Reginalva Ribeiro da Silva Santos

O projeto “Vivenciando os Elementos da Cultura Corporal: incluindo e fazendo cultura” foi desenvolvido na Escola Cid Passos, nas turmas de Educação Infantil e no Ensino Fundamental.

A escola localiza-se no Subúrbio II, bairro de Coutos, e atende a um total de 451 alunos na faixa etária de 03 a 14 anos, os quais dispõem de pouca oportunidade de lazer e cultura. É composta por filhos de pais de classe média baixa, cuja renda familiar advém de atividades pesqueiras e do mercado informal, o que interfere na frequência dos alunos. Atualmente recebe a comunidade aos finais de semana no Projeto Escola Aberta; nesses dias são desenvolvidas diversas oficinas. Possui uma excelente estrutura física, dispondo de uma sala de Recurso Multifuncional. Vivencia uma gestão democrática que se expressa, entre outros, pela participação da comunidade escolar na definição dos seus rumos e pela valorização da formação permanente de seus profissionais.

O projeto foi desenvolvido com as professoras: Reginalva Santos, pós-graduada em Educação Especial, que já atua na área de educação há mais de 25 anos, dos quais há 05 anos já trabalha com a inclusão nas salas de aula comum, e Alda de Jesus, especialista em educação física, esporte e lazer na escola, contando com cerca de 5 anos de experiência em educação física inclusiva.

O projeto surgiu a partir do desafio de um maior envolvimento dos alunos com deficiências nas aulas de Educação Física, independentemente de suas necessidades, deficiências, origem cultural. A princípio enfrentamos algumas barreiras para a sua execução: as quadras não são cobertas, não tínhamos tatames, bolas de futebol, mas com empenho planejamos estratégias metodológicas, tais como alternâncias em dias de chuva, de horários devido a intensidade solar, empréstimo de tatames e improviso do material, que possibilitaram o desenvolvimento de suas habilidades e competências.

A base legal do projeto é a Política Nacional da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, especialmente nos aspectos garantidores do acesso de todos os alunos ao ensino regular e a política de educação inclusiva do Município de Salvador, que consiste, hoje, a implementação de 34 salas de recurso multifuncional, parcerias com Universidades para oferecimentos de cursos de AEE, Libras, Braille entre outros.

O objetivo do projeto foi “Oportunizar aos alunos a vivência dos elementos da cultura corporal (esportes, lutas e ginástica), por meio dos jogos e brincadeiras para contribuição do seu desenvolvimento cognitivo, afetivo e motor”, para o que contamos com a efetiva participação da gestão escolar, no apoio logístico, da família, que abraçou o projeto ao trazer seus filhos, principalmente àqueles com deficiência, e os professores das classes comuns, acompanhando suas turmas e dando suporte para a realização das vivências.

Foram planejadas as seguintes estratégias para a execução do projeto: Fazer o diagnóstico inicial sobre o que os alunos já conhecem dos elementos da cultura corporal, e o que eles podem realizar a partir do seu potencial; Dividir por etapas a vivência dos elementos da cultura corporal (esporte, lutas e ginástica) apresentando os jogos e brincadeiras como possibilidades metodológicas; Promover as vivências durante as aulas de educação física.

As atividades foram desenvolvidas no período de dois meses, utilizando os jogos e brincadeiras de suas preferências como ferramenta metodológica.

No primeiro momento, as turmas participaram de uma análise de conhecimento e interesse sobre os elementos da cultura corporal, o que possibilitou aos alunos compreenderem que mesmo nos pequenos grupos há uma grande variedade de conhecimento e interesses. Esse diagnóstico prévio foi fundamental para o desenvolvimento do projeto, pois ao considerarmos as ideias e os conhecimentos que os educandos já possuem sobre um objeto de estudo, garantimos que se efetive uma aprendizagem significativa acerca do mesmo.

A partir do diagnóstico, foram planejadas atividades que têm semelhanças com aqueles elementos.

O futebol forneceu elementos para duas atividades: “futepar”. Cada equipe foi composta por duplas, o que estimulou situações de cooperação e o trabalho em parceria. A 2ª, o futepar de “olhos vendados”, que consistiu em formar duplas, reunindo um aluno com alguma deficiência a outro sem deficiência, estando este de olhos vendados. Houve uma melhor interação entre ambos, e gerou a experiência de sentir como é a realização de atividades para os estudantes com deficiência visual.

O voleibol forneceu elementos para a brincadeira com “peteca” e para o “vôlei com lençol”. Este último favoreceu a interação e o respeito aos limites do outro.

No atletismo, vivenciaram a “corrida de obstáculo”, experimentando diferentes movimentos de sequência.

As lutas geraram atividades de “força e resistências tais como “guerra de polegares”, “mini sumô”, “cabo de guerra”, “pega, pregador”. Verificou-se grande progresso dos alunos, no que tange aos aspectos afetivos e sociais.

Na ginástica, contamos com o apoio de Aline Costa, professora de ginástica rítmica, que já desenvolve um projeto na escola. Desenvolveram-se atividades de corrida, saltos, rolamento e minicircuito. Essas atividades aperfeiçoaram a agilidade, o equilíbrio e o desenvolvimento corporal. 

A culminância do projeto deu-se com a apresentação dos vídeos contendo as vivências executadas pelos alunos e pelo minicampeonato de ginástica. Registre-se que uma das alunas, ficando nervosa durante a apresentação, deixou o tatame. As colegas, então, sensibilizadas com a situação, foram ao seu encontro e, numa demonstração de solidariedade e respeito, a trouxe de volta e reiniciou toda a série com a mesma. O gesto arrancou aplausos de todos os presentes.

Por tudo isso, que vivenciamos, é possível afirmar que os objetivos delineados inicialmente foram alcançados. As observações permanentes e os registros reflexivos foram as formas utilizadas para acompanhar a construção de conhecimentos, habilidades e atitudes por parte dos educandos. Foi possível constatar, no desenvolvimento das atitudes, que os alunos construíram competências referentes as atitudes de valorização das pessoas com deficiências e, sobretudo, aprenderam a estabelecer relações presididas pelo respeito, diálogo, responsabilidade, confiança e autonomia.

 

Por: Alda de Jesus e Reginalva Santos

Participantes do Portas Abertas para Inclusão – 2013

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