13 séries para pensar a deficiência como potência

Convidados pelo DIVERSA, pessoas com deficiência indicam séries que rompem com o discurso da superação e mostram a deficiência para além do estereótipo

Cena da série Special mostra um grupo diverso de pessoas sorridentes em um baile de formatura ou festa festiva, iluminado por luzes roxas e azuis. A produção é uma das 13 séries com pessoas com deficiência indicadas por especialistas no texto.
Cena da segunda temporada da série Special, uma das 13 séries de pessoas com deficiência listadas nesta matéria. Foto: Beth Dubber/Netflix

Assim como os filmes, as séries com pessoas com deficiência podem contribuir para ampliar a presença desses indivíduos nas telas e, principalmente, para questionar as formas como esses corpos e suas experiências são representados. Quando essas narrativas se afastam de estereótipos capacitistas, ajudam a mostrar pessoas com deficiência em diferentes papéis, relações e contextos, não apenas a partir da deficiência.

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Séries com pessoas com deficiência podem contribuir para construir narrativas mais diversas e romper com perspectivas que historicamente associam a deficiência à superação, à fragilidade ou à excepcionalidade. 
 
Por isso, o DIVERSA convidou pessoas com deficiência ligadas à educação, à comunicação e ao audiovisual para indicar séries que ajudam a refletir sobre deficiência, representatividade e capacitismo. A lista conta, ainda, com uma indicação de Augusto Galery, coordenador de gestão educacional do Instituto Rodrigo Mendes (IRM).  

A seguir, confira as séries com pessoas com deficiência escolhidas por nossos entrevistados e os motivos que fazem de cada uma delas uma oportunidade para ampliar o olhar sobre a deficiência.

Pôster com a frase "Ninguém me domina" em letras brancas na parte inferior, sobre um gramado verde. Ao fundo, em uma área ao ar livre próxima ao mar e com encostas rochosas, dois homens conversam sorrindo. O homem à direita está sentado em um triciclo adaptado de rodas grandes, vestindo capacete amarelo e preto, óculos escuros e equipamentos de voo livre ou salto. O homem à esquerda está ajoelhado no gramado ao lado dele, usando camiseta amarela, óculos escuros e bigode. “Ninguém me domina”
Criação/Direção: Daniel Gonçalves 

Ano: 2025 
País: Brasil 
Onde assistir: Globoplay 
Sinopse: série documental sobre paratletas que desafiam limites no Brasil e no mundo, mostrando que superação é ir além de qualquer barreira. 
Quem indica: Daniel Gonçalves, diretor e produtor audiovisual

Por que vale assistir? 
“É uma série com pessoas com deficiência que praticam esportes de ação, mas numa abordagem que foge do estereótipo da superação ou do super-herói. Um diretor ou diretora sem deficiência jamais teria a abordagem que eu tive, porque o discurso da superação ligado a atletas com deficiência é muito presente no senso comum. A importância de ter um diretor com deficiência é justamente trazer esse outro olhar, que não estereotipa os personagens, e provocar o espectador para uma mudança na forma de perceber o esporte e os atletas paralímpicos. Porque esse discurso do herói é uma forma muito capacitista. Assim como o coitadinho, ele também nos desumaniza.”

Pôster da série "Justiça 2", da Globoplay. O cartaz é dividido verticalmente em três seções: no topo, um retrato em close-up de um homem calvo de barba grisalha olhando seriamente para a frente; no meio, uma faixa azulada mostrando quatro pessoas alinhadas como em uma delegacia; e na base, o rosto em close-up de uma jovem mulher de cabelos escuros e olhar firme. O título "Justiça 2" e o logotipo "original globoplay" aparecem em texto branco. “Justiça 2” 
Criação/Direção: Pedro Peregrino, Ricardo França, Mariana Betti 
Ano: 2024 
País: Brasil  
Onde assistir: Globoplay 
Sinopse: novas cidades, um novo dia. Quatro histórias independentes, mas interligadas, de pessoas com um ponto em comum: precisam retomar suas vidas após sete anos de prisão. 
Quem indica: Giovanni Venturini, ator 

