Materiais pedagógicos acessíveis na educação inclusiva: o que são e como se relacionam ao DUA
Confira exemplos de materiais pedagógicos acessíveis que reduzem barreiras e fortalecem práticas inclusivas na escola

O Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA) é um dos destaques nas discussões sobre educação inclusiva porque propõe uma mudança no modo como o ensino é planejado. Essa abordagem sugere que as estratégias pedagógicas considerem, desde o início, a diversidade dos estudantes, em vez de pensar em atividades adaptativas apenas quando surgem dificuldades. Ao valorizar a heterogeneidade das turmas, o DUA também remove as barreiras para alunos com deficiência, transtorno do espectro autista e altas habilidades ou superdotação.
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+ O que é Desenho universal para aprendizagem?
O que você encontrará neste conteúdo:
• O que são materiais pedagógicos acessíveis e o DUA.
• Como os materiais se articulam com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
• Exemplos práticos do uso de materiais.
O que é Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA)?
- O Desenho Universal para a Aprendizagem é uma abordagem pedagógica que orienta o planejamento do ensino a partir da diversidade de estudantes da sala de aula;
- Propõe estruturar objetivos, métodos, avaliações e materiais pedagógicos acessíveis de modo que diferentes perfis de aprendizagem sejam considerados desde o início;
- É uma proposta de diversificação do acesso, do suporte e do uso das funções executivas na aprendizagem.
Seu foco está em dar suporte aos professores para potencializar a educação de cada estudante, respeitando sua maneira única de aprender.
Quais são os princípios do DUA?
Os princípios do DUA organizam-se em três grandes eixos que orientam o planejamento e as ações pedagógicas:
1. Múltiplas formas de engajamento
Referem-se às diferentes estratégias utilizadas para despertar o interesse, sustentar a motivação e promover a participação ativa dos estudantes nas propostas pedagógicas.
2. Múltiplas formas de representação
Referem-se às diferentes maneiras de apresentar informações e conteúdos, utilizando recursos visuais, táteis, sonoros e digitais.
3. Múltiplas formas de ação e expressão
Relacionam-se às diferentes possibilidades que os estudantes têm para demonstrar o que aprenderam, seja por meio da oralidade, escrita, produções visuais, tecnologias assistivas ou atividades práticas.
Esses três princípios estruturam o planejamento e podem fundamentar a criação de materiais pedagógicos acessíveis, contribuindo para o desenvolvimento de práticas pedagógicas inclusivas.
Aplicar o DUA é uma atribuição do professor regente, posto que impacta no seu planejamento de sala de aula. Mas ele pode e deve ser feito em parceria com o atendimento educacional especializado (AEE), que auxilia o professor a desenvolver práticas e a criar materiais pedagógicos acessíveis.
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O que são materiais pedagógicos acessíveis
Na prática, os materiais pedagógicos acessíveis se concretizam na articulação de elementos visuais, táteis, sonoros, digitais e lúdicos, ampliando as possibilidades de engajamento, autonomia e de aprendizagem em sala de aula. Ao reduzir barreiras e valorizar a diversidade, favorecem a participação de estudantes com e sem deficiência, fortalecendo experiências mais colaborativas e significativas.
Como os materiais pedagógicos acessíveis concretizam o DUA
Se o DUA orienta o planejamento considerando a diversidade das características de todos os estudantes, os materiais pedagógicos acessíveis são uma das estratégias que ajudam a torná-lo visível no cotidiano escolar.
Eles integram o planejamento e oferecem diferentes caminhos para os estudantes acessarem e construírem conhecimentos. Ao integrar recursos visuais ampliados, elementos táteis, dispositivos sonoros, tecnologias digitais ou propostas lúdicas, esses materiais ampliam oportunidades de participação e favorecem experiências mais colaborativas e significativas.
Quando pensados desde o planejamento, contribuem para reduzir barreiras e fortalecer a acessibilidade dentro da escola.
