Andréia Betina Legatzky Klitzke

No primeiro semestre de 2009, na Escola Municipal Professora Karin Barkemeyer, em Joinville (SC), foi desenvolvido o projeto Construindo o Conceito de Ângulo, com o objetivo que os alunos compreendessem o que é ângulo e não apenas usassem o transferidor mecanicamente. Esse projeto foi desenvolvido com três turmas do 5º ano. Em média, cada turma possuía 30 estudantes, sendo que em duas turmas havia um aluno de inclusão cada. Esses frequentavam o ensino regular no período matutino e recebiam atendimento especializado em um CEAPE no contraturno, também mantido pela rede municipal de ensino, onde os mesmos eram atendidos por psicopedagogos, fonoaudiólogos, terapeutas etc. Na escola havia um professor auxiliar, que se revezava no atendimento individual destes alunos, auxiliando-os na organização do material e na realização de determinadas atividades.

A presença de dois alunos de inclusão (um com Síndrome de Down e outro com deficiência intelectual leve) nessas turmas de ensino regular fez com que eu repensasse as estratégias que iriam ser utilizadas de forma que pudesse fazer uma inclusão de verdade. Organizei uma sequência didática com várias atividades, o que julguei ser essencial para que todos pudessem aprender. O que era um reforço para os outros, fazia a diferença para os alunos de inclusão. Como, por exemplo, em uma atividade na sala informatizada, onde os alunos deveriam deslocar uma tartaruga por um labirinto, utilizando os giros de 90º e 45º. Nessa atividade foi clara a motivação e a percepção dos giros relacionados à medida grau, adquiridos pelos alunos de inclusão. 

Além da diversidade de atividades, ouve a flexibilização, onde diferenciei conteúdos, recursos e avaliações. Por exemplo, em uma determinada atividade, onde a turma descrevia um percurso com instruções de ângulo (gire 90º à direita), os alunos que ainda não tinham alcançado esse objetivo traçavam um trajeto com ordens e comandos dirigidos. No final do projeto elaborei provas, com desafios distintos, respeitando o ritmo de cada um. Assim, pude verificar o quanto numa classe regular todos conseguem avançar.

Em outubro de 2009, o projeto foi selecionado pela fundação Victor Civita e eu recebi o Prêmio Educadora Nota 10, por fazer com que todos os meus alunos avançassem no seu processo de aprendizagem, fugindo das abordagens clássicas do conteúdo e do mito que inclusão é só socialização.

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