Vocês conhecem jogos inclusivos para ensinar geografia?

Bom dia. Meu nome é Ursula e sou professora de geografia. Na minha formação não se falou em inclusão e tenho estudantes especiais. Quero me aprofundar com crianças com Síndrome de Down. Para isso tenho lido e estudado bastante, pois quero fazer jogos de geografia, dentro da minha proposta de mestrado. Vejo muitas atividades na internet, mas quero focar o estudo da geografia em jogos. Se tiverem sugestões, agradeço.

Estratégias pedagógicas

3 respostas

Por Maria de Lourdes de Moraes Pezzuol em 25/02/2019

Olá Úrsula, ótima ideia, independente do jogo ser uma metodologia facilitadora para a aprendizagem de alunos com deficiências, é um recurso que deve ser abordado e explorado por todos. Os jogos e brincadeiras possuem grandes vantagens para o trabalho com todas as crianças promovendo assim uma real socialização, pois ao brincar diversas habilidades estarão sendo estimuladas: coordenação motora, atenção, memorização, a comunicação consigo mesma, com o mundo ao seu redor e muitos outros benefícios que o brincar proporciona ao ensino aprendizagem. Considerando que os jogos e brincadeiras quando planejados e mediados dentro da escola fortalecem uma proposta de educação inclusiva, ao lançar um olhar mais atento para o despertar, para o estímulo e para as potencialidades desses sujeitos e não apenas a preocupação com suas limitações.

Enquanto professora licenciada em Educação Física e atualmente como especialista para alunos com autismo, faço da metodologia dos jogos e brincadeiras um estímulo significativo para fortalecer a aprendizagem. Utilizo muitos materiais reciclados para criar atividades, é uma boa ideia para você experimentar. Desde um quebra cabeça de mapas (papelão) até a revitalização do jardim da escola adaptando para um jardim sensorial. Onde consegui explorar noções dos sentidos, medidas, noções de espaços, plantas (flores) existentes nesse local e também pequenos insetos.

Deixo uma dica, você deve recriar atividades existentes, relacionando aos seus objetivos propostos e adaptando aos conteúdos curriculares, explore ao máximo a tecnologia com os recursos digitais. Deixo outra dica de abordagem realizada pela Plataforma Porvir: “Para inovar no processo de ensino-aprendizagem, projeto nascido na UFRGS reúne softwares para Android que podem ser usados e modificados livremente”. Você vai encontrar uma tabela em Português e em outras línguas para você mesma editar, pois são aplicativos abertos e na área de geografia tem bastante atividades. Link: http://porvir.org/300-aplicativos-educacionais-abertos-para-usar-em-sala-de-aula

Boa sorte!!!

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Por Equipe DIVERSA em 28/03/2019

Olá Úrsula!

Aqui no DIVERSA, nós contamos com um acervo de materiais pedagógicos acessíveis. Esses recursos foram idealizados para serem aplicados em turmas de alunos com e sem deficiência. Dá só uma olhada!

Maquete interativa das partes dos rios

Material pedagógico acessível feito de papel, tecido e componentes eletrônicos básicos. O recurso representa uma determinada realidade hidrográfica usando elementos visuais, táteis e sonoros com os quais os estudantes podem interagir. Saiba como o material foi usado e como você pode criá-lo em diversa.org.br/materiais-pedagogicos/maquete-interativa-das-partes-dos-rios.

Mapa de relevo

Recurso composto por uma base em papelão com vários furos para encaixar palitos de alturas diferentes. A partir de uma proposta de paisagem, devem ser encaixadas peças de papelão nos palitos até a altura definida para representar uma realidade geográfica. Saiba como o material foi aplicado em sala de aula e veja o passo a passo para confeccioná-lo em diversa.org.br/materiais-pedagogicos/mapa-de-relevo.

Outros materiais

Além disso, você pode encontrar outros recursos como os acima neste artigo: diversa.org.br/artigos/estrategias-inclusivas-para-o-ensino-de-geografia.

