Escola na Bélgica incentiva o respeito às diferenças

Por Juliana Delgado

Sint-Camillus possui estratégias pedagógicas que permitem que estudantes desenvolvam suas potencialidades

Com uma proposta de ensino inclusivo, a Escola Primária Sint-Camillus, na Bélgica, trabalha questões sociais, emocionais e culturais dos estudantes. Além disso, conta com o trabalho colaborativo entre educadores, familiares e instituições externas para possibilitar o aprendizado de todos.

A escola, que possui uma visão sólida sobre valorização e respeito às diferenças, atende pessoas com e sem deficiência de 25 nacionalidades. São mais de 200 crianças no jardim de infância e no ensino fundamental, na faixa etária entre 2 anos e meio e 12 anos de idade.

Fachada da Escola Primária Sint-Camillus. À direita, prédio de tijolinhos laranjas e nove janelas de vidro, cinco em cima e quatro embaixo, com porta de vidro ao centro. À esquerda, portão azul com logo da escola em branco e, acima, placa retangular azul e branca com logo e nome da escola em holandês. Fim da descrição.
Foto: divulgação / Fonte: Escola Primária Sint-Camillus

Por conta da diversidade de origens presente na escola, algumas crianças não falam holandês, a língua oficial do país. A gestão escolar, então, desenvolveu um método de ensino do idioma para que as crianças aprendam a língua do país em que vivem.

Os estudantes não-nativos participam das aulas e de todos os demais espaços de convivência com os colegas, para se familiarizarem com a língua. Depois ficam focados em aprender o idioma por meio de atividades e apoio dos professores. Para só então, em seguida, começarem a realizar as atividades do currículo escolar.

Jordy Van Der Heyden, coordenador de atendimento, reforça que essa é uma das características que destacam a escola: “Uma coisa muito importante para todos os grupos em nossa escola é que eles precisam aprender a trabalhar juntos e lidar com as diferenças entre as crianças”.

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Reconhecimento cultural na escola

Um grande objetivo da gestão escolar e dos educadores é garantir que todos tenham oportunidade de aprendizagem e que se sintam bem em ir à escola. Para isso, várias atividades de valorização de diferentes culturas também são realizadas para reforçar que todos são bem-vindos e podem fazer parte da escola. O coordenador da escola conta:

“Oferecemos muitas atividades nas quais eles podem apresentar sua própria cultura para nós, para outras crianças, e também para os pais. Por exemplo, eles têm um projeto sobre culinária, e cada criança pode cozinhar algo da sua cultura e levar para a classe, para que possam apresentar uns aos outros.”

Em sala de aula, menina e menino pegam farinha de saco com uma colher cada um. Sobre a mesa, há uma tigela verde com farinha e embalagens de ovos, leite, e açúcar. Fim da descrição.
Foto: divulgação / Fonte: Escola Primária Sint-Camillus

Jordy explica que esta forma de lidar com as diferenças ensinada aos estudantes é reconhecida por outras escolas da região, que aprovam a prática:

Nossos estudantes não se importam se alguém não é como eles. As crianças apenas deixam que as pessoas sejam elas mesmas.

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Método de ensino

De acordo com a diretora da escola, Ilse Martens, para criar um ambiente de troca de experiências benéficas a todas e todos, a instituição não conta com classes separadas por nível de aprendizado, mas por grupos de faixa etária. A estratégia permite que as crianças troquem conhecimentos:

Sempre dizemos que queremos que as crianças aprendam juntas, umas com as outras e pelas outras.

As turmas, formadas por cerca de 50 estudantes, contam com três professores disponíveis em tempo integral. A escola busca fornecer um apoio de qualidade a todos os alunos, trabalhando com todas as áreas que se relacionam com o aprendizado, como a área cognitiva, social, motora, cultural e emocional.

“O que é diferente em nossa escola é que nenhuma criança fica para trás, ou nenhuma criança tem que refazer um ano.”

Os educadores trabalham para aumentar o interesse e a motivação de cada criança e planejam novos métodos caso algum estudante precise de estímulos adicionais de aprendizado. O objetivo é evitar a evasão escolar, de maneira que o menor número possível de crianças desista.

Em sala de aula, educadora com hijab na cabeça está acompanhando um jogo de tabuleiro com aluna. Ao fundo, diversas crianças realizam outras atividades. Fim da descrição.
Foto: divulgação / Fonte: Escola Primária Sint-Camillus

Quando necessário, a instituição pode receber suporte do Centro de Apoio e Orientação, que funciona como um órgão de aconselhamento, para fornecer recursos e orientações para a criação de estratégias inclusivas e eliminação de barreiras ao aprendizado.

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Diálogo com as famílias

O cuidado com a criança é uma preocupação compartilhada com toda a gestão e com os responsáveis. Ilse afirma que a escola está aberta sempre que os familiares têm alguma dúvida sobre as estratégias realizadas. Eles recebem relatórios, bilhetes e avisos sobre o desenvolvimento do estudante: “Os familiares participam muito. Sabem como funciona a escola.”

De acordo com a diretora, uma das principais preocupações da equipe escolar é manter uma forte relação estabelecida com os familiares a partir da matrícula das crianças na escola. Desde os documentos sobre o funcionamento da unidade, a gestão deixa claro que a intenção é ter as mães, os pais e responsáveis como apoiadores de todo o processo educacional da criança.

Assim, nas reuniões o cuidado para garantir plena comunicação e participação acessíveis é levado em consideração. A escola trabalha com comunicados em linguagem simples e direta e com elementos visuais. A proposta é apoiada por familiares que falam outras línguas além do holandês e traduzem as informações para os demais.

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Educação durante a pandemia

Segundo a diretora, em junho as aulas presenciais voltaram para todos, seguindo as regras e as recomendações de saúde. Ele entende que o ensino remoto não era suficiente para garantir o aprendizado.

Antes do retorno às aulas presenciais, os educadores iam às casas das crianças para entregar as atividades impressas e recolher as lições prontas: “Era quase a única coisa que chegava até eles. Foi a forma que encontramos para ter certeza de eles acessarem o trabalho e fazerem as atividades”, comenta Ilse.

As aulas presenciais na escola ficaram suspensas de março a maio e os professores começaram a utilizar aplicativos de mensagens gratuitos. Ilse alega que eles haviam ficado entusiasmados com as aulas on-line, mas que não deu certo: “Não demorou muito para percebermos que nem todos os nossos estudantes tinham condições de assistir às aulas, de fazer o trabalho on-line, porque não tinham internet, nem computador.”

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