SME de São Paulo busca assegurar aprendizado a todos durante a quarentena

Secretaria Municipal de Educação de São Paulo orienta trabalho colaborativo no planejamento das aulas, escuta e acolhimento das famílias de estudantes 

Por conta da pandemia da Covid-19, escolas da prefeitura de São Paulo foram fechadas para que estudantes, professores e funcionários do quadro escolar fiquem protegidos do vírus e contribuam para conter sua disseminação.

Em sala de aula, carteiras de estudantes vazias. Ao fundo lousa verde contrasta com parede branca. Fim da descrição.

Para o enfrentamento desta realidade, a Secretaria Municipal de Educação (SME) de São Paulo estabeleceu critérios de organização de estratégias para assegurar que nenhum estudante fique para trás durante o período de suspensão do atendimento presencial.

As unidades de ensino devem garantir a aprendizagem principalmente por meio de material impresso e, de forma complementar, em ambiente virtual. Cada unidade educacional também deve elaborar seu plano para a continuidade das atividades escolares, priorizando as metas curriculares e definindo os objetivos a serem alcançados a cada semana, em consonância com o projeto político-pedagógico.

Assim, estudantes dos territórios das 13 Diretorias Regionais de Ensino (DRE) do município de São Paulo estão realizando as atividades escolares de suas casas, tendo suas famílias como mediadores, com a utilização de ferramentas de videoconferências do Google for Education.

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De acordo com Daniela Harumi, diretora da Coordenação Pedagógica (COPED) da SME de São Paulo, ao final do recesso escolar, em 9 de abril, as equipes da Unidade Educacional realizaram reuniões virtuais para reorganizar seus planejamentos, considerando as necessidades atuais em virtude da pandemia, e se apropriaram da plataforma Google Classroom.

A diretora explica ainda como o planejamento continua: “As unidades apresentam horários de formação coletiva que, neste momento, são destinadas às discussões acerca do (re)planejamento das ações e da troca de experiências com a utilização do ambiente virtual”.

Leia na íntegra
+ Entrevista com a diretora da Coordenação Pedagógica (COPED) da SME de São Paulo, Daniela Harumi

Trilhas de aprendizagens

Para facilitar esse processo de ensino durante a pandemia, a SME elaborou a coleção Trilhas de aprendizagens para todos os estudantes da rede, desde a Educação Infantil até a Educação de Jovens e Adultos. O material impresso está alinhado com o Currículo da Cidade e foi disponibilizado aos estudantes para utilização por dois meses.

Pensando em práticas pedagógicas possíveis, o material impresso deve ser considerado pelos educadores como ponto principal para o desenvolvimento das estratégias e atividades durante o período de suspensão e no início do retorno das atividades presenciais.

Os estudantes estão recebendo o material em suas casas para não haver prejuízo àqueles que não possuem acesso à internet. Para isso, é importante que todos tenham os dados atualizados no formulário da secretaria.

Para eliminar barreiras linguísticas aos estudantes de famílias imigrantes, o material também foi traduzido para três línguas diferentes: espanhol, francês e inglês.

Estudantes com deficiência

Mas como fica a situação dos estudantes com deficiência? Visando uma perspectiva inclusiva, a SME, por meio da Divisão de Educação Especial (DIEE), está orientando as DRE para que tornem as aulas acessíveis a todos.

Dentre as medidas adotadas, está a atuação dos Professores de Apoio e Acompanhamento à Inclusão (PAAI) junto às unidades educacionais, na perspectiva do desenvolvimento de um trabalho colaborativo. O intuito é identificar e eliminar as barreiras ao pleno aprendizado de estudantes que contam com o Atendimento Educacional Especializado (AEE), serviço oferecido aos estudantes público-alvo da educação especial, nas Salas de Recursos Multifuncionais.

Articulação do AEE com a sala comum

Nas atuais diretrizes estabelecidas pela SME, o AEE é ofertado em diferentes tempos e espaços educativos, podendo ocorrer no contraturno escolar, por meio do trabalho itinerante ou colaborativo. A grande novidade é a articulação do professor de AEE com o de sala comum, que visa a eliminação de barreiras para a aprendizagem.

Um dos espaços disponibilizados para servir de atuação e interlocução, entre o professor de AEE, os estudantes e seus familiares, é o Google Classroom. Porém, não deve ser entendido como exclusivo ou substitutivo à escolarização do estudante com deficiência na sala comum.

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Para Yara Aparecida da Silva, professora de AEE da EMEF Dr. João Naoki Sumita até o início do ano (atualmente compõe a equipe do CEFAI Itaquera), a proposta está em sintonia com o Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA) e é positiva para garantir aprendizagem a todos os estudantes.

