9 brincadeiras inclusivas para propor às crianças na escola
Atividades lúdicas ajudam a fortalecer vínculos, ampliar formas de expressão e garantir a participação de todas as crianças, seja na Educação Infantil ou nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental

Brincar é um dos primeiros meios das crianças estarem, se desenvolverem, aprenderem e se relacionarem com o mundo. Não por acaso, o Dia Mundial do Brincar, celebrado em 28 de maio, convida a sociedade a refletir sobre a importância dessa experiência para a infância. Afinal, é por meio das brincadeiras que surgem movimentos, expressões, vínculos, descobertas, imaginação, trocas e experiências que ajudam a construir a identidade e o sentimento de pertencimento. Mais do que passatempo, brincar é um direito garantido por inúmeras leis — como a Constituição Federal, a Convenção sobre os Direitos da Criança e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) —, e deve ser assegurado a todas as crianças.
Além de ser eixo e um dos seis direitos de aprendizagem propostos pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) da Educação Infantil, o brincar é a principal linguagem de comunicação da criança, de interação com o mundo, de constituição de relacionamento e também da identidade, segundo Giscarla Dantas, doutora e mestra em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano, pesquisadora na área do Brincar, Cultura Lúdica e Espaços urbanos.
“As crianças brincam naturalmente e o brincar deve ser respeitado como direito para todos. Quando pensamos nessa atividade como linguagem, como forma de ser e de estar no mundo, a gente entende que o brincar possibilita conexões para o desenvolvimento, para a aprendizagem e para satisfação”, afirma ela, que também atua como consultora educacional em redes públicas e particulares de ensino.
Por isso, de acordo com Giscarla, é fundamental que os educadores estejam sempre atentos na hora de propor brincadeiras para que as propostas incluam toda a turma. “Quando uma barreira aparece, por exemplo, na hora do pega-pega, é preciso criar possibilidades para incluir todas as crianças. Não precisa ser a regra do pega-pega de correr. Podemos mudar as regras e criar novas variações”, exemplifica.
A especialista em Gestão Educacional do Instituto Rodrigo Mendes (IRM), Deigles Amaro, lembra que o brincar deve ser sempre inclusivo. “Para isso, precisamos considerar os diferentes modos de se movimentar, se expressar, sentir, pensar e agir das crianças com as quais nos relacionamos. Os adultos precisam criar contextos que respeitem cada criança e o grupo a qual fazem parte, trazendo a experiência da plena participação, inteireza e ludicidade no brincar”, sugere a educadora.
Nessa mesma linha, Giscarla reforça que a deficiência não pode ser vista como um impedimento para promover brincadeiras. “Devemos sempre criar possibilidades de incluir, de quebrar um padrão ou uma regra para que todos possam desfrutar dessa ludicidade, afinal o brincar é universal: não tem idioma, cor, raça, forma”.
Kátia Paixão, doutora em Educação com ênfase em Educação Especial e experiência em práticas pedagógicas inclusivas, acrescenta que “a participação de crianças com deficiência em jogos e brincadeiras, possibilita a sua inserção em um universo simbólico que amplia sua forma de compreensão e atuação no mundo, o que contribui para o seu desenvolvimento, pois mobiliza, de modo articulado, linguagem, imaginação, pensamento, movimento e interação social”.
Dicas de materiais que facilitam a inclusão
O brincar inclusivo não implica, necessariamente, em brinquedos e materiais caros. Ao contrário. Geralmente, as brincadeiras se tornam acessíveis por meio de adequações simples e pelo uso de materiais baratos e facilmente encontrados. Veja, a seguir, uma lista de alguns deles:
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Com informações do “Guia do brincar inclusivo”, publicado pelo Unicef em parceria com a organização Sesame Workshop.
A seguir, reunimos brincadeiras inclusivas que podem ser propostas com crianças da Educação Infantil e alunos dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, conforme as características de cada grupo e ajudam a transformar o brincar em uma experiência de participação, escuta e pertencimento para todos.

