Como proporcionar a inclusão nos momentos de alimentação na escola?

Bom dia. Sabemos que a alimentação também é um ato social. Mais que a ingestão de nutrientes, é o momento em que nos reunimos com nosso grupo para compartilhar o alimento ou o momento, é um ritual social muito forte na nossa cultura. Como, nas cantinas das escolas, principalmente entre os adolescentes, poderíamos proporcionar esse momento de inclusão durante os lanches ou refeições? Há alguma estratégia? Esse é um momento em que ficam “soltos”, não há professores no local, somente um auxiliar geral, nem estratégias, muitos alunos de inclusão ou não comem sozinhos, por falta de companhia, sendo essa uma evidência de exclusão.

Socialização

1 resposta

Por Patrícia Sargaço em 09/01/2019

O ato de alimentar-se é aprendido socialmente. Quando Piaget e Vygotsky dizem que a interação com o meio e com as pessoas favorece o aprendizado, não se referem apenas as questões cognitivas. A alimentação escolar deve fazer parte do currículo funcional das crianças, isso por si só já favorece a inclusão de todos sem distinção. O que os agentes escolares e auxiliares de vida escolar devem estar atentos é de que não se deve fazer para a criança com deficiência, mas junto com ela. A inclusão só acontece de fato quando valorizamos as diferenças individuais de cada aluno e, cada um se propõe a cuidar do outro auxiliando-o nas suas necessidades quando for necessário. Por exemplo: uma criança com mobilidade reduzida que faz uso da cadeira de rodas para se locomover e necessita de que alguém empurre sua cadeira, pois tem hipotonia muscular. Ela consegue segurar o lanche sozinha? Não. Um colega pode auxiliar junto da supervisão de um adulto caso haja necessidade. Outra que não apresenta hipotonia, consegue se locomover, precisa de alguém para pegar seu lanche? Não. Ela consegue colocar sobre a prancha adaptada a sua cadeira e ir comer com seus colegas. Uma criança com TEA consegue ficar no final da fila, aguardando 45 crianças se servirem? Por que não explicar aos colegas sua tolerância ao tempo de espera e barulho, as questões sensoriais que o espectro apresenta, para que eles possam , na hora do intervalo, auxiliar a criança a ficar hora atrás do terceiro, hora atrás do quinto aluno… E assim aumentando gradativamente seu limite de espera e aprendendo a regra da fila? São pequenas adaptações que devem ser feitas e não dá para contar apenas com o inspetor de alunos. Todos precisam estar envolvidos e conhecer as necessidades das crianças. O recreio é um espaço e tempo de brincar, mas não podemos esquecer que é nesse brincar que muitos aprendizados se constroem.

Esta resposta te ajudou?
Conhece alguém que pode responder? Compartilhe um link para a pergunta.
Comente ou compartilhe nas mídias sociais: