Rodrigo Victor Parreiras

Nesta escola, a presença de estudantes com deficiência não é comum e não vejo que a direção da escola crie dificuldades para o acesso e permanência desse público. Neste ano temos dois cadeirantes no período da manhã e um fato chamou a minha atenção: um estudante cadeirante com (distrofia – os movimentos de membros superiores também já estão prejudicados) que não participava das aulas de educação física, mesmo com os convites de sua professora.

Após uma reorganização das turmas, passei a ser professor dessa classe e tentei novamente convidá-lo a participar das aulas; logo no início ele me olhou como se tentasse dizer que ele não teria condições de participar das aulas, mas não dei atenção e ainda falei das “notas para passar de ano – em tom de brincadeira”. O acompanhante desse estudante contribuiu significativamente para os primeiros contatos na quadra entre o estudante e as atividades realizadas.

No início das atividades práticas ele ficava apenas observando, aos poucos ele foi se arriscando, mas dois fatos merecem destaque: interesse pelo futsal. “Realizando pequenos movimentos com os pés” e assumindo também a função de técnico de sua sala nas olimpíadas internas. Assim, os colegas passaram a sempre chamar a sua atenção para o jogo. Depois, e mais significativo, foi quando ele observou o outro cadeirante (de outra turma) jogando handebol com regras adaptadas e logo ele se incluiu na atividade.

“Incluí algumas regras do rugby em cadeira de rodas e limitei a ação dos adversários em relação a interceptar passes e lançamentos desse estudante. Lembrando que mesmo os movimentos de membros superiores estão limitados e que o acompanhante era responsável pelos deslocamentos com a cadeira.”

Em sua primeira participação conseguiu marcar gols e os colegas observaram que ele seria um jogador importante para o jogo, foram realizadas algumas adaptações durante as aulas seguintes para que as regras não o favorecessem, mas que deixasse o jogo equilibrado.

Durante os jogos das olimpíadas internas, os dois cadeirantes foram inscritos normalmente na modalidade handebol – cada um em sua turma de origem – sendo que um deles fez gols em uma partida “oficial”.

Com a introdução da bocha nas aulas, os estudantes cadeirantes ganharam destaque, principalmente porque os colegas observaram que eles podem competir entre eles sem barreiras (cadeiras de rodas) e o estudante que, inicialmente não queria participar das aulas, sempre está lá na quadra assim que o sinal indica a troca de turnos.

 

Participante do projeto Portas abertas para a inclusão – 2013

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