Batata Quente Musical
Quem indica e porquê
Giscarla Dantas, doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano e pesquisadora na área do brincar, cultura lúdica e espaços urbanos.
“Ao eliminar a competição e valorizar a participação de todos, essa brincadeira fortalece a convivência, promove a inclusão e transforma a brincadeira em uma experiência de cooperação e pertencimento.”
Como fazer
As crianças ficam em roda e passam uma bola macia, uma pelúcia, almofada ou outro objeto escolhido pelo grupo, enquanto uma música toca. Quando a música parar, a criança que estiver com a “batata quente” participa de um desafio divertido e acessível a todos, como:
- Fazer um gesto para os colegas imitarem;
- Escolher uma brincadeira de movimento para o grupo realizar;
- Dizer uma palavra sobre amizade, alegria ou brincadeira;
- Fazer uma expressão facial para os colegas copiarem;
- Mostrar ou apontar uma imagem de sentimento positivo;
- Escolher uma música ou cantiga para todos cantarem juntos.
O objetivo não é eliminar participantes. Todas as crianças permanecem na brincadeira até o final, garantindo que todos tenham a oportunidade de participar.
Objetivos
- Promover a inclusão e a participação de todas as crianças;
- Desenvolver a atenção, a coordenação motora e a interação social;
- Estimular a expressão corporal, oral e emocional;
- Fortalecer o respeito às diferenças e o sentimento de pertencimento ao grupo.
Faixa-etária indicada
Crianças de 3 a 10 anos (com adequações de acordo com as características da turma.

Teia da Amizade
Quem indica e porquê
Giscarla Dantas
“A Teia da Amizade ajuda as crianças a perceberem, de forma concreta e lúdica, que cada pessoa é importante para o grupo, fortalecendo vínculos, empatia e a vivência de protagonismo.”
Como fazer
As crianças ficam sentadas ou em pé, formando um círculo. O educador inicia segurando um novelo de lã ou barbante (este pode ter um guizo ou outro material que emita um som), diz uma qualidade, um sentimento ou algo positivo, por exemplo: “gosto de ajudar os amigos”. Em seguida, passa o novelo para outra criança, mantendo uma ponta do fio em sua mão. Não precisa ser a criança que está ao seu lado, pode “jogar” o novelo para longe, formando uma teia, inclusive, com o auxílio de outro colega, se necessário
A brincadeira continua até que todos participem, formando uma grande teia. Ao final, o grupo observa como todos estão conectados. Pode haver uma reflexão sobre a importância de todos sermos diferentes e ainda assim estarmos igualmente unidos pela teia da amizade com participação e cooperação.
Objetivos
- Fortalecer os vínculos entre as crianças;
- Desenvolver a escuta e a comunicação;
- Promover o sentimento de pertencimento ao grupo;
- Garantir a participação de todas as crianças, respeitando diferentes formas de expressão.
Faixa-etária indicada
Crianças de 3 a 10 anos (com adequações conforme a idade e características da turma).

Siga o mestre dançando
Quem indica e porquê
Silvana Augusto, assessora pedagógica para redes municipais de Educação Infantil e professora do Instituto Singularidades
“A dança contemporânea, por si só, já é uma experiência inclusiva excelente para crianças. Como ela não se organiza por meio de coreografias prontas, passos pré-definidos e movimentos tecnicamente repetitivos, permite que todos os corpos se expressem. Na brincadeira de “siga o mestre que dança”, as crianças podem se experimentar em seus próprios corpos, sem exigência de desempenho motor, mas com expressividade. Ao mesmo tempo, permite explorar os gestos dos outros, independente de suas posições. Gestos de braços, mãos, dedos, olhos. Ao se experimentarem em diferentes gestos e movimentos, as crianças também passam a conhecer a potência expressiva de todos, favorecendo a sensibilidade e empatia nas relações intersubjetivas.”
Como fazer
As crianças se posicionam da maneira mais confortável possível, respeitando os diferentes corpos: sentados no chão, na cadeira, em pé, etc. Uma criança sorteada inicia a brincadeira fazendo um gesto ou movimento ao som de uma música instrumental. Todas as demais crianças precisam imitar a primeira, durante o tempo da música, até que a professora pause. Nesse momento, a criança eleita como mestre escolhe outra para ser o próximo mestre e assim por diante, até que todas tenham sido mestre uma vez. Quando todas já tiverem passado pela experiência de comandar o movimento, a professora propõe que todas dancem, simultaneamente, cada uma reproduzindo o seu gesto ou movimento, simultaneamente, até o fim da música.
Depois da brincadeira a professora pode propor uma conversa sobre a experiência, o que foi fácil e difícil para cada criança, como elas se sentiram comandando seu movimento e imitando o movimento do outro. A professora pode chamar a atenção para a consciência da diversidade, lembrando que todos os corpos se expressam e dançam. Para encerrar, a turma pode assistir a um vídeo da Cia Dança sem Fronteiras.
Objetivos
- Apresentar a dança contemporânea e suas diferenças em relação ao balé clássico;
- Sensibilizar as crianças para as diferenças entre os corpos;
- Ampliar o olhar e a sensibilidade das crianças para a dança contemporânea;
- Favorecer os vínculos entre as crianças;
- Criar contextos para a experiência da empatia;
- Favorecer a afirmação das identidades das crianças por meio dos limites e potencias de seus corpos;
- Fortalecer o sentimento de pertencimento ao grupo;
- Contribuir para o debate de gênero na infância, desconstruindo padrões estereotipados de atividades para meninos e meninas, afinal, todo mundo dança.
Faixa-etária indicada
Crianças de 4 a 7 anos (com adequações conforme a idade e características da turma).

