Como lidar com a agressividade de um aluno sem laudo médico definido?

Leciono na educação infantil em uma sala de pré II com 26 alunos (5 anos) e tenho um aluno com autismo ainda sem laudo médico (a suspeita de autismo foi informada pela mãe no primeiro dia de aula). Uma equipe especializada da Secretária de Educação foi chamada e fez uma avaliação dele, mas essa avaliação pouco me ajudou. Ele é muito agressivo com os colegas de sala, tenho que ficar com ele próximo durante toda a aula, tenho que andar segurando na mão dele, por isso acabou negligenciando os outros.

A direção da escola diz que não pode colocar um profissional de apoio na sala porque ele não tem laudo. Recebo questionamento dos pais todos os dias sobre as agressões dele nos colegas. Gostaria que alguém indicasse um norte de como devo proceder, pois me sinto impotente. A solução que me apresentaram é tirá-lo da sala quando ele fica muito agitado e deixá-lo com a equipe gestora (brincando), mas acho que isso em nada resolve a situação.

Comportamento agressivo

4 respostas

Por Luciana Araújo da Silva lima em 22/03/2019

Boa noite, sou Luciana, professora do ensino regular, fundamental II da rede pública no município de Barrocas, Bahia. Na escola que trabalho, eu tenho uma experiência de uma aluna que a família nunca apresentou o relatório medico e isso dificulta bastante as relações com o meio. Mesmo assim, a escola promove momentos de diálogo com a parceria da psicóloga!

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Por Maria de Lourdes de Moraes Pezzuol em 28/03/2019

Olá, questionamento muito pertinente e desafiador para abordarmos a questão do laudo médico X perfil pedagógico (aluno) X perfil do professor. Como professora de Atendimento Educacional Especializado (AEE), sala de itinerância para alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) na rede pública do Estado de São Paulo, atualmente no atendimento de 05 alunos com TEA, e pela experiência que tenho como professora desde 2014, com alunos com deficiências no ensino comum, na rede pública há quase 30 anos, identifico que em primeiro lugar precisamos nos posicionar enquanto escola, professores equipe gestora no receber esse aluno e promover ações para que todos procurem se adaptar ao perfil desse aluno e acolhe-lo e ampliar esse acolhimento para sua família. É um direito garantido pela Constituição Federal, Leis Federais, por Decretos e Resoluções a permanência desse aluno na escola, e adequação de uma proposta pedagógica adaptada ao seu perfil, independentemente de suas dificuldades e limitações, mas que possa identificar e fortalecer suas potencialidades.

A construção de um relatório pedagógico a partir de informações da família e da observação desse aluno dentro da escola, na sala de aula, em relação aos aspectos sociais, comunicativos, cognitivos e comportamental. Uma avaliação que possa ser fortalecida e nortear uma proposta efetiva diferenciada e diversificada que entenda e auxilie o aluno com autismo de ver o mundo através de seus olhos, com significados e sentidos e usar esta perspectiva para ensiná-los a funcionar de forma mais independente e autônoma possível e de forma integrada com os demais alunos. Informações que não vão constar no laudo médico do aluno com TEA. E nós enquanto educadores, podemos sim, realizar uma avaliação pedagógica investigativa, independente se formos especialistas ou não, busque ajuda, ou contate um professor especialista de uma escola vizinha para auxiliá-los, una forças, pesquise.

Outra questão é sobre o brincar. O brincar está em ênfase e destaque na estrutura da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) organizado como um dos (06) direitos de aprendizagem. Enfatizando que na Educação Infantil, o desenvolvimento se dá por meio das brincadeiras e do relacionamento das crianças com outras crianças, com os adultos e consigo mesma.

“Brincar cotidianamente de diversas formas, em diferentes espaços e tempos, com diferentes parceiros (crianças e adultos), ampliando e diversificando seu acesso a produções culturais, seus conhecimentos, sua imaginação, sua criatividade, suas experiencias emocionais, corporais, sensoriais, expressivas, cognitivas, sociais e relacionais e é nesse ponto que iremos focar.” (BRASIL, 2017, p 36).

Em uma perceptiva de equidade nós abandonarmos a ideia que crianças são seres frágeis e incompetentes e do período da infância como tempo de passividade, dependência ou debilidade, sendo o professor o detentor do saber. Precisamos ser mediadores de aprendizagem, construir saberes e ampliar junto com nossos alunos.

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Por Edson Lima em 24/04/2019

Olá colegas, sou professor da rede pública de ensino há 23 anos, esse ano fui convidado a fazer acompanhamento para dois alunos do 3º ano do ensino fundamental. Um deles não tem laudo, mas é muito inteligente, contudo, tem muita dificuldade em conter suas emoções, o que inviabiliza sua coordenação motora, apesar de não apresentar continuamente essa dificuldade. O difícil foi que começou a ficar agressivo, agredindo o outro e os demais colegas e a mim. A mãe relatou que ele tomava um medicamento e parou de tomar, como temos que pensar no aluno como um todo, passei o caso ao psicólogo do CRAS. O mesmo encaminhou a um neurologista, como os pais são portadores de uma carência em lidar com a situação, pedi a especialistas do CRAS que procurassem parceria com a Secretaria de saúde dos PSFs e viabilizassem o encaminhamento médico e procurassem agendar a consulta. A medida foi um sucesso, marcaram consulta para neurologista e para psiquiatria. Bom, o primeiro passo foi dado, agora aguardo o resultado. Não sei se minha atitude foi correta, mas a integridade do aluno e a socialização estava em jogo. Ajudem-me.

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Por Maria de Lourdes de Moraes Pezzuol em 18/07/2019

Olá Edson Lima, sua atitude foi corretíssima, concordo pela experiência e vivência que tenho atuando também com estas situações dentro das escolas, procuro realizar auxílio e mediação para esses alunos aqui na minha região. Identifico enquanto escola, professores, precisamos sim, mediar estas situações, o Atendimento Educacional Especializado (AEE) indica orientações para os familiares e possibilidades de encaminhamentos para estes alunos. O melhor seria, se pudéssemos ter um serviço integrado e conectado da equipe pedagógica com os demais profissionais da área saúde e afins. Para que de fato esses alunos pudessem ter um atendimento mais digno e humanizado. Devemos saber enquanto professores, que o mais importante para trabalharmos dentro da escola é o acolhimento, o estímulo, criar possibilidades de adaptações pedagógicas para que esses alunos possam se sentir pertencidos e integrados ao ambiente escolar com todos, ações para fortalecer autoestima. Mas, devemos saber também, que quando a situação foge do nosso controle, quando as atitudes comportamentais desses alunos estão desafiadoras, precisamos solicitar ajuda dos familiares e de uma equipe multiprofissional. Gostaria de entender sua atuação, você acompanha esses dois alunos, você está atuando no Atendimento Educacional Especializado (AEE)? Ou está como professor especialista que acompanha estes alunos em sala de aula?

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