Maria Clara de Souza

Escola Municipal Santa Luzia do Lobato

Projeto: Vivenciando a inclusão.

Professora: Maria Clara de Souza (pedagoga- AEE/Professor Ronaldo Cavalcante – educação física especial (parceira no projeto)

 

Resumo

O projeto que apresentamos visa desenvolver ações que promovam atitudes inclusivas e mudanças positiva de valores, respeitando e convivendo numa sociedade inclusiva, de respeito às diferenças. Ao pensar no projeto de acordo com as dimensões, tivemos primeiramente uma análise de qual diagnostico seria possível de ser trabalhado, isso se referindo as barreiras, pois concluímos que os facilitadores de todo o processo já estavam concretizados, precisando apenas ser mais fortalecidos. 

No início do projeto, pensamos em algumas barreiras que existem no processo de tornar a unidade escolar uma escola inclusiva. A história de inclusão na nossa escola é recente, embora já tenham passado pela mesma algumas crianças com deficiência, nunca houve um olhar sobre a inclusão. No início de 2013, com a implantação da sala de recursos na unidade escolar, começou-se a internalizar melhor o fato de que a referida escola precisava ser uma escola inclusiva. Ao listar os facilitadores e barreiras que existem atualmente na escola foi percebido que a necessidade de intervenção seria nas barreiras, nesse momento ficou explícito que algumas estratégias pedagógicas necessitavam de algumas ações, com o objetivo de viabilizar o processo de inclusão e de a escola passar a ter uma postura de educação inclusiva, também vimos com uma ação vinculada a sala de recursos – AEE. 

Percebemos de início que existiam um “pré-conceito” sobre a pessoa com deficiência, sua aprendizagem e competência que seria capaz de desenvolver, a falta de conhecimento dos profissionais na verdade levam a agirem e entenderem erroneamente sobre as crianças com deficiência, como incapacidade, comportamento, interação saudável, entre outros. 

O professor de sala regular tinha dúvidas e necessidades de entender melhor a aprendizagem dessa criança, de que maneira poderia possibilitar com intervenções em sala de aula, como avaliar esse aluno com deficiência, e até mesmo a crença de que esse aluno teria algum potencial a ser desenvolvido, nos levam a entender que essa barreira seria a mais urgente, que poderíamos através do projeto, desenvolver ações que fossem diretamente ao foco do problema, conseguindo assim derrubar essas barreiras. 

Analisando a estratégia que iríamos desenvolver, percebemos que muitos professores por desconhecerem o quanto existe de potencial nesses alunos, muitas vezes se negam a desenvolver um trabalho com a alegação de não terem o” dom” para trabalhar com a criança, por medo de fracassar nesse desafio. Também o restante da unidade escolar não sabia como lidar e de que maneira deveria agir e intervir com essas crianças, quando se fizesse necessário. Percebemos que através do projeto poderíamos envolver e levar a uma mudança de postura dos professores, a uma reflexão sobre quem são esses estudantes, seus direitos e que podem e devem ter um bom convívio na unidade escolar. A partir do exposto, o projeto foi pensado e através das ações ligadas a inclusão do esporte, já que tínhamos o conhecimento e experiência de que a inclusão através do esporte traz resultados bastante positivos, além de ter como objetivo da própria formação. Também a parceria seria possível e isso findou em pensar no projeto com ações práticas que incluíssem realmente todo o corpo docente e discente, além de outros profissionais da escola.

No nosso país já existem muitas leis que respaldam e salientam a importância de se respeitar o indivíduo em sua totalidade, física, intelectual, sensorial, etc. a política de inclusão vem sendo implantada nas escolas visando promover o acesso e permanência à educação para todos:

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, e tendo em vista o disposto no art. 208, inciso III, ambos da Constituição, no art. 60, parágrafo único, da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e no art. 9o, § 2o, da Lei no 11.494, de 20 de junho de 2007,

DECRETA:

Art. 1o A União prestará apoio técnico e financeiro aos sistemas públicos de ensino dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na forma deste Decreto, com a finalidade de ampliar a oferta do atendimento educacional especializado aos alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, matriculados na rede pública de ensino regular. (PRESIDENTE DA REPÚBLICA).

A partir do exposto acima acreditamos que é necessário o compromisso de derrubar as barreiras dando a oportunidade às pessoas com deficiência de exercerem seu direito de participar de tudo que a sociedade lhes oferece, principalmente a educação, o que mais os excluiu durante todo o processo histórico de nossa sociedade. 

Para tanto, pensamos em objetivos e ações bem estruturadas que possam ser realizadas com mais autonomia.

 

Justificativa do projeto

A falta de conhecimento do que é a pessoa com deficiência e como a mesma pode superar limites é muitas vezes uma barreira para a inclusão. Primeiro porque há um despreparo para lidar, mediar, intervir com esses alunos. Muitas vezes o professor tem um pré-conceito formado sobre o que é deficiência e acredita que não existem reais possibilidades de aprendizagem ou inclusão desses alunos e alunas.

Pensa-se que essas crianças ou jovens podem ter algum comportamento inadequado, não sabem como lidar ou agir, também muitas vezes não acreditam no potencial dessas crianças ou jovens, sempre colocam fatores que enfatizam uma regressão, nunca valorizam o que existe de positivo.

Por outro lado, o professor pesquisador e articulador que se propõe a pensar, agir e buscar formas mais eficazes de possibilitar o aprendizado desses alunos, consegue derrubar barreiras. Pensando nesse foco, acreditamos que a partir do momento em que os professores conhecerem esses alunos, suas dificuldades e desmistificarem os mitos das pessoas com deficiência, a inclusão terá portas abertas para acontecer, trilhamos assim o projeto com essa perspectiva, de mudança na visão dos docentes através das vivencias.

