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Ana Stela Pereira dos Santos

Projeto Jogando Capoeira com a Educação Inclusiva

A EMEIF Gustavo Barroso trabalha com a perspectiva de inclusão de alunos com deficiência, possuindo inclusive sala de Recursos Multifuncionais para o Atendimento Educacional Especializado. A instituição escolar tem uma boa receptividade para com todos os alunos, inclusive com os que apresentam algum tipo de deficiência. Entretanto, necessita de reformas estruturais, pois a sua acessibilidade arquitetônica não conflui com o que é preceito pela Política Nacional de Educação Especial. Algumas das entradas das salas de aula, possuem portas estreitas e sem rampas. Outro ponto fraco são os banheiros, não adaptados para a entrada, saída e uso dos usuários de cadeiras de rodas. 

Antes do projeto Portas Abertas, durante a minha especialização em Educação Física Escolar, fiz uma disciplina sobre educação inclusiva, além de outro curso de Esportes Adaptados para Pessoas com Deficiência, porém nada que sobrepusesse a experiência prática que tive ao longo dos três últimos anos na escola com alunos com deficiências.

Nos primeiros encontros do Diversa, a professora do AEE e eu, íamos montando as nossas ideias de projetos para implementar na escola. Após muito conversar, decidimos que a nossa proposta seria pautada na Capoeira. Diante disso, pensamos que “Jogando Capoeira com a Educação inclusiva” seria um bom título para o nosso projeto.

A turma escolhida para desenvolver o nosso próprio projeto dentro da escola foi o 2º ano do fundamental I, formada por trinta alunos. Destes, três apresentam deficiências: um intelectual, um visual e um com deficiência física, com paralisia cerebral. Antes de pôr o projeto em prática, sondamos a turma a fim de saber se gostariam de aprender sobre um dos componentes da Cultura Corporal de Movimento: a capoeira. Tivemos resposta positiva e iniciamos as ações. A priori, nenhum deles haviam praticado capoeira anteriormente. 

O desafio maior não foi fazer com que os alunos com deficiências participassem das aulas e sim manter a concentração e atenção dos mesmos durante as aulas. Acreditamos que a indisciplina da turma foi consequência da rotatividade de professoras na sala de aula. Já, especificamente, em relação aos alunos com deficiência, nossas dificuldades foram a falta da assiduidade dos alunos e credibilidade dos pais em acreditarem nas potencialidades dos filhos. Após várias conversas entre pais, mestres e gestão escolar, os alunos, que no início faltavam bastante, normalizaram suas presenças na escola Desta forma, todas as famílias foram parceiras, porque incentivaram e trouxeram seus filhos. Em alguns casos, a capoeira acabou sendo um incentivo a mais para que os alunos viessem às aulas.

O desenvolvimento do diagnóstico não foi difícil, pois colocamos no papel tudo aquilo que já havíamos constatado em conversas informais entre professores, gestores e equipe pedagógica, além do que era tratado em cursos de formação continuada cujo assunto era educação inclusiva.

Dos itens do diagnóstico, escolhemos centrar nossas ações na perspectiva de Parcerias, pois constatamos que seria interessante ampliar o leque de parceiros esportivos junto à escola. Com a ajuda de mais uma instituição parceira, os alunos podem enriquecer os seus conhecimentos acerca de um determinado segmento da cultura corporal de movimento, serem incentivados a praticá-lo em um ambiente extra-escola e concomitantemente, ocupar seus momentos ociosos, fora das ruas. 

O objetivo do projeto era utilizar a capoeira como ferramenta inclusiva-socializadora e cultural dentro das aulas de educação física, estabelecendo posteriormente vínculo contínuo com um grupo de capoeira parceiro.

Na ação deste projeto, três estratégias foram criadas.

1.Entrar em contato com grupos de capoeira, explicitando a proposta de ação junto às aulas de Educação Física e posteriormente a projetos futuros na escola. Pretendemos por meio desse contato, lançar as bases para estabelecer um vínculo contínuo entre o grupo de capoeira e a escola, com o intuito de possibilitar os alunos a jogarem capoeira em outros momentos com o grupo-parceiro, mesmo quando o conteúdo trabalhado nas aulas educação física escolar não for capoeira. O grupo de capoeira poderia inclusive por meio desta, abrir espaço para o alunos da escola praticarem a modalidade no contraturno sem ônus.

