Três atitudes sem as quais a inclusão não acontece

Nos Estados Unidos, as escolas e as turmas que recebem estudantes com deficiência têm acesso a diversos programas, materiais e suportes. Todos foram planejados e colocados em uso visando a promoção da aprendizagem e do êxito desses alunos. Contudo, nem todas essas ferramentas juntas são capazes de gerar grande impacto se não forem observados os seguintes princípios e atitudes em relação à inclusão:

• Concentração no indivíduo, em suas capacidades e em seu potencial – Esse é um ponto bem crítico para o qual a equipe pedagógica das escolas raramente dá a devida atenção. Nas reuniões, na sala dos professores, no pátio ou durante os encontros com pais e a comunidade, ouvem-se comentários insistentes sobre as carências e limitações dos estudantes com deficiência. O que fazemos diante dessas situações? Protestamos e neutralizamos essa visão unilateral, ressaltando os pontos fortes e as estratégias para melhorias, ou nos acovardamos e nos calamos? Estabelecemos as políticas que promovem o respeito à diversidade (ressaltando que a inclusão está na missão da escola, mencionando características positivas antes de relacionar os pontos nos quais necessita avançar, fomentando a sensibilização contínua para a deficiência, destacando continuamente as contribuições de pessoas com capacidades diferentes)? Ou deixamos que nossa inércia permita que alguns mantenham uma expectativa baixa em relação à aprendizagem dos alunos, deixando, assim, de se responsabilizar pelo êxito da inclusão?

• Construção de um relacionamento positivo e afetivo – Não é difícil ouvir histórias de insensibilidade em relação aos estudantes com deficiência. Muitos educadores ainda resistem seriamente à inclusão, negando, portanto, direitos civis básicos. Alguns aceitam os estudantes com deficiência em suas salas de aula, porém não interagem com eles com a dedicação necessária nem com o entusiasmo esperado. Há quem acredite que tratar a todos da mesma maneira é suficiente para que o aluno seja incluído. Esses professores, sem saber, estão promovendo a limitação das oportunidades, pois, restringindo-se ao tratamento “igual”, não se preocupam em oferecer as instalações adequadas – ou batalhar por elas – nem os serviços especializados necessários. O que fazemos? Protestamos e neutralizamos tal insensibilidade? Ou nos acovardamos e não fazemos nada? Desenvolvemos políticas que promovam relacionamentos positivos (minutas de descrição de trabalho com expectativas explícitas para incluir os estudantes, criação e monitoramento de interações apropriadas, identificação e utilização de apoios úteis)? Ou permitimos que a nossa passividade permita que alguns tratem os alunos com deficiência de maneira que eles se sintam indesejados, não suficientemente bons ou isolados?

• Determinação para ajudar os estudantes com deficiência a obterem excelentes resultados, no nível mais alto possível – Isso é, de fato, transformador. Frequentemente, testemunhamos as limitações causadas pelas baixas expectativas. Nós desafiamos os alunos com deficiência (seja qual for sua particularidade) para a leitura, a prática de exercícios e a interação com seus colegas, da forma mais independente possível? Ou nos acovardamos e seguimos conformados com um status quo inferior? Desenvolvemos políticas de formação continuada dos professores, estabelecendo padrões rigorosos para o aprendizado e participação, acompanhando o progresso do estudante, avaliando o desempenho do pessoal da escola e colaborando para melhorias contínuas? Ou nos conformamos com as conquistas mínimas e deixamos a equipe da escola pairar sob o disfarce de uma equivocada “amabilidade”?

Evidentemente, estudantes com deficiência que são incluídos na escola regular precisam ter a ajuda do pessoal de apoio. Também merecem professores experientes e habilidosos que possam identificar suas necessidades e implementar estratégias eficazes que promovam seu desenvolvimento. No entanto, a menos que possamos explicitar o nosso compromisso contínuo com esses princípios e atitudes, jamais iremos maximizar a aprendizagem e a participação. Em vez de profissionais competentes, nos tornaremos medíocres, débeis, permissivos, indiferentes e exclusivistas.

 

Bill Henderson foi diretor da Henderson Inclusion School, em Boston, Massachusetts (EUA).

©Instituto Rodrigo Mendes. Licença Creative Commons BY-NC-ND 2.5. A cópia, distribuição e transmissão dessa obra são livres, sob as seguintes condições: Você deve creditar a obra como de autoria de Bill Henderson e licenciada pelo Instituto Rodrigo MendesDIVERSA.

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