Como falar sobre sexualidade e estudantes com deficiência na escola?

Sou professora do atendimento educacional especializado (AEE) e gostaria de saber como posso trabalhar a questão da sexualidade com um adolescente com autismo, de 12 anos. Ele estuda na escola há três anos, está na 5ª série e percebi há uns três meses que ele fica se tocando nos órgãos genitais. Foi orientado que os professores mudassem o foco quando o mesmo começasse a se tocar, saindo da sala ou do local, explicando que esse ato seria um momento onde estivesse só e que ele não precisava se apressar, que é só uma fase e que ele iria sentir tal vontade.

Sexualidade

2 respostas

Por Billy de Assis em 07/08/2017

Olá.

Quero dividir com você como trabalho questões de sexualidade com o grupo de alunos que atendo. Muitas são as queixas sobre a sexualidade das pessoas com deficiência por parte de educadores e pais.

Bem, em 2011, fiz um vídeo chamado Sexualidade em 3D, onde pergunto para jovens com e sem deficiência o que é sexo e o que é sexualidade. Foram muitos momentos de bate-papo após a construção do vídeo com alunos, pais e educadores. Minha dica é que seja trabalhado o tema em grupo e de forma bem clara, possibilitando a participação e aprendizagem de todos.

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Por Catia e Juliana em 25/09/2018

A via que faz sentido para a criança em relação ao entendimento da sexualidade é o entendimento do corpo humano. Esse assunto é parte do conteúdo programático do 5º ano e, dessa forma, fazer uma parceria com o professor de ciências colabora para o entendimento de todos, uma vez que seu aluno com autismo apresenta sintomas que mobilizam um trabalho, mas as informações dizem respeito a todos os colegas que também estão vivendo a fase de mudanças.

Trabalhar com autoimagem ajuda cada um ter percepção de si. Compartilhar com os colegas reforça o conhecimento.

Após essa sondagem, o professor pode nomear corretamente as partes do corpo e suas funções ajudando a identificação do que é comum a todos. Entender que cada um tem suas particularidades ajuda a respeitar o jeito de ser do outro, aumentando a tolerância as diferenças.

Falar sobre higiene pessoal, intimidade e cuidado com o corpo ajuda o aluno a perceber que está entrando em uma nova fase.

No momento individual com seu aluno, essas informações podem ser reforçadas, buscando a diminuição da vulnerabilidade através do entendimento do contexto do que é público e do que é privado.

Seria importante também um trabalho com as famílias, no sentido de orientar sobre o que é público e o que é privado, para que possa começar a construir o entendimento e um trabalho em rede.

Esse trabalho também pode ser feito com todas as famílias, uma vez que nota-se a dificuldade e o baixo índice de famílias que conversam com seus filhos sobre sexualidade, não somente o que se refere ao sexo, mas o cuidado com o corpo, a percepção, a proteção de violência e a exploração do corpo de forma segura e garantindo sua intimidade.

Cátia Macedo – Psicóloga
Juliana Barica Righini – Assistente Social

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