Circuito de brincadeiras inclusivas une instituições e comunidade

Aumentar a sensibilização e o conhecimento sobre inclusão foi o principal aspecto identificado como uma barreira para o desenvolvimento de práticas mais colaborativas e inclusivas em nosso grupo. Com o trabalho conjunto de três instituições de Porto Alegre (RS), desenvolvemos o projeto “Abraçando o Mundo”, a partir do conhecimento adquirido no curso Portas abertas para a inclusão, do Instituto Rodrigo Mendes (IRM), e conseguimos promover reuniões temáticas locais que culminaram num evento para a prática de diversas atividades inclusivas.

Este vídeo conta com os recursos de acessibilidade de audiodescrição e Libras.

Com um esforço conjunto da Secretaria Municipal de Esportes, Recreação e Lazer de Porto Alegre, que conta com o parque Ramiro Souto e o ginásio Lupi Martins, e do Instituto Popular de Arte Educação (IPDAE), organização que abriga uma escola de música e uma biblioteca comunitária, utilizamos as características e ações já desenvolvidas nesses locais para pensar em novas atividades que pudessem incluir todos os estudantes.

Estratégias do projeto

A partir dos princípios do livro “O foco triplo“, de Daniel Goleman e Peter Senge — que são autoconsciência, empatia e relação com o mundo — dividimos o projeto em três momentos:

1) Conhecendo para envolver: nessa etapa, buscamos reunir profissionais dos três locais para debatermos os princípios do projeto e desenvolvermos atividades que aumentassem a instrumentalização dos educadores e demais envolvidos.

2) Eu o outro e nós: nesse momento, realizamos atividades com diferentes grupos de cada local envolvido no projeto. Turmas de crianças, adolescentes adultos e idosos se envolveram, refletiram e brincaram durante nossas intervenções.

3) Brincando de incluir: para finalizar o projeto, planejamos, divulgamos e realizamos um circuito de artes e esportes com crianças, estudantes e adolescentes, com e sem deficiência, no ginásio Lupi Martins.

Atividades do circuito

Para iniciar o circuito de jogos, realizamos brincadeiras de estátua, espelho (imitação) e caminhadas pela quadra. Na estação de artes plásticas, utilizamos pincéis e tintas para estimular a imaginação dos participantes. Na estação de música também foram desenvolvidas atividades de respiração e de canto.

Para o espaço de esportes, desenvolvemos atividades flexibilizadas, como judô, vôlei sentado e vôlei cego, futebol em dupla e vendado, e basquete de joelho. O encontro foi finalizado com um “paraquedas”, um enorme tecido movimentado coletivamente que representou uma metáfora do planeta e da convivência das diferenças.

Garota sentada em colchonete arremessa grande bola para cima.
No vôlei sentado, o único combinado é estar a maior parte do tempo com o bumbum no chão, resistindo à tendência de se levantar para pegar a bola arremessada pela outra equipe ou ficar de joelhos para devolvê-la. Segue as demais regras do vôlei tradicional. Os times também podem variar no número de jogadores, já que o que importa é a diversão. Foto: Leonne Sá Fortes.
Adolescentes jogam vôlei sentado em quadra forrada por placas emborrachadas. A rede está coberta por um pano que impede que os times se vejam durante o jogo.
Na versão cega, a rede sobe um pouco mais e ganha um pano escuro, impedindo a visão do outro campo. Foto: Leonne Sá Fortes.
De pé, educador dá instruções para time de jovens em chão acolchoado durante partida de vôlei sentado.
Os participantes devem jogar a bola entre si e de um lado para o outro, da mesma forma que a versão tradicional, mas sem saber quando ou em que ponto ela cruzará o tecido. Foto: Leonne Sá Fortes.

Impressões dos participantes

O público presente foi realmente diverso e a adesão nas atividades foi alta. As crianças e adultos se divertiram nas estações, e os educadores demonstraram bastante envolvimento nas brincadeiras. Os relatos obtidos junto aos alunos, pais, mães, avós e professores revelaram grande empatia com a proposta do projeto e o coordenador do ginásio em que foi realizado o último evento também propôs que pudéssemos planejar os eventos do local sob a perspectiva da educação inclusiva.

Projeto participante do curso Portas abertas para a inclusão. Esta experiência faz parte da Coletânea de práticas 2016.

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