Namíbia busca garantir educação de qualidade com política inclusiva

Por Juliana Delgado

Há sete anos, ações do Ministério da Educação do país garantem ambientes de aprendizagem acessíveis a todos os estudantes

Depois de identificar que crianças com deficiência e em situação de vulnerabilidade social não tinham acesso total à educação, o Ministério da Educação, Arte e Cultura da Namíbia implantou em 2013 uma política de educação inclusiva do primário ao ensino médio, criada em diálogo com famílias, líderes de comunidades, professores e organizações da sociedade civil.

As medidas incluem formação de professores, de escolas públicas e particulares; apoio aos assistentes de sala, para facilitar a inclusão; e o trabalho com estudantes de pedagogia da Universidade da Namíbia, que atua em estreita colaboração com o Ministério da Educação para gerar consciência sobre a política.

Foram nomeados oficiais de educação inclusiva para atuarem diretamente, a nível regional ou nacional, na implementação e no monitoramento da política. Eles também têm a função de capacitar professores, oferecer aconselhamento, se necessário, e encaminhar estudantes para especialistas.

Outras ações são referentes à revisão curricular para refletir sobre a diversidade de aprendizado de todos e a manutenção do mecanismo que monitora e avalia a implementação da política.

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Sentadas em chão de madeira, três meninas usam pincel e tinta guache para pintar papel pardo. É possível identificar o início de um mapa mundi, estando já desenhado um círculo em azul, o formato do continente americano em verde e os pólos sul e norte em branco. Fim da descrição.
Foto: Pat Alburquerque.

“Uma escola inclusiva deve atender às singularidades de todos”

Regina Hausiku, oficial de educação sênior no Ministério da Educação da Namíbia, explica que uma escola inclusiva deve atender às singularidades de todos os estudantes. Por isso, a política é voltada para garantir uma educação de qualidade, apoiar o desenvolvimento da primeira infância e planejar meios de atendimento aos alunos de comunidades em vulnerabilidade social.

Atualmente, a política é monitorada por meio de um questionário regular e visitas às escolas que possuem estudantes com deficiência e dificuldades de aprendizagem. As medidas são necessárias para certificar que as escolas estão se tornando inclusivas, de acordo com a proposta da política.

De acordo com Regina, é importante que a adaptação curricular, as modificações no conteúdo da aprendizagem e as estratégias de ensino levem em consideração as singularidades dos estudantes:

Inclusão significa que todas as crianças, independentemente de sua especificidade, devem aprender e brincar juntas no mesmo ambiente, sem qualquer forma de segregação.

Transformação no cenário educacional da Namíbia

De acordo com Regina, a implementação de uma educação inclusiva nacional possui muitos desafios, mas o resultado conquistado na Namíbia até hoje excede suas expectativas. Das 14 regiões do país, sete já contam com escolas inclusivas.

Em 2019, 2.328 crianças com deficiência foram diretamente beneficiadas pela política. Além disso, a inscrição de crianças com deficiência nas escolas comuns aumentou, bem como o número de oficiais de educação inclusiva nomeados para apoiar as unidades de ensino.

Desde o início do programa, 2.233 professores do ensino primário e secundário foram treinados em todo o país.

Conscientização sobre a importância da educação inclusiva

Além de intervenções nas escolas, também são realizadas ações de conscientização da população. O Ministério da Educação da Namíbia entende que atitudes negativas da sociedade em relação à inclusão podem ser devidas ao desconhecimento sobre os benefícios da educação inclusiva para todas e todos.

Ser inclusivo significa ainda que todos os alunos devem participar do aprendizado e mostrar progresso e maximizar seu potencial.

A conscientização é realizada em muitas plataformas, incluindo rádio, televisão e panfletos, para compartilhar com a população o conhecimento sobre deficiências.

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Uma ferramenta de monitoramento foi desenvolvida para acompanhar o progresso da política e ajudar a identificar as necessidades que surgem.

Para Regina, o aumento da conscientização é necessário para gerar a mudança de atitude em relação à deficiência, além de promover uma maior comunicação com os familiares, responsáveis e outras partes interessadas em colaborar com a inclusão.

A inclusão une todas as pessoas para abraçar a diversidade e eliminar qualquer forma de discriminação.

Ensino durante a pandemia

Por conta da suspensão das aulas presenciais e fechamento das escolas para conter a propagação da covid-19, o Ministério realizou um planejamento para aprendizagem à distância, por meio de plataformas comunicacionais como Zoom, Google Classroom, WhatsApp, Telegram, entre outras.

As escolas têm se organizado com auxílio de plataformas digitais para alcançar a comunidade escolar e foram elaborados materiais com instruções das atividades para os estudantes, para serem realizadas com apoio dos familiares. No entanto, existem desafios por algumas crianças não possuírem tecnologia de acesso e outras não terem apoio para realizar as atividades.

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Segundo Regina, o país já recebe estudantes para aula presencial, mas a prioridade de retorno foi dada às crianças que irão realizar exames no fim do ano letivo, enquanto as séries iniciais continuam envolvidas no ensino remoto. 

O Ministério da Educação está trabalhando duro para apoiar as autoridades educacionais e as escolas para que nenhuma criança seja deixada de fora.


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