Como garantir acesso ao currículo a um aluno com deficiência intelectual?

Olá! Gostaria de tirar uma dúvida sobre o conteúdo para crianças com deficiência intelectual. A legislação diz que o aluno com deficiência tem acesso ao currículo, mas não diz como fazer isto, na prática. Aqui na escola fazemos da seguinte forma: enquanto alunos típicos estão aprendendo sobre gênero masculino e feminino, a criança com deficiência faz uma atividade com o mesmo conteúdo, só que facilitada, ex.: ligue os animais aos seus pares. Todavia isto dá certo enquanto a discrepância não é muito grande.

Mas quando temos um adolescente no 8º ano e com idade cognitiva de 4 anos. Colocamos uma professora-assistente e, enquanto os alunos fazem equação de 1º grau, esse aluno faz uma atividade que não tem nada a ver com o currículo da turma. Ele fica fazendo atividade para criança de quatro anos. A dúvida é: qual conteúdo deve ser trabalhado em sala de aula? O professor deve dar uma aula para a turma e depois ir até ele e ensinar seu conteúdo diferente? Seriam duas aulas dentro de uma? Ou o professor-assistente fica do lado dele ensinando esse conteúdo enquanto a professora leciona para os demais?

Aprendizagem

1 resposta

Por Maria de Lourdes de Moraes Pezzuol em 14/02/2019

Olá professora Érica, como professora especialista em Educação Especial, identifico que infelizmente a proposta educacional para o atendimento de alunos com deficiência no ensino comum mesmo amparada pela legislação em nosso país não possibilita avanços para esses alunos, ou inclusão de forma devida. A escola ainda trabalha de forma conteudista, não devemos fazer só por fazer ou adaptar por adaptar. O conteúdo precisa fazer sentido, ter significado para a vida dos alunos independente se forem deficientes ou não.

Nosso sistema educacional precisa pensar e propor novas tendências educacionais que ajudem a mediar melhor a inclusão desses alunos dentro das escolas, principalmente dentro das salas de aula. Em ações que redesenhem os espaços das escolas; fortaleçam aprendizagem colaborativa; criem mudanças a partir de experiências autênticas; promoção e fortalecimento do acesso a todos pela equidade digital; repensar na formação docente; integrar a proposta pedagógica com auxilio de equipes multiprofissionais que possam manter uma rede de fortalecimento e troca de informações junto aos docentes. Deixando apenas de ser uma avaliação médica dos alunos com deficiências com diagnóstico laudado e outra pedagógica sem conexão e legitimidade. Exemplos existentes em outros países como Canadá e Portugal que mantem uma rede integrada com outros profissionais para facilitar e melhorar a qualidade de vida dos alunos com deficiências.

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