Nefertiti Alves de Sá

Projeto Educação Física sem Barreiras

O presente relato de experiência trata-se da exposição de práticas pedagógicas inclusivas, vivenciadas com um estudante do Ensino Fundamental II, J. R. S. S., 17 anos, matriculado na nossa escola desde o Ensino Fundamental I, atualmente cursando o 9º ano do Ensino Fundamental II. Apresenta diagnóstico de Paralisia Cerebral, com comprometimento motor de equilíbrio, coordenação e preensão, dificuldades fonoarticulatórias e de concentração. 

Segundo informações colhidas com a família, o mesmo passou a infância em cadeira de rodas, emitindo poucas palavras, mudando esse perfil na pré-adolescência, após muita estimulação fisioterapêutica e fonoaudiológica. Reconhecemos que muitos dos avanços significativos apresentados deve-se ao apoio de uma família participativa e atuante.

Nossa escola pertence à rede municipal de ensino da cidade do Recife, com turmas das modalidades de Ensino Fundamental e Educação de Jovens e Adultos. Está situada em uma área central da região metropolitana, atendendo a estudantes oriundos de comunidades carentes próximas. Temos setecentos e oitenta e sete alunos matriculados, dentre esses, vinte e cinco apresentam deficiências.

O referido estudante encontra-se inserido no Atendimento Educacional Especializado, frequentando duas vezes por semana no contraturno a Sala de Recursos Multifuncionais e aulas de Educação Física. 

Nas aulas de Educação Física existe uma rotina, a qual iniciamos compartilhando com o grupo as atividades que serão realizadas, informando e discutindo sobre o local, o espaço e as regras. Após esse momento, é colocado em prática o conteúdo proposto, existindo a preocupação de construir coletivamente as variações e flexibilizações quando se fazem necessárias. Podendo aumentar ou diminuir o grau de dificuldades de acordo com as necessidades e o rendimento do grupo. Próximo à finalização da aula, é feito uma avaliação pertinente ao que foi trabalhado, fazendo com que os estudantes percebam, reflitam e emitam opinião acerca dos objetivos, levando-os a conscientização dos benefícios e as consequências positivas do que podem levar para a vida. Além disso, existe um diálogo constante e aberto, fazendo-os rever conceitos e posturas, aprendendo a respeitar e agir frente à diversidade, não havendo tratamento diferenciado entre eles, facilitando assim a convivência social e afetiva.

O estudante J.R.S.S. participa ativamente dessas aulas, está sempre interessado, com ótima frequência. No decorrer das atividades propostas são realizadas adaptações, com a intenção de preservar a integridade física do jovem em função das especificidades e necessidades que apresenta, tais como: adequação do material utilizado, ex. diminuição do tamanho e peso das bolas de basquete, handebol e futsal; diminuição da intensidade e duração das atividades; adaptações das regras, invertendo as ações, nas quais os colegas vivenciam experiências, nivelando-se as limitações do mesmo, ex. jogar o basquete e o handebol com apenas uma das mãos, jogar futsal usando a perna não dominante.

Através desse nivelamento, estimulação e motivação nas aulas de educação física, assim como acolhimento por parte de toda comunidade escolar, percebe-se ganhos significativos no processo de socialização do educando bem como na sua autoestima, melhorando sua qualidade de vida em função da prática dessas atividades.

 

Participantes do projeto Portas abertas para a Inclusão – 2013:

Hilda Cecília Lima 

José Fernando Figueroa

Kilber Alves

Nefertiti A. de Sá

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