Elisandra Aparecida da Rosa Rodrigues

Sou professora há 15 anos, alguns desses atuando na Educação Infantil e outros nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Atualmente, estou exercendo o cargo de Coordenadora pedagógica, esse relato que vou descrever aconteceu no ano de 2006 na mesma escola onde eu trabalho, lecionava numa sala de 3ª série com 25 alunos entre 10 anos e 14 anos contando a idade de alunos reprovados. A aluna B vinha repetindo por vários anos chegando com muitíssimas dificuldades, ela é uma criança que tem Deficiência Intelectual, só que na época toda a equipe escolar tentou por muitíssimas vezes convencer os pais que a aluna precisava passar por avaliações, fato este que os pais de maneira nenhuma concordaram. Com muita insistência da diretora, a mãe permitiu que ela passasse por um psicólogo no CEMAE (Centro Municipal de Atendimento Especializado), onde se constatou todas as nossas suspeitas, mesmo sendo diagnosticada seus pais não aceitaram. Não me foquei nisso, quis logo definir de onde partiria com essa aluna. Mas eu posso dizer que não foi fácil aceitar trabalhar as diferenças porque pra mim, eu nunca iria trabalhar com essas crianças e por isso existia o CEMAE.

Juntamente com minha coordenadora, verificamos que a B ora estava silábico-alfabético, ora pré-silábica e decidimos que o melhor seria trabalhar conteúdos de Português e Matemática no nível de pré-escola e as demais disciplinas com os conteúdos de 3ª série e assim iríamos flexibilizando-os. Já a avaliação seria feita analisando a sua evolução.

Essa aluna evoluiu muito… Daquela garota sem iniciativa, agora já se manifestava vez ou outra. Trabalhamos muito a parte de higiene, pois essa parte ela não tinha na Oficina do Saber que é um projeto a parte ela aprendia os conteúdos sociais, se vestir, comer direito, fazer corte e costura entre muitos outros. Enquanto estava conosco fizemos o possível e o impossível para que ela se sentisse uma aluna como os outros, nunca foi excluída de programações da escola, e o que é mais gratificante: podemos ver sua integração com os outros alunos, os quais a acolheram com respeito e aceitação.

Confesso que ainda fico bastante preocupada com essa aluna, pois não quero que perca em nenhum momento a oportunidade de estar aprendendo. Acredito que tomamos essas decisões porque a inclusão está aí e é sempre alvo de estudos e debates em nossa instituição, porém há muito que se aprimorar. Infelizmente ela foi para a escola do estado e até onde fiquei sabendo na época, ela havia frequentado durante seis meses e havia abandonado a escola.

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