Eliane da Silva Gasparini

No ano de 1992, após ter sido aprovada em um Concurso Público Municipal para PROFESSOR DE EDUCAÇÃO INFANTIL, fui convidada a trabalhar em uma nova Escola do Município – CEMAE (Centro Municipal de Atendimento Especializado). Em princípio, não tinha noção do que se tratava. Logo percebi que teria de me superar, pois me deparei com situações que não conheci em minha formação. Sendo assim, busquei aperfeiçoamento cursando a FACULDADE DE PEDAGOGIA; mas ainda assim não consegui encontrar as respostas de que precisava apenas na teoria. Todas as dificuldades tiveram de ser trabalhadas no meu ambiente de trabalho; trocar experiências; criar e adequar novas estratégias; procurar esclarecimentos com embasamentos teóricos. Situações discutidas e implementadas em grupo. Isto posto, tornou-se a melhor experiência de minha vida, potencializando meu crescimento profissional. Além disso, me levou a enxergar o “deficiente” como pessoa capaz de se adaptar a situações diversas com muito mais facilidade do que as pessoas sem deficiência, pois sua necessidade de superação o faz tornar-se mais flexível e motivado. Embora vivenciada e entendida a capacidade de adaptação da pessoa com deficiência, só percebi a dificuldade da “inclusão” após ter saído do CEMAE. Esta constatação iniciou em 2006, quando, novamente através de outro Concurso Público, mudei de Instituição, passando a coordenar uma escola de Ensino Fundamental com crianças de 4 a 10 anos. Nesta nova fase, tive uma experiência de inclusão com um aluno cadeirante com paralisia cerebral de nove anos. Enfrentei com ele a resistência de uma equipe que por mais que quisesse não conseguia suprir todas as suas necessidades, tais como ir ao banheiro, alimentar-se. Para isto, decidimos pedir auxílio da mãe nos horários de intervalos, pois não tínhamos um funcionário para cuidar do aluno; tornando-se uma parceria positiva e efetiva. Além disso, tivemos de adaptar o ambiente de sala de aula (posicionamento) e a avaliação de desempenho, engajando os professores neste “novo cenário”. Estas ações fizeram com que superássemos as dificuldades, tendo ele finalizado o seu ciclo em nossa Escola; passando para uma Escola Estadual.

ELIANE DA SILVA GASPARINI, COORDENADORA PEDAGÓGICA

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