Karla Tereza Ocelli Costa

Aula de Educação Física com duas turminhas do 2o. ano do fundamental I.

Relatamos nossa experiência na construção e execução do projeto para o curso "Portas Abertas para a Inclusão". Somos do Polo de Belo Horizonte 1, grupo 1.

Nosso projeto foi realizado na EM Vila Fazendinha, região Centro-Sul de Belo Horizonte. A escola atende à comunidade da Vila Fazendinha que integra o aglomerado da Serra. Localizada à rua Paulo de Souza, 51, a escola tem aproximadamente 690 alunos nos dois primeiros ciclos de formação do Ensino Fundamental além de contar com uma Unidade de Educação Infantil e salas de EJA no turno da noite.

Nosso grupo de trabalho é formado por 2 gestoras da Gerência de Educação da Regional Centro-Sul e duas professoras do terceiro ciclo da Rede Municipal de Ensino de BH, sendo uma de Artes e outra de Educação Física. Nossa experiência com a Educação Inclusiva é bem diversa, o que possibilitou muitas trocas de experiências, oportunizando a cada uma de nós, dentro da função que desempenha hoje, contribuir neste projeto.

A partir do diagnóstico que fizemos na escola, percebemos a necessidade de oferecer formação sobre Educação Inclusiva ao corpo docente, uma vez que o grupo estava aberto a novas experiências e desejosos de informações. Utilizamos a estratégia de conversar com o grupo para eleger os temas de nossas palestras, oportunizando a participação de todo o grupo nessa construção.

O desenvolvimento deu-se em quatro momentos:

1. Três palestras com os temas: 

• Aspectos legais da Educação Inclusiva.

• Alguns tipos de deficiência. 

• Educação Física Inclusiva.

2. Vivência de uma aula de Educação Física com professoras, utilizando vendas, tipoias, cadeira de rodas e muletas.

3. Vivência de uma aula de Educação Física inclusiva com os estudantes.

4. Avaliação junto ao grupo de professoras.

Nossa dificuldade principal foi a escolha da escola em que desenvolveríamos o projeto, visto que a primeira escola convidada não abraçou a formação justificando seu medo em receber muitos alunos com deficiência após o projeto. Nesta nova escola, durante o desenvolvimento do projeto, não tivemos dificuldades devido a participação ativa da direção, coordenação e grupo de professores. O grupo queria a formação e participou do processo de construção, o que garantiu o sucesso do mesmo. Participaram 2 coordenadoras e 14 professoras do segundo ciclo do Ensino Fundamental. Da vivência com as crianças participaram duas turminhas do segundo ano, cerca de 20 alunos por turma.

Como principais resultados percebemos que o projeto veio ampliar a discussão sobre a efetiva educação inclusiva na escola, uma vez que ela já possuía um olhar atento ao tema. A realização do projeto oportunizou o crescimento das ações voltadas para a que a inclusão se efetivasse. Participar de uma aula de Educação Física vivenciando algumas dificuldades que os alunos com deficiência passam no dia a dia da escola, levou o grupo a refletir as diferenças individuais dos alunos e a necessidade de nos colocarmos no lugar do outro ao organizarmos nossas aulas. Com os estudantes, a prática foi muito enriquecedora. É impressionante como são receptivas e dispostas ao novo. O melhor ou "pior" foi a observação feita por uma delas: depois da aula e após dizer que havia se divertido ela disse: "E agora vai ter Educação Física?"… Ou melhor "o futebol"? Já nos anos iniciais, percebemos a construção equivocada de conhecimentos acerca da área.

Após o término do circuito com as crianças, nos reunimos com as professoras, coordenadoras e direção da escola para uma conversa final, na qual entregamos os folhetos produzidos após a formação teórica, agradecemos a acolhida e escutamos algumas impressões das participantes. Pudemos notar que a proposta foi muito bem aceita pelas colegas professoras. Nossa impressão inicial de que o grupo estava carente da discussão sobre a temática se confirmou e a ideia de realizar na escola a formação foi muito bem avaliada por todas. As coordenadoras relataram que o grupo precisava "ver acontecer" possibilidades de inclusão para ter mais segurança em sua aplicação diária.

Outro resultado interessante foi a construção do material que distribuímos para as professoras: 2 folhetos informativos com basicamente tudo que foi discutido nas palestras e vivências. O material ficou bem rico e já está circulando até na Secretaria de Educação. Nosso próximo passo será propor esta formação/discussão em outras escolas da rede municipal. Esperamos que a secretaria abrace nossa ideia.

 

Daniela Carvalho, Eliana Taborda, Karla Costa, Selma Rabelo.

Participantes do curso Portas Abertas para a Inclusão – 2013 

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