Como sensibilizar professores e estudantes para trabalhar a inclusão?

O que me motivou foi saber que existe essa plataforma através do curso Portas Abertas. Talvez minha pergunta não esteja diretamente ligada a pessoa com deficiência, mas a deficiência de uma sociedade: valores. Tendo em vista que a afetividade e respeito são imprescindíveis para que possamos trabalhar a inclusão dentro da escola, como poderíamos sensibilizar os educadores cujos corações encontra-se endurecidos?! Vocês oferecem palestras nesse sentido aqui em Salvador?! E os demais alunos que mesmo sendo crianças perderam o amor espontâneo dada as mazelas da vida, como fazer?! Por que caminho devemos seguir?! Espero que tenham esse tipo de apoio, pois acredito que essas palestras de sensibilização seriam enriquecedoras no processo de inclusão escolar.

Ana Carla Dávila

Sensibilização

2 respostas

Por Raquel Paganelli Antun em 03/02/2017

Olá Ana Carla!

Transformar a escola, de modo a torna-la de fato inclusiva, é uma proposta revolucionária que requer ousadia. Trata-se de uma reforma estrutural e organizacional que desafia a cultura da homogeneização e da meritocracia que resulta em exclusão a partir do reconhecimento do direito de todos à educação. Ou seja, é isso mesmo: não tem a ver só com as pessoas com deficiência; tem a ver com todo mundo – independentemente de credo, raça, gênero, condição econômica, social, cultural, física, mental, sensorial, linguística… Todos, sem exceção, têm o direito de aprender e se desenvolver num mesmo espaço, em igualdade de condições. E para que tal mudança, tão radical, seja possível, é preciso envolver a gestão da escola, a equipe (docentes e não docentes), os estudantes, os familiares, voluntários, parceiros, enfim, todo mundo também.

Uma estratégia potente neste sentido tem sido a formação continuada. Esta, ao contrário do que a maioria pensa, não tem a ver, necessariamente, com um saber que vem de fora para dentro da escola. Muito mais que capacitação técnica, a formação continuada se constitui como um espaço de reflexão, articulando novos saberes à análise sistemática dos arranjos e situações que compõe o cotidiano escolar. Um ponto de partida pode ser explorar coletivamente os princípios da educação inclusiva. Há vários textos e vídeos no DIVERSA que podem disparar e subsidiar discussões interessantes neste sentido e fomentar a reflexão [para a transformação] dos valores e práticas vigentes na escola. Sugerimos que você dê uma olhada nos estudos de caso. Muitos deles podem ser inspiradores e servir como estratégia de sensibilização. Este artigo, sobre a naturalização da exclusão de pessoas com deficiência, também é bastante provocativo, podendo fomentar boas discussões neste sentido. O passo seguinte pode ser a análise conjunta da realidade da escola para a identificação de barreiras e possibilidades em relação ao estabelecimento de uma cultura inclusiva, como sugere este artigo.

Quanto aos estudantes, a Coletânea de Práticas de 2015 apresenta um projeto desenvolvido em Cuiabá no qual foram criados espaços de discussão sobre inclusão e integração e o resultado foi o empoderamento dos adolescentes que passaram a cobrar mudanças dos professores nas práticas em sala de aula. Também há um outro relato sobre como o preconceito pode fazer parte do currículo da escola.

Esperamos que as sugestões acima sejam úteis. Conte-nos sobre isso e continue participando da comunidade. Você é muito bem-vinda aqui. 🙂

Raquel Paganelli – Equipe Diversa

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Por Maria de Lourdes de Moraes Pezzuol em 18/01/2017

Olá Ana Carla, sou professora de Educação Física da rede estadual de SP, há 27 anos, desde 2015 tenho observado o aumento de matrículas de alunos da educação inclusiva. Analiso que enquanto professores precisaríamos ser mais profissionais amarmos mais nossa profissão. No entender que somos agentes sociais e podemos fazer a diferença na vida destas crianças e até mesmo de suas famílias. Relato como exemplo minhas ações, sou voluntária de uma APAE da minha cidade, procuro estar sempre em formações, procuro também contagiar meus pares, motivá-los a participarem de projetos interdisciplinares e a buscarem formações. Enfim, identifico que nós mesmos podemos tentar fortalecer uma rede do bem, para que possamos ajudar a propagar que a 1ª inclusão é a aceitação do outro.

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