Professores também aprendem na escola. A diversidade é o que ensina

Entenda como a formação de professores na escola se fortalece com a diversidade, a prática cotidiana e a colaboração entre educadores.

Três professoras e um professor estão sentados à mesa e observam anotações em um caderno. Fim da descrição.
Foto: Pal Albuquerque. Fonte: Instituto Rodrigo Mendes.

Ao longo da minha trajetória como professora, formadora de professores e formadora de formadores, uma frase de Canário (1998) sempre esteve comigo: “a escola é o lugar onde os professores aprendem”. Essa ideia ajuda a compreender a formação de professores na escola como um processo que também nasce das experiências cotidianas, das relações e da diversidade presente nesse ambiente. Entendo a escola como um espaço em que todos aprendem: estudantes, famílias, comunidade e profissionais da educação. Por isso, neste texto, faço um convite para olhar a escola como um rico espaço de aprendizagem para docentes.

A escola como espaço de formação de professores

Pense em uma sala de aula: estudantes e professores chegam com sua história de vida, seu jeito de sentir, de agir, de aprender, de se expressar, entre tantas outras características que constituem cada pessoa. A diversidade é um valor que enriquece o contexto escolar, de forma que deve ser reconhecida e potencializada. Cada pessoa tem algo a ensinar e algo a aprender. Diante desse contexto, que saberes podem apoiar professores em sua atuação cotidiana? E, principalmente, como esses conhecimentos podem ser aprofundados, compartilhados e ampliados ao longo de sua trajetória profissional? 

Os saberes de professores se constituem a partir das experiências com os estudantes e com a turma, nas vivências acadêmicas, no cotidiano da escola e nas relações com seus pares e demais profissionais da educação. Essa pluralidade de saberes está presente quando docentes mobilizam conhecimentos para atuar em situações que surgem no seu dia a dia. 

Professores aprendem com a própria prática quando a escola cria espaços de formação. Mas o que muda quando esses momentos partem da diversidade presente no contexto escolar? Abrem-se possibilidades para compreender a cultura em que a comunidade está inserida, discutir coletivamente situações vivenciadas, buscar respostas para os desafios da docência e construir novos caminhos de ação. É nesse diálogo com a realidade que a formação ganha sentido. 

Quando esse processo considera a diversidade presente na escola, a formação deixa de ser um evento pontual e se torna parte da trajetória docente, contribuindo para uma prática mais atenta às diferentes formas de aprender e ensinar.

Formação de professores na escola se fortalece com colaboração

Mas será que esse caminho se faz de forma isolada? Considerando que professores aprendem em suas práticas pedagógicas cotidianas, esse movimento se fortalece no contexto colaborativo da escola. O compartilhamento de experiências com pares pode ampliar o olhar sobre a prática, favorecendo mudanças educativas mais significativas e contextualizadas. Afinal, outras possibilidades podem surgir quando diferentes perspectivas e experiências se encontram. 

Formar-se com e para a diversidade é, portanto, criar condições para que mais profissionais possam reconhecê-la como parte da escola e como uma oportunidade para todos, ampliando as possibilidades de ensinar e aprender.

 

Formação para reconhecer e valorizar a diversidade

 O Instituto Rodrigo Mendes oferece o curso “Fundamentos da Educação Inclusiva”, on-line, gratuito e autoinstrucional, com 20 horas de duração e certificado. Uma oportunidade de aprofundamento de conhecimentos, reflexão sobre situações do cotidiano escolar e ampliação de repertórios para uma prática que reconhece e valoriza a diversidade como parte do processo de aprendizagem. 

Se a escola é o lugar onde professores aprendem, como afirma a frase que acompanha minha trajetória, ela também é espaço de aprendizagem para todas as pessoas que fazem parte dela. E quem mais pode realizar esse curso? Gestores escolares, equipes de secretarias de educação, familiares, estudantes, profissionais da educação e todas as pessoas interessadas na educação inclusiva. 

O curso pode ser um aliado para que sua comunidade escolar faça da formação um espaço permanente de encontro, reflexão e construção coletiva. Que tal começar por aqui? 

 

Referência 

CANÁRIO, Rui. A escola: o lugar onde os professores aprendem. Psicologia da Educação, São Paulo, n. 6, p. 9-27, 1998.

 

Sobre a autora

Andréa Gonçalves é mestre em Educação, com 29 anos de experiência na área. Atuou como professora, gestora escolar, técnica de secretarias de educação e consultora educacional. Atualmente, é especialista em Formação no Instituto Rodrigo Mendes, com foco em educação inclusiva e formação de profissionais da educação.

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