Por que vale assistir? 
“A primeira série com pessoas com deficiência que indico é ‘Justiça 2’, da qual eu faço parte do elenco, mas não só por isso. O meu personagem sequer fala sobre o fato de ter nanismo, então, a escalação de um ator com nanismo para um personagem que não foi escrito com nanismo é muito importante para a gente não ficar taxado só nesse lugar de falar sobre a nossa deficiência, mas poder interpretar qualquer papel. Além disso, tem a presença de outra pessoa com deficiência, que é o Luciano Mauman, interpretando o Cassiano. A série também utilizou tecnologia e recursos de inteligência artificial para fazer o personagem do Cassiano andar em uma cena de flashback. Ou seja, não utilizou a desculpa de que teria uma cena de flashback caminhando para escalar um ator sem deficiência para interpretar um cadeirante, mas se preocupou em escalar um ator cadeirante para interpretar um personagem cadeirante. Destaco a série pela presença de dois corpos com deficiência dentro da mesma trama.

“Pulso” 
Criação/Direção: Kate Dennis 
Ano: 2025 
País: Estados Unidos 
Onde assistir: Netflix 
Sinopse: a trama se passa no pronto-socorro de um movimentado centro de trauma em Miami, acompanhando a rotina caótica da equipe enquanto um forte furacão atinge a cidade. 
Quem indica: Karla Garcia Luiz, especialista em Educação Especial e doutora em psicologia social pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Por que vale assistir? 
Recomendo ‘Pulso’ por alguns motivos. O primeiro deles é porque a personagem realmente é uma pessoa com deficiência na vida real. Segundo, porque a personagem com deficiência é irmã da protagonista e a condição física não é o foco da série, mas também não é invisibilizada. Em alguns episódiosmostra situações de capacitismo. E, por últimoporque a personagem é uma médica e é interessante ver como uma pessoa com deficiência pode exercer essa profissão em um contexto de pronto-socorro.

Pôster da série original Netflix "Special". Um homem de óculos e suéter amarelo está deitado de costas em um gramado repleto de flores amarelas e brancas. Ele segura as mãos perto das orelhas e sorri abertamente olhando para cima. Na parte superior, lê-se "Special" em letras brancas grandes, seguido do logotipo da Netflix . “Special
Criação/Direção: Anna Dokoza 
Ano: 2019 
País: Estados Unidos 
Onde assistir: Netflix 
Sinopse: a série acompanha um jovem gay com paralisia cerebral que decide recomeçar a vida e buscar maior independência, incluindo conquistar seu primeiro emprego, morar sozinho e viver relacionamentos, abordando com humor questões relacionadas à deficiência, autonomia, identidade e relacionamentos. 
Quem indica: Giovanni Venturini

Por que vale assistir? 
“Minha segunda sugestão de séries com pessoas com deficiência é ‘Special’, do Ryan O’Connell, que, além de ator protagonista da série, é também o roteirista. Então, isso é muito importante para mostrar o lugar de representatividade não só na frente das telas, mas também atrás, de quem está contando essa história. E a gente percebe muito bem isso no roteiro, como ele foi escrito a partir do corpo de uma pessoa com deficiência. E é muito bonito como ele coloca o humor dentro dessa série, como tem um humor para lidar com assuntos que muitas vezes são tabus.”

Pôster da temporada final da série "Atypical". Um jovem de camiseta verde e fones de ouvido no pescoço está sentado no chão, encostado em um vidro de aquário, olhando para trás de forma pensativa. Do outro lado do vidro, dentro da água azul, um pinguim nada suavemente. “Atypical”
Criação/Direção: Seth Gordon 

Ano: 2017 
País: Estados Unidos 
Onde assistir: Netflix 
Sinopse: Sam é um jovem autista de 18 anos que está em busca de sua própria independência. Nessa jornada repleta de desafios, mas que rende algumas boas risadas, ele e sua família aprendem a lidar com as dificuldades da vida e descobrem que o significado de “ser uma pessoa normal” não é tão óbvio assim. 
Quem indica: Leonardo Salomão, professor de história, palestrante e autista  

Por que vale assistir?
“Ela me faz pensar que a representatividade acontece quando mostra alguém que não é reduzido ao diagnóstico, mas à vida que tenta construir para além dele. Existe potência no cotidiano nessa série: autonomia, vínculos, tentativas de pertencimento. Fico encantado quando a série mostra que representatividade é um processo em construção, não algo fechado. E é por isso que, às vezes, meu coração sorri e se enche de esperança quando vejo isso. É uma série que conversa com você e diz: ‘Coisas ruins podem acontecer, mas também é possível desfrutar alguns momentos dessa experiência de ser humano e se alegrar junto às pessoas que nos amam’.” 

