Quais escolas particulares são boas para um aluno com autismo no Rio de Janeiro?

Prezados, boa tarde!

Moro no Rio de Janeiro e procuro por escolas particulares inclusivas para aluno com o transtorno do espectro autista (TEA). Poderiam me informar as que ficam nos bairros de Jacarepaguá, Barra, Recreio ou adjacências?

Abs e muito obrigada!

Escola particular

3 respostas

Por Ciça Melo em 19/09/2017

Olá! Na Barra posso te indicar a CEI e o Liezer. Ambas fazendo um trabalho de inclusão.

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Por Raquel Paganelli Antun em 04/12/2017

Não conhecemos a trajetória de busca por uma escola para seu filho, mas considerando que todas devem acolher qualquer estudante, independentemente de suas particularidades, a princípio, a melhor escola para um aluno com autismo no Rio de Janeiro – ou em qualquer outro lugar – é a mais próxima de sua residência. Ou, no caso da rede privada, aquela que a família escolher. O direito de frequentá-la e participar plenamente de todos os aspectos da vida escolar é assegurado em lei. A Lei brasileira de inclusão (LBI) determina que o acesso de crianças e adolescentes com deficiência à educação não pode mais ser negado, sob qualquer argumento, tanto na rede pública quanto na privada, proibindo, ainda, a cobrança de qualquer valor adicional nas mensalidades e anuidades para esse público. É importante considerar que o direito à educação inclusiva não se restringe ao acesso (matrícula e presença), compreendendo também o desenvolvimento de suas potencialidades para a plena participação em igualdade de condições.

Mesmo na rede particular, estudantes com transtorno do espectro autista (TEA) têm direito ao atendimento educacional especializado (AEE). O AEE complementa e/ou suplementa o processo de escolarização para a eliminação das barreiras para a plena participação dos estudantes público-alvo da educação especial, considerando suas especificidades. Não indicamos escolas específicas por acreditarmos que não exista nenhuma já “pronta” e ideal para alunos com este ou aquele diagnóstico. Este artigo “Qual é o preparo necessário para incluir um estudante com deficiência?” defende que a ideia do preparo prévio nada mais é que um mito. Até mesmo as melhores conceituadas ou reconhecidas como inclusivas nunca estarão prontas. Sempre haverá um estudante cuja chegada trará novos desafios e aprendizados à comunidade escolar. Isso porque a diferença é própria da condição humana. E, se somos todos diferentes, o processo de aprendizagem de cada educando é diferente também. Hoje, já sabemos que, ainda que apresentem pareceres diagnósticos absolutamente iguais, duas pessoas podem reagir às mesmas estratégias pedagógicas de maneiras bem diferentes. Não há “receitas prontas“. O preparo da escola e do professor no contexto da educação inclusiva é o resultado da vivência e da interação cotidiana com cada um dos alunos, com e sem deficiência, a partir de uma prática pedagógica dinâmica que reconhece e valoriza as diferenças. Ou seja, não é possível antever o que somente no dia a dia poderá ser revelado. Por isso, é importante, antes de qualquer coisa, garantir a presença do estudante na escola. Para que a equipe pedagógica possa conhecê-lo e, assim, buscar identificar meios de garantir sua inclusão efetiva.

Em uma das respostas a esta outra pergunta do fórum “Como fazer adaptações curriculares para alunos com deficiência intelectual?“, a assessora em educação inclusiva Marília Costa Dias enfatiza a importância de isso acontecer de modo colaborativo. Todos os envolvidos, inclusive a família, precisam participar desse processo.

Apesar de a recusa de matrícula representar crime, acreditamos que o estabelecimento de parcerias seja, na maioria dos casos, mais efetiva que o confronto. Sugerimos estabelecer mecanismos de diálogo com a instituição escolhida, a fim de ajudá-la a entender que a educação inclusiva é um processo contínuo e dinâmico e que a busca compartilhada por medidas e estratégias que viabilizem a plena inclusão de qualquer aluno nos processos educacionais é o melhor caminho.

Transformar a escola, de modo a torná-la de fato inclusiva, é necessário e possível. Todos, sem exceção, têm o direito de aprender e se desenvolver num mesmo espaço, em igualdade de condições. E para que seja assim, é preciso envolver a gestão, a equipe (docentes e não docentes), os estudantes, os familiares, voluntários, parceiros, enfim, todo mundo. Para isso, é fundamental estabelecer espaço de diálogo e reflexão, em que novos saberes sejam articulados à análise sistemática dos arranjos e situações que compõe o cotidiano escolar. Um ponto de partida pode ser explorar coletivamente os princípios da educação inclusiva. E, no caso específico de alunos com TEA, sugerimos os textos indicados neste link: Inclusão de alunos com autismo na escola: dicas e exemplos para a prática.