2.Obter o total apoio da gestão escolar. Para abrir as portas da escola para qualquer parceria, a gestão escolar precisa dar o seu aval e apoiar a empreitada, tanto nos momentos da aula de educação física como no sentido de estender a prática em outros dentro da escola. 

3.Vivenciar conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais da Capoeira. Quisemos levar ao entendimento do aluno que a capoeira é componente da cultura brasileira e que também pode ser instrumento de integração da turma e ferramenta de desenvolvimento corporal. Por este ponto perpassou boa parte do nosso planejamento em campo. A fim de que a ação pudesse ser rica em experiências para os alunos, eles aprenderam alguns dos movimentos básicos da capoeira, aspectos históricos relacionados à pratica da luta e mesmo a construção de instrumentos musicais com material reciclado.

As ações nas aulas de Educação Física foram a própria execução dos movimentos de capoeira com o profissional do grupo parceiro, brincadeiras que envolviam personagens da história do Brasil, como o negro, senhor do engenho, capitão do mato e suas interrelações, vídeos mostrando outras crianças jogando capoeira, pintura de desenhos, ensino de ladainhas , oficina de instrumentos musicais com material reciclado e, como parte final do projeto, realização de uma grande apresentação na escola para outros alunos e pais.

O Atendimento Educacional Especializado foi parceiro efetivo durante toda a execução do projeto, dando apoio nas aulas de Educação Física que aconteciam na quadra esportiva e em outros espaços escolares. O projeto foi levado também à sala de Recursos Multifuncionais, no período do contraturno, com aqueles alunos do 2º ano que apresentam deficiência e recebem Atendimento Educacional Especializado.

A participação da diretora, Sra. Sephora Carvalho, foi exemplar, pois ela abriu as portas da escola para o grupo de capoeira e oportunizou o vínculo que, tanto o capoeirista quanto o projeto “Jogando capoeira com a Educação Inclusiva”, queriam. Prova disso, foi o convite feito pela gestão ao grupo de capoeira para que participassem em 2013/2014 do Programa Mais Educação na escola.

A Coordenação pedagógica participou apenas na organização da culminância do projeto, que coincidiu com a celebração escolar do dia da Consciência Negra, 20 de novembro. Tudo a ver com a capoeira, que é elemento da cultura brasileira e foi bastante influenciada pelos negros.

O grupo de capoeira parceiro, tendo com responsável o contra-mestre André, foi essencial para o desenvolvimento do projeto dentro da escola. Mesmo não estando semanalmente nas aulas de Educação Física, sua presença já era marcante ao olhar dos alunos. Os professores capoeiristas também ficaram muito animados em realizar esse projeto na escola e sentiam-se atraídos para continuar na escola ensinando capoeira aos alunos.

A partir do desenvolvimento do nosso projeto “Jogando Capoeira com a educação inclusiva”, foi percebido que alunos com deficiência podem participar de aulas de capoeira dentro da Educação Física, desenvolvendo suas potencialidades. E que a escola abraçou a capoeira como ferramenta socializadora e inclusiva, fato constatado durante toda a execução do projeto e de modo mais específico no dia da sua culminância, onde os alunos de diferentes turmas e idades puderam jogar capoeira juntos na roda.

Ao final da nossa empreitada, após traçadas estratégias, indicadores e avanços, pudemos constatar que tivemos nosso objetivo principal, anteriormente comentado, alcançado, pois o grupo de capoeira já está atuando na escola, fora das aulas de Educação Física.

Queremos abrir aqui um espaço para salientar o quanto o Curso de Formação do Diversa foi importante para o nosso enriquecimento de conhecimentos culturais e da própria perspectiva da educação inclusiva nas escolas. Por meio dele, tivemos a oportunidade de trocar informações e partilhar nossos questionamentos ou experiências com profissionais renomados e outros professores de diferentes estados do Brasil.

 

PREFEITURA MUNICIPAL DE FORTALEZA

SECRETARIA EXECUTIVA REGIONAL I

ESCOLA MUNICIPAL DE ENSINO INFANTIL E FUNDAMENTAL GUSTAVO BARROSO

PROFESSORA RESPONSÁVEL: Ana Stela Pereira dos Santos (Ed. Física) 

PROFESSORA COLABORADORA: Analice Vicente de Meneses (AEE)

 

Participantes do projeto Portas abertas para a inclusão – 2013

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