Maria de Nazaré Oliveira da Silva

Em um determinado ano iniciei em uma turma de 2ª série (agora 3° ano), com exatamente 36 alunos e uma em especial com deficiência intelectual. Logo que apliquei o diagnóstico de entrada com todos os alunos, fiquei muito preocupada com o grau de dificuldade da turma. Algumas crianças ainda se encontravam pré-silábicas, porém o que me deixou mais aflita foi a situação em que se encontrava essa minha aluna.
Primeiro notei-a no canto da sala, tímida e de cabeça baixa. Chamei-a e pedi para sentar na frente. Em seguida pedi que fizesse a data no caderno, ela fez, mas quando vi fiquei desesperada e pensei: como vou ajudar essa menina, meu Deus? Será que vou conseguir? Como devo começar, meu Pai?
Isso tudo foram implicações que me deixaram angustiada por dias, pois quando nos deparamos com situações desse porte, fica difícil pensar em progresso. Com o exemplo que vou dar, você pode passar a entender o que nos deixou com o coração na mão.
Escrevi no quadro o nome da cidade que moramos, o nome da professora, o nome da escola, etc. O primeiro ela fez RRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR – umas três linhas, o segundo PPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPP, também algumas linhas e o terceiro CCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCCC, da mesma forma que as outras.
A partir daí passei o caso para a direção, coordenação e para a professora da sala de recursos, e disse que estava aflita, porém era um desafio fazer com que a mesma avançasse. Começamos a fazer um trabalho em que ela estivesse ativamente inserida no processo de ensino aprendizagem, então à tarde ela participava das atividades extras que ocorriam na sala de recursos e pela manhã estudava normalmente em sala de aula.
O estudo aplicado na sala acontecia da seguinte forma: primeiro ela participava com toda a turma das discussões sobre o tema em destaque, depois que deixava os demais alunos encaminhados com as atividades de sala, sentava com ela e fazia as intervenções que fossem necessárias, já dos trabalhos em grupo, ela participava normalmente.
Isso só foi possível acontecer pelo ótimo empenho e preocupação que o pai da aluna tinha. Ele foi um dos responsáveis pelo avanço da menina, uma vez que se disponibilizava em vir à escola nos dois períodos de aula, estava sempre presente nos eventos e reuniões escolares, estava sempre perguntando como ela estava, se estava prestando atenção, e sempre agradecendo pelo progresso em que sua filha se encontrava. Todas essas situações me deixavam aliviada e com a certeza do dever cumprido, pois minha aluna terminou o ano alfabetizada.
Mesmo sabendo que para haver avanço no caso dela é preciso que haja intervenções onde quer que ela esteja, ou melhor, na série que ela se encontre, fico contente por saber que pude contribuir de alguma maneira para melhorar suas limitações e poder dizer que as habilidades que ela adquiriu e outras que venha a conseguir é uma vitória não só para ela e sua família, mas para todos nós educadores. Contudo, devemos levar em consideração que todo ano pegamos alunos especiais, porém o nosso aprendizado não será o mesmo, já que somos DIFERENTES e aprendemos a conviver uns com os outros de acordo com a maneira de ser de cada um, sejamos especiais ou “especiais”.
 

Maria de Nazaré Oliveira da Silva

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