à inclusão, os colegas de classe auxiliaram o estudante e o deixaram mais à vontade para participar da iniciativa. A desenvoltura dele na apresentação foi ótima. Por seu entusiasmo, concluí que a estratégia adotada funcionou.

Enquanto os grupos realizavam a atividade, eu circulava pelo laboratório e discutia e corrigia cada grupo sobre as questões. Expliquei às equipes que cada grupo seria responsável pela criação de uma releitura do pôster pertinente ao seu ODS. Em seguida, pedi que cada grupo se reunisse e escrevesse um texto usando as próprias palavras, no qual fosse apresentado cada ODS, seus propósitos e o porquê de sua necessidade.

 

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+ “Ser inclusivo nos torna mais fortes e mais aptos a enfrentar os desafios do século XXI”

Na apresentação, as equipes usaram o pôster criado por elas como ilustração. Discutimos cada tema e, ao final de cada apresentação, os grupos me entregavam os pôsteres e eu os colava no quadro, formando um grande painel com todos os 17 ODS.

Ao final das apresentações, expomos os pôsteres em um lugar de visibilidade na escola, para que outras turmas tivessem acesso aos ODS. Criamos um QR code, que colamos ao lado do grande painel, com link direto para a página virtual das Nações Unidas. A exposição dos pôsteres estimulou a pesquisa sobre os 17 ODS entre as alunas e os alunos que não participaram diretamente do projeto.

Assim, realizamos uma conscientização do tema do projeto em si, que é um debate sobre as políticas públicas existentes. Os ODS são um apelo universal da ONU, que tem como objetivo maior estimular o desenvolvimento social no mundo, proporcionando a todos os indivíduos paz e prosperidade.

Tela de computador mostra chamada de vídeo. Nela, aparece a educadora Jaqueline Rodrigues: mulher branca, com cabelo cacheado na altura dos ombros. Fim da descrição.
Fonte: arquivo pessoal.

Evidências de aprendizagem

A assimilação do conteúdo ficou evidente durante as apresentações de cada grupo, nas perguntas e discussões de sala sobre os temas apresentados, bem como nas respostas às minhas questões.

Durante a leitura dos textos, também foi possível observar que haviam compreendido os temas conforme o planejamento. Constatei isso no debate interno dos grupos e nas perguntas pertinentes ao tema.

A elaboração dos pôsteres também evidenciou a aprendizagem, especialmente pela forma como foram desenvolvidos (com o processo de escrita, pelo qual teriam que descrever as principais características do ODS). A apresentação oral no final do processo confirmou a compreensão dos temas, que era um dos objetivos da realização do projeto. O aprendizado voltou diversas vezes à pauta das aulas, mesmo depois da conclusão do projeto.

Avaliação do processo

A avaliação do processo de aprendizagem foi pensada de forma que observasse todas as etapas do projeto, desde a atenção às explicações, a preparação para a apresentação oral, a organização com as datas de entregas das atividades, até a colaboração e a interatividade dos grupos.

Procurei inserir no projeto etapas para alcançar e incluir todos os tipos de singularidades. Nesse sentido, se um aluno fosse mais tímido e reservado durante a apresentação oral do trabalho, ele poderia evidenciar seu desempenho de outras formas, como na escrita, por exemplo.

Em relação às competências e habilidades previstas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a experiência educativa foi de grande valia no que diz respeito à competência específica 2, que orienta a compreender processos de conflitos de relações de poder, respeitar as diversidades, agir socialmente de forma democrática, de forma igualitária e considerando os Diretos Humanos, exercer o diálogo, resolver conflitos, cooperar e combater preconceitos. Todos esses tópicos estão presentes nos ODS.

Além disso, também praticamos a habilidade EM13LGG204, que orienta produzir entendimento mútuo em relação a interesses pautados em princípios e valores de igualdade e justiça com base na democracia e nos Direitos Humanos.

 

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Quando concluí minha graduação em língua inglesa e me inseri no mercado de trabalho, percebi que precisaria ir além na minha formação para alcançar o nível de qualidade de docência que eu esperava de mim. Desde então, tenho percorrido um longo caminho em cursos acadêmicos e práticos de aperfeiçoamento, como minha pós-graduação, meu mestrado e diversos cursos relacionados à minha área de atuação.

Acredito que o aprendizado deve ser uma constante comum a todas e todos, especialmente àqueles que buscam ensinar. Por isso, atualmente, apesar uma significativa experiência ao longo de 15 anos de carreira, sinto diariamente a necessidade de me aprimorar e melhorar enquanto professora. Procuro me atualizar e sempre estar presente em cursos de capacitação que me são oferecidos ou que conquisto por meio de bolsas de estudo.


O projeto “Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU” foi um dos dez vencedores do Prêmio Educador Nota 10 de 2021.

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