Pôster da série brasileira "3%". Quatro personagens caminham por uma estrada de terra que divide dois cenários contrastantes: à esquerda, uma praia paradisíaca; à direita, uma favela urbana degradada. Uma mulher de macacão rosa claro caminha à frente ao lado de um homem com jaqueta laranja e cachecol; atrás deles, um homem de camiseta branca e outro homem em uma cadeira de rodas adaptada. Acima, o título "3%" aparece em grandes letras metálicas com textura rústica. “3%” 
Criação/Direção: César Charlone  
Ano: 2016 
País: Brasil 
Onde assistir: Netflix 
Sinopse: em um futuro no qual a elite vive no conforto do Maralto, todos os jovens de 20 anos passam por um processo seletivo para viver lá. Mas só 3% serão aprovados.  
Quem indica: Karla Luiz

Por que vale assistir? 
Indico 3%” porque é uma série que faz questionar temas como meritocracia, exclusão, desigualdade social e eugenia.

Pôster da série "Divisão Palermo". Um homem jovem de cabelo curto escuro e barba olha para a frente com expressão séria sobre um fundo azul-claro. Ele veste uma camisa polo azul com detalhes em laranja e o brasão da equipe. À esquerda, uma mão segura uma arma apontada para a cabeça do homem, mas do cano saem confetes dourados brilhantes em vez de uma bala, espalhando-se ao redor. Na parte inferior central, lê-se o título "DIVISÃO PALERMO" em letras maiúsculas laranjas. “Divisão Palermo”
Criação/Direção: Santiago Korovsky 

Ano: 2023 
País: Argentina 
Onde assistir: Netflix 
Sinopse: criada para melhorar a imagem da polícia, uma equipe de patrulheiros civis acaba colocando a vida em risco ao enfrentar um grupo de criminosos.  
Quem indica: Giovanni Venturini 

Por que vale assistir? 
“Indico também ‘Divisão Palermo’, série argentina que, tanto na primeira temporada quanto na segunda, conta com muitos atores com deficiências diversas dentro do elenco, trazendo uma representatividade bem ampla e abordando, de uma forma também muito bem-humorada, com o humor típico argentino, temas sobre deficiência.”

Pôster da novela "Todas as Flores". Em um fundo magenta escuro ornamentado com pétalas de orquídea rosa, aparecem quatro mulheres em destaque. Em primeiro plano, à direita, uma mulher jovem de cabelos cacheados e castanhos; à esquerda, uma mulher loira de cabelos ondulados. Logo atrás, centralizadas, estão uma mulher de cabelo curto e estiloso e uma mulher negra de cabelo afro. Na parte inferior, o título "todas as flores" aparece em letras brancas elegantes, acompanhado por sua tradução em Braille logo abaixo. Todas as flores 
Criação/Direção: Carlos Araújo 
Ano: 2022 
País: Brasil 
Onde assistir: Globoplay 
Sinopse: Maíra, uma jovem cega, será usada pela mãe para doar a medula para a irmã. O que seria um recomeço feliz vira uma tensa jornada de sobrevivência. 
Quem indica: Guilherme Chadide, consultor e palestrante sobre diversidade e inclusão

Por que vale assistir? 
“Além de contar com uma boa audiodescrição, essa é uma série em que a personagem principal é uma moça cega. Embora a atriz que interpreta a personagem não seja uma pessoa com deficiência na vida real, a série não mostra a cegueira como tema central. Tem vários enredos interessantes que ajudam a contar essa história, mostrando toda a potência da personagem principal trabalhando, se desenvolvendo e construindo a família dela.”  

