Estado australiano cria modelo inclusivo para apoiar aprendizagem de todos

Política de Educação Inclusiva de Queensland pretende garantir suporte para que todos os estudantes aprendam e alcancem seu máximo potencial

Há alguns anos, o Departamento de Educação e Treinamento de Queensland, na Austrália, tem investido para garantir que suas escolas estaduais se tornem mais inclusivas e não deixem nenhum estudante para trás. A contratação de uma avaliação externa foi a estratégia encontrada em 2017 para possibilitar uma reflexão mais profunda das conquistas dos últimos anos e dos avanços ainda necessários. 

Três meninas posam para fotos abraçadas com uniforme escolar e chapéus. Fim da descrição.
Estudantes australianas do estado de Quensland. Imagem retirada de apresentação de Deborah Dunstone para Zero Project Conference 2020.

A “Review of education for students with disability in Queensland state schools”, ou Revisão da educação de estudantes com deficiência nas escolas estaduais de Queensland, em português, examinou de que forma o sistema educacional do estado possibilitava aos estudantes com deficiência o suporte necessário à aprendizagem. Além disso, elencou diversas recomendações para que o órgão estadual possa oferecer serviços educacionais de alta qualidade que apoiem todos os estudantes a alcançarem seu máximo potencial.

Como um dos resultados dessa revisão, em 2018, Queensland implementou sua Política de Educação Inclusiva, com o objetivo de garantir que estudantes com deficiência de suas escolas estaduais recebam o suporte que precisarem para aprenderem, pertencerem à comunidade e terem sucesso escolar.

Conheça a política de educação inclusiva de outros países
+ Experiência da África do Sul  

Além da política, a estratégia geral do departamento para os próximos anos é garantir que todo estudante tenha sucesso acadêmico, por meio do modelo estratégico “Every Student Succeeding — State Schools Strategy 2020–2024”. O modelo tem a inclusão escolar como um dos princípios.

Deborah Dunstone posa para foto em frente a cartaz em que se lê: "Zero Project: for a Deborah Dunstone posa para foto em frente a cartaz em que se lê: "Zero Project: for a world without barriers". Fim da descrição.
Deborah Dunstone durante conferência do Zero Project 2020.

A equipe do Diversa entrevistou Deborah Dunstone, diretora adjunta da área de Deficiências e Inclusão de Escolas Estaduais do Departamento de Educação de Queensland, durante a Zero Project Conference 2020, onde a Política de Educação Inclusiva do estado foi reconhecida como política inovadora.  

Saiba mais
+ Zero Project 2020: projetos desenvolvidos pelo IRM são premiados em conferência na Áustria


DIVERSA – Deborah, você nos apresentou uma mudança consistente de cultura em Queensland em relação à implementação de um sistema educacional inclusivo. Quando essa mudança começou a acontecer? 

Deborah – Muitas de nossas escolas são inclusivas há muito tempo. Mas há três anos, encomendamos uma revisão externa do departamento. Recebemos um relatório com 17 recomendações. E ficou claro que algumas coisas estávamos fazendo bem, mas que tínhamos muito mais a fazer. Uma das recomendações era definir verdadeiramente o que é educação inclusiva e o que fazer para atingir maiores expectativas para os alunos com deficiência. Por isso, passamos oito meses consultando pais, famílias, professores sobre o que seria inclusão. E percebemos que, em alguns casos, uma escola dizia: “Somos inclusivos aqui”. Mas quando você os colocava sobre a mesa, eles não eram inclusivos ou não eram tão inclusivos quanto pensavam que eram. No entanto, você não pode dizer a uma diretora: “você não é realmente inclusiva”. Nós temos que usar o poder da escola. Os educadores constantemente nos perguntam: “como acham que estamos indo? Isso reflete muito na nossa motivação para pensarmos no agora e no que acontece a seguir. 

DIVERSA – E quais foram os principais desafios dos últimos anos?  

Foi a confiança do professor. E também a confiança das famílias de que as crianças iriam ficar bem, teriam comida e segurança, não sofreriam bullying na escola… E, por último, a liderança de sistema nos níveis mais altos do departamento.

DIVERSA – E as conquistas?    

As pessoas estão nas escolas e as conversas estão acontecendo em todas as comunidades escolares. Elas estão passando por isso e estão criando uma motivação muito forte. Vimos a mudança na gestão acadêmica dos estudantes com deficiência. A maioria dos estudantes está se saindo melhor, está recebendo certificação.  Também vimos uma mudança nas suspensões e expulsões de crianças com deficiência. E a confiança das crianças nelas mesmas melhorou. 

DIVERSA – O que ainda precisa ser melhorado? Como você acha que está a situação da educação inclusiva em Queensland atualmente?  

Ainda estamos nos estágios iniciais. O Departamento de Educação está trabalhando duro para construir uma cultura inclusiva. E isso é sobre funcionários, comunidade escolar. Há um compromisso no país com pessoas com deficiência. Então, nós os estamos observando de perto. Não se trata apenas de educação, é sobre onde as pessoas vivem, sobre acesso a cuidados de saúde etc. O país inteiro está em um espaço de mudança realmente saudável. E acho que com essas recomendações adicionais há muito trabalho a ser feito. Então, estamos com os olhos arregalados, indo devagar, tentando levar as escolas conosco. E estabelecemos como propósito moral que todos os estudantes precisam ser bem-sucedidos. Então, essa foi a decisão deliberada que tomamos, para além da escola, diretores e professores.

Compartilhe este conteúdo com seus amigos.
Comente ou compartilhe nas mídias sociais: