Como ensinar inglês para um aluno com autismo no ensino médio?

Tenho um aluno com autismo e sinto que preciso trabalhar de maneira diferenciada em sala de aula com ele. Durante as aulas (de inglês) ele em nada participa. A turma é de 2º ano ensino médio, em uma escola pública. Estou sempre me questionando que espécie de atividade na língua inglesa devo oferecer a ele, já que percebo que não existe nenhum interesse do mesmo durante as atividades propostas em sala de aula.

Língua estrangeira

1 resposta

Por Equipe DIVERSA em 19/12/2018

Olá!

Sua pergunta nos remeteu a este artigo, da National Autistic Society. Está em inglês, mas selecionamos algumas partes (as principais) para destacar aqui. A autora, Victoria Honeybourne, especialista no ensino de língua estrangeira, tem diagnóstico da síndrome de Asperger e afirma que o aprendizado de idiomas a ajudou enormemente. “Foi somente aprendendo idiomas como adolescente e jovem adulta que aprendi explicitamente sobre: como funciona a comunicação, habilidades de conversação, além de várias normas sociais e culturais.” Segundo ela, em muitos contextos o ensino de língua estrangeira é negado justamente a quem tanto poderia se beneficiar deste: crianças e jovens com diagnóstico de autismo – “sob alegações como é difícil, inútil ou sem importância”. De modo geral, afirma que muitos pais e profissionais de educação do Reino Unido têm atitudes negativas em relação à aprendizagem de línguas, enraizadas em suas próprias experiências de aulas monótonas ou porque nunca precisaram colocar seu aprendizado em prática. E que tal atitude se intensifica em relação aos estudantes com deficiência ou autismo. Argumenta, no entanto, que o aprendizado de línguas oferece, potencialmente, uma gama de benefícios para os estudantes no espectro do autismo, especialmente no ensino médio, quando as oportunidades de desenvolver habilidades de comunicação e “de vida” não são muito comuns em outras áreas do currículo. Mas ressalta que, para que tal potencial se concretize, é fundamental que as aulas sejam dinâmicas e interessantes, principalmente a partir do uso de diferentes linguagens. E exemplifica: dramatizações são formas divertidas e legítimas (desde que adequadas para a idade) de aprender sobre habilidades de comunicação social em outra cultura e linguagem, além de oportunidades de discutir e explorar essas mesmas habilidades na língua materna.

Segundo a autora, pesquisas demonstram que crianças bilíngües tem maior potencial de desenvolvimento da função executiva, de habilidades de comunicação e habilidades sociais do que seus pares monolíngües. Além disso, aulas de língua estrangeira oferecem oportunidades para aprender habilidades de conversação e outras habilidades específicas de fala, como volume, ritmo e entonação – sendo que o fomento ao desenvolvimento dessas habilidades muitas vezes é necessário para crianças, adolescentes e jovens com TEA.

Por fim, a autora acredita que o fato de muitos estudantes com diagnóstico de autismo não aprenderem línguas estrangeiras na escola está muito mais relacionado ao modo como são ensinadas e à ênfase atual em “passar nos exames”.

Há, no Diversa, uma série de referências que atestam que, independentemente do diagnóstico e da área de ensino, é fundamental que o professor, em parceria com a equipe escolar, a familia e o próprio estudante, busque identificar os interesses e as habilidades de cada um dos alunos a fim de planejar estratégias pedagógicas mais inclusivas e efetivas para sua aprendizagem. A resposta a esta outra pergunta do forum enfatiza o papel do professor de AEE neste sentido.

Sugerimos que você discuta novas possibilidades de organizar suas aulas com outros profissionais da escola, buscando, por exemplo, articula-las com professores de outras areas, e nos conte mais sobre isso. Você é muito bem-vindo(a) aqui.

Abraços carinhosos de toda a nossa equipe 🙂

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