Pôster da série "The Good Doctor". Um homem jovem de pele clara, cabelos escuros e olhos azuis vibrantes aparece em destaque. Na parte inferior, há o título "the GoodDoctor" em azul, com informações da estreia da série e o logotipo do canal ABC. The Good Doctor  
Criação/Direção: David Shore 
Ano: 2013 
País: Estados Unidos 
Onde assistir: Netflix e Globo play 
Sinopse: Shaun Murphy, um jovem cirurgião com autismo e síndrome de Savant, é recrutado na unidade cirúrgica de um hospital de prestígio. 
Quem indica: Leonardo Salomão, professor de história, palestrante e autista  

Por que vale assistir? 
“Essa série traz uma ideia de potência muito ligada à performance e ao raciocínio técnicoIsso pode inspirar, mas também limita, e, por issoprecisamos ter muito cuidado. A representatividade fica mais completa quando a gente entende que diferentes formas de pensar e perceber o mundo não precisam ser comparadas a um padrão de excelênciaInclusão é um lugar onde ninguém precisa se esforçar para ser reconhecido como ser humano. E ver alguém com a mesma condição que a minha conseguir ser respeitado no trabalho ee valorizado em suas potencialidades me faz acreditar queapesar de a realidade ser dolorosa, é possível chegar perto dessa experiência.”  

Pôster da série documental da Netflix "The Dinosaurs". A imagem é dividida pelo nível da água do mar: acima, veem-se as enormes pernas escamosas de um dinossauro e montanhas ao fundo; abaixo da superfície, na água azul-escura, um tubarão nada entre as pernas gigantes do réptil pré-histórico. No centro, constam o título "The Dinosaurs", o logotipo da Netflix em vermelho e a data de estreia em branco "6 de março". “Os Dinossauros”
Criação/Direção: Dan Tapster 

Ano: 2026 
País: Estados Unidos 
Onde assistir: Netflix  
Sinopse: produzida por Steven Spielberg, essa série documental explora a jornada evolutiva dos dinossauros, desvendando suas origens, importância ecológica, diversificação e eventual extinção. 
Quem indica: Neyara Rebeca Barroso Lima, mestre e doutoranda em linguística aplicada pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), professora de italiano e consultora em audiodescrição e acessibilidade.   

Por que vale assistir? 
“Apesar de não ser uma série com pessoas com deficiência, ´Os Dinossauros´ é uma série documental que tem sons maravilhosos. Eles fizeram um trabalho de reprodução incrível e é uma série com audiodescrição. A narração da dublagem é espetacular, uma voz muito agradável de se ouvir. Para quem é das antigas e assistiu 24 Horas, é o mesmo dublador que dublava o Jack Bauer. Então, para mim, existe também essa memória afetiva. Não é a voz da audiodescritora, que é uma mulher, então, não se confunde com a dublagem, que é feita por um homem, e fica bem equilibrado. Ao assisti-la, consegui imaginar as cenas a partir das descrições dela. Não é uma audiodescrição cansativa, que rouba todo o som do áudio original, ou seja, do que está acontecendo ao redor, mas que nos permite formar também a imagem dos dinossauros. Como eu amo dinossauros, para mim, é uma série que vale muito a pena ser assistida.”

Pôster da série "The Big Bang Theory". Os sete personagens principais estão posados ao redor de um sofá de couro marrom sobre um tapete estampado e fundo azul-claro. No sofá estão sentados, da esquerda para a direita, uma mulher loira de vestido, um homem de camiseta azul com o número 5, e outro homem vestindo xadrez e óculos 3D segurando um notebook. Atrás do sofá, em pé, estão outros quatro personagens sorrindo. No topo, o título da série sob um símbolo atômico estilizado. “The Big Bang Theory”
Criação/Direção: Chuck Lorre e Bill Prady 

Ano: 2007 
País: Estados Unidos 
Onde assistir: HBO Max e Amazon Prime Video  
Sinopse: uma mulher se muda para um apartamento do outro lado do corredor perto de dois físicos brilhantes, mas socialmente desajeitados, e lhes mostra quão pouco sabem sobre a vida fora do laboratório. 
Quem indica: Leonardo Salomão, professor de história, palestrante e autista  

Por que vale assistir? 
“Mesmo sem afirmar oficialmente que Sheldon Cooper tenha TEA, a série acabou gerando identificação em muitas pessoas. Apesar do humor e de alguns exageros, existe ali a ideia de uma vida possível: trabalho, vínculos, rotina e relações. Isso pode ser lido como potência, no sentido de existir e sustentar um modo próprio de estar no mundo. Ele consegue construir amizades e relacionamentos que dizem, sem precisar de palavras. A possibilidade de ser autêntico me faz acreditar em um tipo de afeto nas relações sociais no qual eu posso ser eu mesmo e conseguir ser visto.