A ideia é que os educadores elaborem em conjunto as aulas e as atividades de maneira acessível a todos, bem como pensar em tecnologias assistivas para que os estudantes com deficiência possam acessar os recursos tecnológicos.

Os professores de AEE ainda estão orientados a estabelecer um frequente canal de comunicação com as famílias, junto à equipe gestora e aos demais professores da unidade educacional. O acompanhamento visa a escuta, acolhimento e orientações para se estabelecer uma rotina de estudos, além de esclarecimentos quanto ao uso de recursos específicos elaborados.

Mônica Leone Garcia, diretora da Divisão de Educação Especial, explica que todas as atividades devem estar ancoradas no Currículo da Cidade de São Paulo, comum a todos os estudantes, seguindo os princípios norteadores da Educação Inclusiva, Equidade e Educação Integral.

Entendemos que ninguém melhor que o professor para definir as estratégias que melhor se adaptem a este contexto.

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+ Entrevista com diretora da Divisão de Educação Especial, Mônica Leone Garcia

O CEFAI de Itaquera

Além da articulação do serviço com a sala comum, a SME também orienta as unidades de ensino, por meio dos Centros de Formação e Acompanhamento à Inclusão (CEFAI), que são vinculados às Diretorias Regionais de Ensino (DRE) e às Diretorias Pedagógicas (DIPED).

Exemplo disso, o CEFAI de Itaquera, após reuniões com os professores de AEE, os orientou a indicar, quando necessário, recursos de acessibilidade que possam favorecer a realização das tarefas pelo estudante público-alvo da educação especial.

A unidade também está realizando um mapeamento, a partir de um questionário entregue a todas as famílias de estudantes com deficiência, para entender o grau de acesso à internet e aos conteúdos disponibilizados para as aulas.

Mapeamento com os estudantes e familiares

Após o recesso escolar, o CEFAI Itaquera elaborou um levantamento que traz perguntas sobre as necessidades de cada estudante para além do plano pedagógico, como de saúde e alimentação. A ideia é mensurar a realidade de vulnerabilidade social das famílias e acionar as redes de apoio e proteção social, quando necessário.

Ao identificar alguma criança em situação de vulnerabilidade, o CEFAI presta acompanhamento e suporte para que a família entre em contato com a assistência social.

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A coordenadora do CEFAI Itaquera, Keit Cristina Anteguera Lira, esclarece que todas as ações estão sendo realizadas em um ritmo intenso para dar conta de todas as demandas, mas pondera sobre os desafios dessa nova realidade.

O nosso nó são os estudantes que não têm acesso à internet, independentemente de terem deficiência ou não. É necessário, nesses casos, sempre traçar outras estratégias e formas de alcançar estes estudantes.

O mapeamento proposto pelo CEFAI foi encaminhado às famílias, via unidades educacionais, por e-mail ou WhatsApp. Quando as famílias apresentam dificuldades de preenchimento, contam com o auxílio de gestores das unidades.

Além disso, o CEFAI realiza empréstimo de recursos de acessibilidade para utilização dos estudantes em casa. Essas ações estão articuladas com as famílias dos estudantes.

Para Keit, é importante que os setores públicos, famílias e educadores reivindiquem a inclusão de estudantes com deficiência durante o período da suspensão das aulas presenciais.

O risco deles caírem na invisibilidade e serem deixados para trás é grande se a gente não tomar cuidado e pautar essas discussões em todos os espaços.

Perspectiva de volta às aulas presenciais

A mudança promovida pela pandemia foi abrupta e tem trazido grandes desafios para familiares, estudantes e educadores. Para Mônica, é importante um planejamento que respeite as singularidades de todos.

Reconhecemos a importância do planejamento de um retorno gradual com especial atenção à saúde física e emocional dos estudantes com deficiência.

Daniela acrescenta que, além do acolhimento e cuidado com questões de saúde, será necessário um grande movimento e recuperação das aprendizagens, “considerando que nem todos os estudantes tiveram acesso aos mesmos recursos durante esse período de isolamento”.

Embora não haja uma previsão de retorno às aulas presencias, Mônica aponta alguns pontos que devem ser mantidos após o fim do isolamento social, como o fortalecimento do trabalho articulado dos professores de AEE na unidade educacional e o monitoramento dos recursos pedagógicos e de tecnologia assistiva oferecidos na perspectiva da eliminação de barreiras para a aprendizagem.


O DIVERSA está acompanhando as práticas inclusivas de ensino durante a suspensão das aulas presenciais em sua nova seção DIVERSA na pandemia.

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