Marília Gabriela Dalsico Monteiro

Quando fomos participar do Projeto Portas Abertas, não tínhamos ideia do que seria e qual a dimensão do mesmo. Sou professora do Ensino Fundamental I há dois anos nessa instituição. Em nossa escola, não há alunos com algum tipo de deficiência física e sim deficiência intelectual, porém o caso mais grave não é aluno do período que ministro as aulas, portanto não tenho alunos com deficiência em nenhuma turma em que ministro as aulas de Educação Física. Nas turmas encontro alunos com dificuldades nas habilidades motoras, gordinhos, desengonçados, baixinhos demais, altos demais, e estas sim são as “deficiências” que encontro no dia-a-dia. As dificuldades são as diferenças individuais que qualquer educador tem que lidar diariamente. Alguns alunos conhecem pessoas com algum tipo de deficiência, outros não, porém já viram passando na rua ou na televisão. Com essas características da turma tivemos muita dificuldade em resolver qual seriam as estratégias para a realização do Projeto, pensamos então em desenvolver um trabalho de conscientização, fazendo com que nossos alunos vivessem e refletissem sobre a condição da pessoa com deficiência na sociedade, mas principalmente na escola. 

Começamos assim um trabalho de conscientização, os alunos assistiram vídeos com depoimentos de pessoas deficiência e sua relação com o dia-a-dia, suas angústias e suas vitórias. Os alunos também participaram de aulas que os colocavam em situação de deficiência (físico ou visual). Foram desenvolvidas algumas atividades como: cabra cega (um aluno vendado tem que tentar pegar os demais colegas; variação: todos sentados, um colega vendado tenta adivinhar qual colega está ao seu lado usando apenas o tato); percurso às escuras (montou-se um percurso onde os alunos tiveram que passá-lo, em duplas, um vendado e o outro deveria auxiliá-lo usando apenas comando de voz); robozinho (um aluno vendado o outro tenta guiá-lo sem deixar ter contato com os outros colegas usando apenas o toque como guia); voleibol sentado (a rede é colocada baixa, rente ao chão, os alunos, divididos em equipes, todos deverão estar sentados, não podiam se levantar para pegar a bola); futebol cego (jogado em duplas com um dos alunos vendados); pega-pega em partes (o pegador deverá dar o comando de que forma os alunos deverão se locomover para fugir, exemplo: um pé só, saltando, abaixado. O pegador não poderá pegar os colegas com o auxílio das mãos, deverá usar apenas outra parte do corpo, exemplo: cabeça, perna, braço).

Após as atividades, realizávamos uma roda de conversa onde os alunos eram questionados sobre suas experiências com a mesma, o que sentiram, o que foi mais fácil realizar, qual a dificuldade. Debatíamos também a importância de uma pessoa com deficiência ter acesso a tudo que uma pessoa sem deficiência tem. Sabemos que quando não há contado direto com a pessoa com deficiência a relação entre a importância de incluir e realmente saber incluir fica um pouco distante, porém percebemos que os nossos alunos perceberam que pessoas com deficiência podem e devem ser parte integrante do meio em que vivemos. Que eles têm direitos que não são respeitados pela sociedade em geral. Que todas as crianças têm o direito ao acesso à escola e principalmente às aulas de Educação Física. Que ninguém deve ser discriminado e rejeitado por ser diferente.

 

Participante do projeto Portas abertas para inclusão – 2013.

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