Esperamos que as referências mencionadas possam subsidiar o diálogo com a escola escolhida e fomentar o trabalho colaborativo na busca por estratégias que de fato façam dela uma “boa escola” para este estudante e todos os demais.

Conte-nos mais sobre isso e continue participando da comunidade. 🙂

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Por Instituto Paradigma em 25/07/2018

Para saber qual é a melhor escola para crianças com necessidades educacionais especiais é preciso ouvir a criança, os familiares que acompanham suas aprendizagens e a escola. Atualmente, os gestores de escolas públicas empenham esforços para que a criança estude na escola mais próxima de sua casa para facilitar sua ida e vinda, diminuir o tempo de trânsito e, principalmente, para que a criança estude com outras crianças que moram na mesma área de vizinhança, pois com elas poderá criar vínculos que poderão se estender em outros espaços da comunidade. Os pais das crianças pequenas também se beneficiam com a proximidade da escola, pois percorrem em menos tempo o trajeto para levar e buscar o(a) filho(a). Do mesmo modo se necessitam do transporte público ou transporte escolar acessível.

Superados os entraves do caminho casa-escola, é preciso que a criança goste da escola, que tenha prazer em ali estar, que não ofereça resistência, diariamente, para ir às aulas. Uma criança com necessidades educacionais especiais pode morar perto da escola, gostar de lá estar, mas não estar desenvolvendo seu processo de aprendizagem. A opinião da criança com necessidades educacionais especiais é importante e a dos seus responsáveis também porque são eles que acompanham diuturnamente o desenvolvimento de seu processo de aprendizagem. Precisam sempre observar e verificar se a criança está aprendendo, se tem companheiros na escola, se recebe atenção da professora, se está se sentindo desafiada, qual sua relação com o conhecimento e sobre seu desejo de aprender.

Outro ponto a ser observado é se a escola atende às solicitações dos pais e dos profissionais envolvidos com a criança, quanto aos recursos ou ajudas técnicas de que necessita nos espaços escolares. Se a escola tem salas de recursos multifuncionais (SRMs) ou se está vinculada a outra escola próxima que tenha essa sala, pois o professor especializado poderá auxiliar a criança na busca de recursos ou outras ajudas técnicas que possam facilitar sua aprendizagem na sala comum. O professor da sala comum, por sua vez, poderá fazer adaptações curriculares para que a criança com necessidades especiais desenvolva suas aprendizagens em seu próprio ritmo e condições, contando com os recursos de acessibilidade.

Certo dia, em um encontro de formação de professores, uma dirigente de escola pública contou que uma mãe da comunidade veio requerer vaga para seu filho para o primeiro ano. A mãe explicou que ele se locomovia por meio de cadeira de rodas. A diretora solicitou que a mãe a acompanhasse pelas dependências da escola. Subiram e desceram escadas para que a mãe conhecesse as salas de aulas, sala de leitura, de informática, as quadras, refeitório etc. Como não havia rampas na escola nem elevador a mãe ficou preocupada e a diretora a questionou: a senhora quer mesmo matricular seu filho nesta escola? A mãe respondeu que não, pois o filho não poderia nem chegar à sala de aula!

As atitudes dessa diretora estão nutridas em uma concepção de educação especial na perspectiva da integração, ou seja, a criança ou seus responsáveis devem se adaptar às condições da escola. Se isso não acontecer a criança não deve ali estar. As atitudes nutridas em uma concepção de educação especial na perspectiva inclusiva implicam a todos os personagens envolvidos na busca de soluções: criança, familiares, gestores da escola, professores, demais funcionários, Secretaria da Educação.

Outro aluno matriculado em escola pública tem deficiência auditiva e passou a usar aparelho auditivo. Quando soava o sinal da escola ele colocava as mãos na cabeça e se desesperava, pois aquele ruído estridente o incomodava demais. A equipe gestora promoveu uma discussão na escola que envolveu a todos e ficou decidido que o sinal seria mudado. A mudança dos tempos da escola seria marcada por meio da música. Os professores decidiram trabalhar os vários ritmos musicais, trocavam o repertório, estimulando as crianças a apreciarem inclusive a músicas clássicas. As necessidades do aluno com deficiência auditiva foram contempladas, qualificando, ao mesmo tempo o projeto pedagógico da escola. A diferença é grande!

Para escolhermos uma escola para criança com necessidades educacionais especiais precisamos conhecer a escola e suas normas devem estar de acordo com os dispositivos legais nacionais que defendem a perspectiva inclusiva, para que os direitos educacionais dessas crianças sejam garantidos, sem discriminação.

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