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Quando aplicar uma avaliação adaptada para um estudante com deficiência?

Boa Tarde! Tenho uma filha de 11 anos de idade que recebeu diagnóstico de Distúrbio do Processamento Auditivo Central (DPAC) e se encontra em tratamento com fonoaudióloga. Ela está cursando a 6ª série do ensino fundamental e não se sente confortável em realizar as provas separada dos demais colegas. Ocorre que a coordenação pedagógica da escola entende que a minha filha deve fazê-las em local separado, juntamente com outros educandos que têm necessidades especiais. Um aluno que apresenta necessidade de fazer uma avaliação adaptada tem que fazê-la separado dos demais estudantes? Não tendo dificuldades em determinadas disciplinas, não poderia o aluno com necessidades especiais fazer a mesma prova que os outros? Quanto a esse último aspecto, a escola entende que deve a minha filha realizar as provas adaptadas para todas as disciplinas, posição com a qual não concordo. Entendo que não estando a criança encontrando dificuldades em algumas matérias, então não haveria justificativa para uma avaliação adaptada. Em nosso pensamento, essa prática radical de estender a todas as matérias o mesmo procedimento vem afrontar o pleno desenvolvimento de suas potencialidades.

Avaliação

1 resposta

Por Raquel Paganelli Antun em 30/06/2017

Respondendo objetivamente sua pergunta, as estratégias de avaliação deveriam ser “adaptadas” a todos os alunos, e a cada um, no sentido de levar em conta suas especificidades – necessidades, interesses, estilo de aprendizagem, conhecimentos prévios, etc.

Sabemos que a tendência, na maioria das escolas, ainda é padronizar estratégias de avaliação com base em parâmetros de desempenho pré-estabelecidos, orientados por/para aquilo que é considerado “normal” ou estatisticamente mais frequente. É interessante observar que, aparentemente, a escola de sua filha, ao tentar “fazer diferente”, acabou reproduzindo esta lógica. Apesar de, provavelmente, bem-intencionado, há pelo menos dois problemas no seu modo de operar. A primeira é admitir estratégias diferentes das convencionais somente para os alunos com deficiência ou dificuldades de aprendizagem, pois dá a ideia de que apenas esses são diferentes dos outros – os vistos como “normais”. A educação inclusiva parte do pressuposto de que a diferença é própria da condição humana. Ou seja, de que somos todos diferentes, singulares, únicos. Noção que remete ao segundo problema: generalizar os procedimentos de avaliação para os estudantes com deficiência ou dificuldades de aprendizagem. O objetivo central ao se adaptar uma avaliação ou qualquer outra estratégia pedagógica deve ser a equiparação de oportunidades. E para isso, é fundamental avaliar cada situação especificamente, como você inclusive sugere. Este artigo reitera a importância de conhecer bem cada aluno para garantir uma avaliação de fato inclusiva:

Pistas e desejos para uma avaliação inclusiva

É importante ressaltar que nesse esforço investigativo todos devem ser envolvidos diretamente: sua filha, vocês, a equipe pedagógica; sem esquecer a potencial relevância da participação do(a) profissional do atendimento educacional especializado (AEE). É perceptível, em seu relato, o desacordo entre os interesses e opiniões da família e o modo de operar da escola. Nesta resposta a outra pergunta do fórum, a especialista em Educação Inclusiva, Marília Costa Dias, aponta o trabalho cooperativo como condição para a efetivação de práticas pedagógicas inclusivas. Procurem conversar com a direção ou a coordenação pedagógica a fim de instituir espaços de diálogo entre a escola e a família. Espaços em que a inclusão de sua filha possa ser perseguida de forma ampla e colaborativa, em um ambiente caracterizado pela diferença, onde todos têm a ensinar e aprender.

Os dois artigos abaixo podem ser um bom ponto de partida:

Estamos efetivamente construindo a escola que sonhamos?
Receita de inclusão?

Conte-nos mais sobre isso e continue participando da comunidade. 🙂

Raquel Paganelli Antun – Equipe DIVERSA

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