Teatro de Sombras
Quem indica e porquê
Kátia Paixão, doutora em Educação com ênfase em Educação Especial com vasta atuação no Atendimento Educacional Especializado (AEE)
“As experiências com luzes, sombras e contrastes ampliam as possibilidades de exploração sensorial, imaginação e criação, favorecendo que cada criança atribua sentidos próprios às situações vividas, aspecto central para a constituição das funções psicológicas superiores”.
Como fazer
Criar um ambiente com música calma e brincadeiras livres dentro do universo do Teatro das Sombras, podendo ter uma introdução com contação de história.
Objetivos
- Fomentar a curiosidade, a imaginação e a criatividade, valorizando a iniciativa da criança na descoberta dos efeitos provocados pela manipulação da luz;
- Estimular a produção de narrativas e o desenvolvimento da linguagem.
- Desenvolver a percepção visual e espacial das crianças por meio da exploração de contrastes, formas e movimentos produzidos com o uso de luzes e sombras, favorecendo a ampliação das experiências sensoriais e imagéticas.
Faixa-etária indicada
Crianças de 3 a 8 anos (com adequações de acordo com as características da turma).

Água como experimentação sensorial
Quem indica e porquê
Katia Paixão
“Os estímulos com água podem ser extremamente benéficos em momentos de regulação sensorial, já que está ligado a diversas propriedades que a água oferece: como uma variedade de texturas e temperaturas que podem ser exploradas, ou até mesmo, para crianças que preferem apenas o barulho da água, ou a pressão que se sente ao se imergir, o movimento da água, entre muitas outras experiências que podem ser proporcionadas à criança”.
▸Som na água
Como fazer
Com o intuito de explorar os estímulos sonoros da água, prepare uma bacia com água e alguns objetos diferentes. Convide as crianças a agitarem ou baterem os objetos na superfície ou no fundo da água para obterem diferentes sensações e pressões corporais.
▸Objetos que mudam na água
Como fazer
Para explorar as diversas propriedades da água, estimule as crianças a mergulharem objetos que possuem alterações ao serem molhados, como algodões, papéis, penas, entre outros.
▸Regadores
Como fazer
O fluxo da água distribuído de forma igual nos buraquinhos de um regador pode ter uma influência positiva ao ser observado pela criança. Também pode-se explorar a sensação da pressão fluída e calma da água sobre si e sobre outras superfícies, podendo oportunizar que a criança regue plantas, molhe a si mesma, algum brinquedo e outros objetos.
▸Bolsas sensoriais
Como fazer
Para as crianças que preferirem não ter contato direto com a água, podem ser utilizados brinquedos sensoriais vedados. As bolsas sensoriais podem ser feitas com gel, água ou álcool em gel para proporcionar diferentes texturas, além de conter adereços lúdicos que chamem a atenção das crianças e as convidem ao toque, como bolinhas, glitter ou estrelinhas.
▸Baldes d’água
Como fazer
Montar espaços com baldes d’água de temperaturas diferentes para que as crianças possam explorar as infinitas formas de manuseio da água, seja mergulhando objetos ou colocando as mãos, sentindo o balanço da água ao entrar em contato com outro corpo, além da pressão ao estar em contato com alguma parte do corpo embaixo d’água.
O que levar em consideração na hora de oferecer brinquedos
Oferecer objetos acessíveis, muitas vezes, depende de adequações simples e de criatividade.
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Com informações do “Guia do brincar inclusivo”, publicado pelo Unicef em parceria com a organização Sesame Workshop.
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Amei as brincadeiras! Bem significativas e inovadoras.