Tania Lima Mancebo

Sou coordenadora da Educação Infantil e 1ºs anos em uma escola municipal de educação infantil e ensino fundamental. Há 4 anos atrás atuei como diretora em uma creche de nossa cidade. Ao chegar nesta creche, fiquei muito surpresa com um menino de aproximadamente 3 anos e meio que sabia ler todas as coisas, inclusive palavras complexas. Porém, ele possuía dificuldade em reconhecer cores e em sua coordenação motora. Sua fala era diferente de outras crianças. Fiquei muito preocupada ao perceber que este menino às vezes era agitado, chorava muito, não gostava de barulho e não comia nada. Minha preocupação aumentou quando percebi que algumas monitoras não tinham paciência com ele na hora do lanche e das brincadeiras, por isso ele ficava sempre de lado. Nem mesmo sua mãe sabia nos dizer o que acontecia com ele. Até então, eu nunca havia recebido algum tipo de orientação sobre o que fazer com estas crianças “diferentes”. Me sentia impotente em relação àquela situação e não sabia para onde correr, talvez pela total falta de informação. Aquele menino não ficou muito tempo conosco, e passou a ser atendido pelo CEMAE, porque achávamos que o ambiente ali não era adequado para ele. Quanta falha… Hoje tenho o prazer de ter esta criança em nossa escola, cursando a 4ª série do ensino fundamental. Ele é muito especial para todos aqui. Hoje sei que ele possui um Autismo com rendimento. Comunica-se com todos da escola, nos conta suas frustrações e alegrias. Hoje sei como lidar com ele. É uma grande recompensa depois destes anos todos sem contato com este aluno que só precisava ser acolhido de uma maneira diferente, e que possuía o mesmo direito de todas as crianças para desenvolver sua cidadania.

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