Nesse ponto o projeto justifica-se por, através de ações simples porém de cunho diretivo e com ações concretas terá como culminância uma escola inclusiva galgando passo-a-passo para isso. As estratégias, indicadores e ações do projeto terão avanços que justificarão todo o processo.

O item do diagnóstico deve-se às observações realizadas durante a implantação da sala do AEE na unidade escolar. Percebemos que os professores tinham quase nenhum conhecimento sobre as deficiências e como atuar com crianças com deficiência. Por outro lado, também percebemos que tinham um conceito pré-formado para desenvolver o trabalho com criança com algum tipo de deficiência. No primeiro momento em que foi incluído um aluno com deficiência, percebemos tanto o despreparo com certa resistência em ter uma criança com deficiência transitando na escola, visto que essa criança também era hiperativa, e por isso chamava mais atenção. Já existiam crianças com deficiência, mas até então eram bastante passivas, não "alteravam” a rotina da escola.

 

Objetivo: 

Divulgar a participação das pessoas com deficiências nas várias modalidades esportivas inclusivas.

 

Justificativa: 

Através desse objetivo serão desenvolvidas ações que levarão ao conhecimento das pessoas a maneira como as pessoas com deficiência participam das atividades esportivas, demonstrando através de vivencias, a importância da educação física para as pessoas com e sem deficiência. Serão utilizados momentos onde todos participarão de maneira coletiva, dessa forma terão oportunidade de desconstruir pré-conceitos percebendo que é possível fazer, conhecer e construir juntos. Para a realização desse projeto, contaremos com parceiros, isto é, pessoas que estão envolvidas com a área de educação física especial e inclusiva, que darão suporte com melhor conhecimento da área tão necessários para que as ações aconteçam dentro do seu propósito.

 

Relato do projeto 

A partir da parceria com o professor de educação física foi realizada uma reunião onde escolhemos as ações e a forma de desenvolvê-las. 

A primeira atividade da gincana precisou ser adiada devido às entraves e horários na escola, planejamos e não pode acontecer como previsto. Para que os alunos pudessem participar em maioria, resolvemos realizar na semana seguinte, o que aconteceu com tranquilidade, adesão de todos os alunos envolvidos e apoio dos professores. A primeira parte da tarefa foi feita com as turmas do 2º e 3º ano, na sala de atendimento (AEE), total de três professores e cerca de 40 alunos sendo três com deficiência. A parte seguinte da atividade, foi realizada com o grupo de cinco e o 1º ano, duas professoras e uma auxiliar, mas cerca de 40 alunos sendo um com deficiência. Realizamos uma dinâmica simulando uma deficiência onde uma criança utilizou um a venda nos olhos e os colegas fizeram alguns sons para que a mesma localizasse de onde viriam, todos gostaram da atividade. A segunda tarefa foi usando uma cadeira (simulando a cadeira de rodas) uma criança teria que brincar de pega-pega, demonstrando assim que todos podem participar e estarem incluídos de alguma forma. Vale ressaltar que colocamos uma área limite que poderiam realizar e com isso explicamos que podemos fazer adaptações para que todos possam participar de todas as atividades. As crianças validaram muito a brincadeira.

A ação seguinte foi a realização de um momento de integração e inclusão esportiva no SESI, parceiro do projeto, com os estudantes da Escola Municipal Santa Luzia do Lobato por meio de oficinas esportivas inclusivas.

O momento de integração aconteceu no dia 23 de outubro de 2013, das 14h00min até às 16h30min – participaram os estudantes da unidade escolar (cerca de 70 estudantes), os professores da sala de aula regular, a gestão, a professora responsável pelo projeto (professora do AEE), o professor parceiro do projeto (professor de educação física especial) e alguns funcionários da escola, que acompanharam os alunos até o local da atividade.

As oficinas foram realizadas no SESI Itapagipe. O local foi viabilizado pela coordenação do CAIS que possibilitou a realização no espaço esportivo do clube, onde acontecem as atividades esportivas da unidade do SESI Itapagipe. Também houve a participação dos estudantes atendidos no CAIS (pessoas com deficiência) que formam o grupo de percussão NEOJIBÁ, que fizeram uma apresentação aos alunos da Escola Santa Luzia, demonstrando que é possível incluir em qualquer atividade, desde que há sensibilização, vontade e principalmente, compromisso e crença nas competências que esses estudantes podem desenvolver. 

Foi um momento bastante positivo e gratificante. Todos participaram, envolveram-se em cada atividade e puderam vivenciar um pouco de conhecimento sobre o esporte, e reconhecê-lo com uma atividade de inclusão e positiva, pois permite superar muitos limites. Alguns estudantes do SESI participaram das atividades podendo realizar a prática de atividade esportiva com os alunos da Escola Santa Luzia. Realizaram oficinas de baquete, futsal e conheceram outras modalidades como o handebol, além de atividades lúdicas e de alongamento. Percebemos que com essas ações os objetivos do projeto foram alcançados. Acreditamos que a partir das vivências, os professores e estudantes vejam a inclusão com algo positivo, possível e necessário.

Como professora de educação especial (AEE) e educação inclusiva, considero esse trabalho uma conquista positiva, vejo que a imagem da escola está mudando, as pessoas não mais se surpreendem ao falar ou ver uma criança com deficiência. Os alunos incluídos na escola hoje são vistos como alunos com possibilidades de reais avanços e tendo suas limitações ou diferenças respeitadas.

 

Participante do projeto Portas abertas para a inclusão – 2013

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