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Por Regina Mercúrio em 28/03/2019

Olá

É muito importante pensar nas barreiras para aprendizagem dos alunos e nas estratégias pedagógicas ou materiais que possam auxiliar seu desenvolvimento. Afinal, a educação inclusiva pressupõe não apenas o ingresso e a permanência do estudante com deficiência na escola regular, mas também seu sucesso escolar. Nesse sentido, usar jogos para o aprendizado da geografia é uma ideia muito bem-vinda. É uma estratégia que utiliza várias vias de aprendizagem e favorece não apenas o aluno com deficiência, mas toda a turma.

Mas gostaria de pontuar algumas questões sobre sua pergunta.

Na perspectiva da integração, se acreditava que os alunos com deficiência deveriam ficar à parte, até atingirem o mesmo “nível dos normais”. O trabalho do professor especialista era, então, “treinar” os estudantes, principalmente os com hipótese de deficiência intelectual, para “alcançar” os demais. Nessa visão, muitas vezes, o trabalho pedagógico com esses alunos se baseava unicamente no material concreto, já que a criança com deficiência demonstrava dificuldade no raciocínio abstrato.

Esse sistema, que nega a diversidade humana, demonstrou-se extremamente falho. Foram raras as vezes em que os estudantes que ingressaram em classes ou escolas especiais conseguiram ser “promovidos”. O ideal eram as turmas homogêneas, em que era possível usar uma didática predefinida e onde todos aprendessem ao mesmo tempo e da mesma maneira.

Mas os avanços da neurociência e na ampliação do conceito de deficiência abriram uma outra perspectiva, a da inclusão. Para mais detalhes sobre como isso se deu, acesse: https://diversa.org.br/educacao-inclusiva/por-onde-comecar/conceitos-fundamentais/#paradigmas.

Na perspectiva inclusiva, cabe à escola eliminar ou minimizar as barreiras que dificultam a aprendizagem dos alunos com deficiência. Assim, o trabalho realizado nas salas de recursos multifuncionais não tem como objetivo torná-los “iguais”, mas garantir o atendimento a suas especificidades, tais como o aprendizado de Libras, braille etc. Já o acesso aos conteúdos curriculares fica a cargo do trabalho na sala de aula comum.

Precisamos romper com a ideia de padrão para pensar possibilidades a partir da singularidade de cada pessoa em cada contexto. Para isso, podemos fazer uso dos princípios do Desenho universal de aprendizagem (DUA) — modelo prático para aprendizagem de cada estudante. Veja mais sobre esse conceito em https://diversa.org.br/artigos/o-que-e-desenho-universal-para-aprendizagem.

Cabe ainda reafirmar a necessidade dos educadores, professores sala regular, AEE e outros trabalharem de forma colaborativa para construírem caminhos pedagógicos que eliminem as barreiras à aprendizagem e viabilizem o sucesso escolar de cada um dos alunos, com suas singularidades e especificidades, de modo que as diferenças enriqueçam o processo pedagógico ao invés de se transformarem em desigualdades.

É importante que os educadores sejam protagonistas na eliminação das barreiras ao aprendizado. Pensando, criando e construindo materiais e caminhos pedagógicos para o sucesso dos seus alunos, de preferência com a participação ativa dos mesmos. Os professores devem ser incentivados a refletir sobre:

• Quais são as vias de aprendizagem em que as crianças da turma se sentem mais confortáveis?
• Por que motivos algumas crianças não progridem no mesmo ritmo que as outras?
• As estratégias e as técnicas utilizadas permitem que todas as crianças aprendam e realizem?
• Como fazer ajustamentos nos recursos, atividades e/ou no acesso para torná-los acessíveis para todos?

Os professores devem ter grandes expectativas quanto às realizações de todos os alunos, sabendo que não há uma receita específica para ensinar a todos estudantes com Síndrome de Down. Cada aluno é um, com sua história, singularidades, dificuldades, potencialidade, preferências… Nosso desafio é aprender a trabalhar com grupos heterogêneos, olhando para cada um e para o grupo.

Bom trabalho!

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