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Escola particular da Jordânia defende educação inclusiva no país

Por meio da inclusão de estudantes com deficiência visual, a instituição educacional garante que a convivência com a diversidade seja um direito de todos

Por Juliana Delgado

Com missão de garantir um ambiente acolhedor e de aprendizagens a estudantes com e sem deficiência, a Arab Episcopal School (AES), em português Escola Episcopal Árabe, foi fundada há 17 anos em Irbid, cidade da Jordânia.

Por meio da Igreja Anglicana no Oriente Médio, o Reverendo Samir Esaid e Sabah Zurikat deram início à unidade escolar como jardim de infância integrado para atender crianças com deficiência visual que não tinham opções de educação, exceto viajar para Amã, capital do país, que fica a uma hora de carro de Irbid.

Samir e Sabah viram as barreiras em mandar essas crianças pequenas para longe de suas casas por semanas a fim de obter uma educação. Pensando nisso, a partir de 2005, passaram a oferecer também ensino básico.

Atualmente, a AES tem 300 crianças matriculadas, 40 das quais são estudantes com deficiência visual. E é a única escola na Jordânia que atende crianças com e sem deficiência, uma vez que a maioria das escolas na Jordânia não considera ter os recursos necessários para ser inclusivas.

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“A legislação e a lei na Jordânia estão recentemente apoiando mais a inclusão. Antes era muito difícil que alunos com deficiência fossem matriculados em escolas comuns. Isso fez com que nossa escola fosse uma instituição diferenciada desde o primeiro dia de sua fundação”, explica Samir Esaid.

Por meio do ministério e do trabalho na Arab Episcopal School, as crianças têm a oportunidade de ir à escola e aprender a ler e escrever, além de fazer parte de um ambiente natural e seguro ao lado de seus colegas.

Dois estudantes, sentados em banco de madeira, se abraçam e sorriem para foto. Um deles está com óculos de grau e outro é cego. Fim da descrição.
Fonte: Arabic Episcopal School.

Valores da Escola Episcopal Árabe

Com objetivo de proporcionar a todas e todos oportunidades educacionais e sociais equitativas, a instituição desenvolveu métodos de apoio para tornar os recursos acessíveis ao corpo discente e docente, pois a equipe escolar também conta com o trabalho de profissionais com e sem deficiência.

A escola fornece todos os materiais necessários para o processo de ensino-aprendizagem, sejam esses materiais para a educação diária ou para outros fins, como esportes e informática. Exemplo disso é a disponibilização de teclados e impressoras em braile, lupas de câmera e livros e placas em braile para apoiar crianças cegas ou com baixa visão na leitura.

O fundador da escola explica que a AES promove, ainda, a tolerância étnica e religiosa, para que haja uma relação respeitosa entre as crianças, ao mesmo tempo em que elas adquirem habilidades para a vida, como nutrição saudável e proteção ambiental.

Samir conta que a preocupação é desenvolver muito mais que as capacidades acadêmicas dos alunos: “Buscamos também desenvolver seu caráter, proporcionando-lhes uma educação para a paz que se baseia na democracia, no respeito aos direitos humanos, na ênfase no trabalho colaborativo e voluntário e na boa administração do meio ambiente.”

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Apoio aos educadores

A inclusão e a diversidade impactam positivamente a vida de cada estudante da escola. Portanto, manter um ambiente educacional inclusivo é essencial: “É perceptível em todos os lugares que os comportamentos das crianças que vivem em um ambiente inclusivo são diferentes daqueles que nunca experimentaram a convivência com pessoas com deficiência”.

Levando em consideração que a escola é um dos espaços que podem construir verdadeiras comunidades e as liderar para uma vida melhor, como acredita Samir, os atores diretos da educação, os professores, são apoiados para garantir que a educação inclusiva aconteça de fato.

Nesse sentido, a instituição fornece ao corpo docente todos os recursos, inclusive formações, de que precisam para atuar de forma mais motivacional dentro da sala de aula, pois passam a entender os benefícios da educação inclusiva: “Ela garante que a diversidade, essencial na vida, esteja presente no cotidiano desde cedo”, expõe Samir.

Próximos passos

Até hoje, a escola já ganhou dois prêmios internacionais pelo diferencial em educação inclusiva, sendo um deles o Zero Project, que tem foco na promoção dos direitos das pessoas com deficiência, reconhecendo ações inclusivas do mundo todo.

Para continuar sendo uma referência de boas práticas, as principais metas da AES são atender cada vez mais estudantes com deficiência; garantir que laboratórios e bibliotecas possuam materiais em braile e os leitores de tela necessários; e estabelecer um centro de ensino de braile que atenda à comunidade do entorno.

De acordo com o Reverendo, o respeito e a diversidade são muito importantes em todos os lugares e devem ser estimulados, pois “garantem às pessoas a oportunidade e a capacidade de se conhecerem melhor e de viverem igualmente na sociedade”.

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