Pôster da série "All Her Fault". A imagem é uma colagem em tom azul-acinzentado composta por recortes retangulares dos rostos dos personagens principais. O destaque principal é o rosto de uma mulher com olhar apreensivo no canto inferior esquerdo. Ao redor, há trechos dos rostos de outros homens e mulheres. O título "All Her Fault" aparece em letras brancas grandes vazadas entre os recortes. “Tudo Culpa Dela” 
Criação/Direção: Megan Gallagher  
Ano: 2025 
País: Estados Unidos/Austrália 
Onde assistir: Amazon Prime Video 
Sinopse: Marissa Irvine chega ao número 14 da Arthur Avenue para buscar seu filho Milo em um encontro para brincar, mas a mulher que atende não está com ele, o que dá início a um pesadelo.
Quem indicaJoão Avelino, formado em Psicologia na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC, mestre em Psicologia Social pela mesma instituição, consultor e assessor de acessibilidade e inclusão.

Por que vale assistir?
“Embora a série apresente a deficiência atravessada por situações bastante maradas pelo capacitismo, o personagem Brian Irvine, interpretado por Daniel Monks, traz uma discussão importante sobre autonomia e direito de escolha. Brian é uma pessoa com deficiência e é frequentemente hostilizado por sua forma de caminhar, além de ser violentamente pressionado a se submeter à reabilitação. Em determinado momento, porém, ele se revolta e passa a sustentar o próprio desejo: o de utilizar uma cadeira de rodas. A escolha deixa de ser apresentada como uma derrota e passa a ser compreendida como uma possibilidade de ter mais qualidade de vida, autonomia e agência sobre o próprio corpo. Acho interessante justamente porque a série permite pensar sobre quem decide o que é melhor para uma pessoa com deficiência. Nem sempre aquilo que é apresentado como ‘reabilitação’ ou como tentativa de aproximar o corpo de um determinado padrão significa, para aquela pessoa, mais liberdade. Às vezes, garantir autonomia é justamente possibilitar que ela escolha como quer viver e quais recursos fazem sentido para sua vida”.  

Pôster da série "Kaos", da Netflix. Uma composição circular no estilo de um afresco clássico emoldurado em ouro ornamentado. No centro inferior, um homem de terno azul reluzente e casaco estampado segura um raio brilhante na mão, rodeado por uma pomba branca. Ao redor dele, dispostos em círculo em várias posições e direções, estão outros personagens em cenários dramáticos, incluindo um homem com um tridente e charuto, flores, caveiras e céus tempestuosos. No centro, sobressai o título "KAOS" em letras grandes e douradas. “Kaos” 
Criação/Direção: Charlie Covell 

Ano: 2024 
País: Reino Unido/Estados Unidos 
Onde assistir: Netflix 
Sinopse: com a discórdia reinando no Monte Olimpo e o poderoso Zeus à beira da paranoia, três mortais estão destinados a mudar o futuro da humanidade. 
Quem indica: Augusto Galery 

Por que vale assistir? 
“Na série, que retoma os mitos e deuses da mitologia grega, temos o personagem Dédalo. Pai de Ícaro, é retratado na série como um gênio, inventor e artesão. Esse personagem brilhante é interpretado pelo também genial Mat Fraser, ator, músico, escritor que nasceu com má-formação nos braços devido aos efeitos do medicamento Talidomida (hoje proibido em todo o mundo). Ele também é um importante ativista pelos direitos das pessoas com deficiência. A beleza da série está na naturalidade com que a diversidade é apresentada, na qual ninguém questiona ‘mas como pode uma pessoa com deficiência ser um excelente artesão?’. O personagem não tem de se provar heroico por ter uma deficiência. Não há diálogos do tipo ‘Que inspiração para quem não tem deficiência!‘. Dédalo apenas é junto com seus pares.”

 

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