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Práticas realizadas durante a pandemia incentivam educação para todos

Em evento on-line, palestrantes falam sobre estratégias pedagógicas inclusivas que apoiam os estudantes durante e após o período de ensino remoto

Por Juliana Delgado

Como um evento paralelo à 14ª sessão da Conference of States Parties to the Convention on the Rights of Persons with Disabilities (“Conferência dos Estados Partes da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência”, em português), a Zero Project Conference reuniu, de forma virtual, diversos especialistas em inclusão para palestrar sobre o tema “Desenvolvendo um Ecossistema para Inclusão na Educação”.

O painel enfocou o “ecossistema” necessário para uma educação inclusiva de fato, destacando parcerias e infraestruturas necessárias para a acessibilidade, bem como a necessidade de entender a deficiência como uma parte legítima da diversidade humana.

De acordo com a Zero Project, muitos sistemas educacionais são binários – ou seja, ao mesmo tempo em que há escolas comuns que oferecem salas de aula inclusivas, com alunos com e sem deficiência aprendendo juntos, há escolas em que as salas são exclusivamente de educação especial, não permitindo que as crianças tenham um ambiente em que a diversidade colabore com o desenvolvimento de todos.

Em quadra esportiva, seis estudantes uniformizados formam círculo enquanto dão as mãos. Há uma menina e um menino sentados, a menina está em cadeira de rodas. Fim da descrição.
Foto: Leonne Sá Fontes. Fonte: Instituto Rodrigo Mendes.

Acreditar nas possibilidades de todos

O Professor Michael Stein, diretor executivo do Projeto da Escola de Direito de Harvard sobre Deficiência, foi moderador do evento. Como palestrantes, participaram Yoav Kraiem, vice-diretor da Unidade de Desenvolvimento Comunitário e Mudança Social de Beit Issie Shapiro, em Israel; Melissa Mendoza, membro do Projeto de Serviços para Educação Especial e Centro de Análise Política da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos; Deborah Gleason, diretora da Escola Perkins para Cegos, nos Estados Unidos; e Wilfried Kainz, chefe de pesquisa da Zero Project, na Áustria.

A discussão foi pautada pelo artigo 24 da Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência (CDPD), que assegura aos estudantes com deficiência um sistema educacional inclusivo em todos os níveis de escolaridade, e alguns projetos que apoiam uma educação de qualidade para estudantes com e sem deficiência foram apresentados.

Para Deborah Gleason, muito além de ter estudantes com deficiência na sala comum, é necessário acreditar nas possibilidades de cada um: “Toda criança pode aprender e é um membro valioso da escola, da família e da comunidade”.

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Yoav Kraiem e os demais participantes citaram, ainda, a essencial participação da família e a criação de comunidades e culturas inclusivas apoiadoras do processo de ensino-aprendizagem, contando com pais, mães e responsáveis, equipe escolar e estudantes. De acordo com os especialistas, essa questão foi muito acentuada durante o ensino remoto ocasionado pela pandemia da covid-19:

“O mais importante que devemos levar não é somente sobre aprendizado, é sobre entender a criança, a família e os acompanhantes. Precisamos fortalecer as comunidades do entorno. Eles precisam ter com quem falar para os apoiar e para que eles não estejam sozinhos com suas questões, porque eu acredito que a solidão é o maior problema, não é a deficiência e nem a barreira de acessibilidade.”

Aprendizados sobre inclusão na pandemia

Além de uma relação mais próxima da escola com a família dos estudantes, com a necessidade de se reinventar e replanejar o ensino para disponibilizar aulas a distância, diversas boas práticas e estratégias pedagógicas podem ser destacadas em escolas do mundo todo.

Melissa Mendoza apresentou uma pesquisa realizada com profissionais de diferentes áreas e familiares de 24 distritos dos Estados Unidos. O objetivo era entender os desafios e aprendizados durante a pandemia que podem ser levados em consideração para possíveis mudanças na estrutura das escolas em um cenário de ensino híbrido e na volta das aulas presenciais.

Foi descoberto que a maioria dos modelos instrucionais utilizados nas regiões entrevistadas incluíram estratégias de educação “compensatória”, para minimizar prejuízos e possíveis regressos na educação dos estudantes, e adaptações do plano de educação a distância disponibilizado inicialmente pelo governo, que em sua maior parte desenvolveram planos educacionais individualizados.

Manter o estudante como centro do trabalho e disponibilizar práticas flexíveis e responsivas a cada estudante, bem como currículo e comunicação apropriados, foram imprescindíveis nos casos de sucesso que podem ser levados em conta em um cenário pós-pandemia, como afirma Deborah.

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Tecnologia e educação

Além dos diferentes métodos de ensino que os educadores desenvolveram, um ponto que não pode ser deixado de lado é o uso da tecnologia como aliada da educação.

Embora existam barreiras de acessibilidade e conectividade, que foram acentuadas nesse período, Wilfried alega que a tecnologia não deve apenas ser criticada: “Ainda há muitas questões técnicas que precisamos resolver se queremos ser realmente inclusivos quando se trata de tecnologia, mas os recursos de acessibilidade nos meios digitais ganharam mais atenção durante a pandemia.”

Segundo o pesquisador, os meios de comunicação fornecidos pela tecnologia possibilitaram, ainda, que o vínculo entre educadores e estudante/família fosse fortalecido como nunca antes, mesmo à distância, e isso deve ser continuado para garantir o bem-estar de todos, dentro e fora da escola.

Sobre a Zero Project Conference

Realizada desde 2009, a Conferência reúne centenas de especialistas para apresentar e debater soluções inovadoras que melhorem a vida de pessoas com deficiência. A cada ano, a rede de pesquisadores do projeto concentra suas investigações em temas específicos da Convenção sobre os direitos das pessoas com deficiência da ONU.

Por conta da pandemia, os eventos passaram a acontecer de forma on-line, mas com a mesma premissa de um mundo sem barreiras. A videoconferência ofereceu recursos de acessibilidade como janela com tradução para língua de sinais e legendas em tempo real.

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