DUA, currículo e BNCC: conexões possíveis
A perspectiva do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA) dialoga com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que orienta escolas e redes a garantirem o direito de aprendizagem de todos os estudantes.
Ao reconhecer a diversidade humana como princípio estruturante da Educação Básica, a BNCC reforça a necessidade de estratégias e recursos que assegurem o acesso ao currículo comum.
Nesse contexto, os materiais pedagógicos acessíveis apoiam a implementação curricular ao diversificar formas de ensinar e aprender, sem abrir mão dos objetivos previstos para cada etapa da escolarização.
Por que o DUA vai além dos materiais?
Embora os recursos sejam importantes, o DUA não se resume à criação de objetos ou jogos pedagógicos. Ele envolve planejamento intencional, escuta dos estudantes e análise constante do contexto de aprendizagem.
“É fundamental destacarmos que os materiais pedagógicos devem ser utilizados como recursos que fazem parte de uma prática pedagógica que envolve muito planejamento, escuta, observação dos estudantes e articulação das características de cada um com aquilo que pode ser desenvolvido e aprendido. Isto é, o material não é o todo da prática pedagógica e não pode ser utilizado sem a vinculação com as necessidades dos estudantes e análise do contexto de aprendizagem que o criou”, destaca Deigles Giacomelli Amaro, especialista em gestão escolar no Instituto Rodrigo Mendes (IRM).
O uso dos materiais pedagógicos acessíveis na prática
Diversos educadores de todo o Brasil já criaram e utilizaram materiais pedagógicos acessíveis em suas estratégias pedagógicas. A seguir, confira exemplos de recursos desenvolvidos por professores que participaram de cursos de formação promovidos pelo Instituto Rodrigo Mendes (IRM) e publicados na seção materiais pedagógicos do Diversa.
▸ Tok MathCriado por educadores de uma escola pública de Quixeramobim (CE), o Tok Math surgiu a partir das dificuldades de estudantes na compreensão das operações matemáticas no Ensino Fundamental. O material reúne caixa interativa, recursos eletrônicos e apoio visual e tátil, sendo utilizado de forma colaborativa em sala de aula. A proposta contribuiu para ampliar o engajamento e favorecer a aprendizagem da matemática.
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Desenvolvido por educadoras da rede municipal de Rio Claro (SP), o Helinho Come-come foi criado para incentivar crianças da Educação Infantil a se envolverem com a alimentação escolar e ampliar a comunicação em sala. O recurso utiliza boneco interativo, alimentos de feltro e cartões com áudio, promovendo interação, enriquecimento do vocabulário e participação ativa nas atividades coletivas. |
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Professoras da rede municipal de São Paulo (SP) criaram a Roleta Silábica para apoiar estudantes do 2º ano do Ensino Fundamental com dificuldades na relação grafema-fonema durante a alfabetização. O material, composto por uma roleta com sílabas iluminadas por LED e cartelas de palavras, transforma a leitura em um jogo coletivo, tornando o processo mais acessível e engajador. |
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Desenvolvida por professores de uma escola pública de São Paulo (SP), a Tabela Periódica Magnética apoia estudantes do 9º ano que apresentam dificuldades na leitura e memorização dos elementos químicos. O jogo utiliza placa de MDF, peças imantadas e cartas com perguntas, articulando teoria e prática de forma acessível. |
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A Caixa Silábica foi idealizada para apoiar a alfabetização de estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Composta por peças táteis em alto relevo e botões de áudio, a proposta estimula a correspondência entre sons e grafias, promovendo a leitura de forma colaborativa e acessível a diferentes perfis de estudantes. |
Quer conhecer outros materiais?
Acesse a seção materiais pedagógicos e conheça outros recursos publicados no portal. Além dos materiais, estão disponíveis relatos de experiência, que apresentam o contexto de criação e aplicação, e tutoriais, que apoiam a possibilidade de utilização das propostas por outros profissionais da educação de acordo com as características dos estudantes e os objetivos de aprendizagem.