Como deve ser a avaliação de uma criança com deficiência no ensino fundamental I?

Como deve ser a avaliação nas séries iniciais do ensino fundamental? É feita a mesma avaliação da turma ou deve ser diferenciada, pois tem crianças no terceiro e quarto ano que não dominam a linguagem escrita. A criança passa de forma automática? Que lei determina isso? Que tipo de avaliação se faz? Onde encontrar subsídios para orientar esse trabalho?

Avaliação

3 respostas

Por Equipe DIVERSA em 29/11/2018

Olá!

Selecionamos algumas referências diretamente relacionadas às suas perguntas que certamente poderão servir como subsídio para que você, juntamente com a equipe de sua escola, encontre soluções que realmente beneficiem o processo de inclusão destes e de outros alunos.

Há, no Diversa, uma sessão que fala especificamente sobre avaliação na educação inclusiva. Sugerimos que explore os conceitos apresentados, contextualizadamente, com a equipe de sua escola. As respostas a estas duas outras perguntas do fórum também podem ajudar:

Quando aplicar avaliação adaptada a estudante com deficiência?

Quem adapta uma avaliação, o professor de sala ou do AEE?

Sobre a progressão automática, é a Lei de Diretrizes e Bases da educação brasileira que a institui como uma das formas de garantir o acesso e a permanência do aluno à escola, possibilitando o combate à evasão escolar, à distorção idade-série e a prevenção da repetência. Este artigo, baseado em uma situação prática, fala mais sobre isso. E esta discussão sobre reprovação certamente também lhe interessará.

Há, ainda, um artigo que dá dicas sobre como atribuir notas a estudantes que não acompanham a turma.

Esperamos que estas referências possam suscitar reflexões e subsidiar discussões relevantes convergindo para respostas contextualizadas sobre os seus questionamentos.Conte-nos mais sobre isso. E continue participando da comunidade. Você e sua equipe são muito bem-vindos aqui.

Abraços carinhosos de toda a nossa equipe.

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Por Raica em 06/12/2018

boa noite. tenho um filho de 8 anos ele já foi reprovado no primeiro ano e novamente está sendo reprovado. o que fazer? ele ainda não foi diagnosticado pelo médico, pois estou fazendo a segunda avaliação neuropsicológica. a primeira avaliação deu que ele tinha TDAH. mas o neuropediatria disse que ele não é hiperativo, ele então só diagnóstico ele com transtorno de défit de atenção até o outro médico que está fazendo avaliação saber realmente o que ele tem. o que devo fazer? pois ele para ir para o segundo ano ele tem que ir lendo, pois ele ainda não sabe ler.

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Por Núcleo Mobilizador em 18/12/2018

Resposta:

Olá! Somos o Núcleo mobilizador, um grupo formado por estudantes com e sem deficiência, educadores, gestores escolares, militantes e especialistas em educação inclusiva cujo principal objetivo é representar a Comunidade DIVERSA.

Em primeiro lugar, é fundamental tomar cada aluno, individualmente, como referência para o processo avaliativo. E, portanto, investir na observação e no registro das especificidades de cada um dos estudantes. Não se restringindo ao saber acadêmico, mas considerando todos os aspectos que de alguma forma interferem em sua vida escolar. Por isso, é tão importante observa-los também durante o tempo livre, nos intervalos, não somente em sala de aula. E buscar, com a ajuda da família, resgatar elementos da história de vida e identificar aspectos do cotidiano que se manifestam fora da escola. Considerando, no caso dos estudantes com deficiência, o diagnóstico como mais uma característica a ser (ou não) considerada entre outras tantas. O que acontece muitas vezes, no entanto, é que o diagnóstico vira a única referência para a avaliação. Prática que quase sempre resulta em fracasso e exclusão.

Por exemplo, dizemos que a educação inclusiva demanda estratégias de avaliação diversificadas – o que é verdade, mas não é regra. Desenvolver uma prova diferente para um estudante só porque ele tem deficiência não vai, necessariamente, garantir equiparação de oportunidades. Pelo contrário. É preciso tomar cuidado pois há diferenciações que aumentam a desigualdade. Para evitar este risco, é preciso considerar a trajetória do estudante, para além do diagnóstico e dos aspectos acadêmicos, no planejamento dos objetivos de aprendizagem, das atividades para alcança-los e dos instrumentos para avalia-los.

O desafio de planejar objetivos e estratégias baseadas nas características do aluno precisa estar sempre associado a outro: de manter altas expectativas em relação à sua aprendizagem.

Tomaremos uma situação vivida por uma professora que participa do Núcleo Mobilizador para exemplificar a concretização de tais proposições na prática. A partir de um intenso processo investigativo cujo objetivo foi caracterizar o aluno em relação ao que estava previsto na BNCC para o respectivo ano escolar, a professora Gabriela Ikeda identificou que em algumas áreas do conhecimento – Ciências, História e Geografia – os instrumentos poderiam ser os mesmos utilizados com o restante do grupo, mas os procedimentos, diferentes. Por exemplo, para a avaliação de um bloco específico de expectativas de aprendizagem, os outros alunos receberam uma prova com 5 perguntas, enquanto o estudante em questão recebeu 5 provas com 1 pergunta em cada. As perguntas eram as mesmas, ou seja, o instrumento era o mesmo, mas o procedimento para sua aplicação diferente. Para isso, a professora considerou as características organizativas do aluno. Já em outras áreas – Português e Matemática – a professora precisou desenvolver instrumentos diferentes dos utilizados com os demais. É válido mencionar que a questão não eram os instrumentos em si, mas as expectativas de aprendizagem que, segundo ela, precisavam ser diferentes. A professora enfatizou que esse processo de elaboração tem participação fundamental da coordenação pedagógica, já que não se inicia do zero, mas a partir da documentação e registro da vida escolar do aluno nos anos anteriores. Mas que mesmo esses registros precisam ser encarados de maneira atenta e crítica, “para que as expectativas não sejam elaboradas de maneira enviesada, ou a carregar preconceitos, mantendo o olhar no aluno real, e não no ideal”. Ao elaborar as expectativas de aprendizagem, a professora considerou o direito do estudante de ter acesso ao mesmo currículo, trabalhando o mesmo conteúdo, mas considerando expectativas de aprendizagem diferentes, quando necessário. Por exemplo, ao trabalhar o sistema numérico decimal, uma das expectativas para os outros alunos era “reconhecer o valor dos números a partir da posição que ocupam”, enquanto para o estudante em questão era “reconhecer a lógica do sistema numérico decimal presente na organização do quadro numérico”… Por isso os instrumentos de avaliação eram diferentes também.

Em casos como o descrito por você, elaborar objetivos diferentes, quando necessário, com base nas especificidades do aluno, é fundamental para garantir uma avaliação inclusiva. Caso contrário, como dito pela referida professora: “ou o professor dá 10 e o aluno vira café com leite ou tira só notas baixas e é rotulado como quem não sabe nada”. E é preciso elabora-los de forma clara e objetiva, já que:

– São eles que vão organizar o trabalho do professor, impulsionar seu investimento na aprendizagem de cada um dos estudantes;
– É fundamental que o próprio estudante tenha ciência e compreenda do/o que se espera dele;
– São os critérios balizadores da avaliação.

Com base neste último, recomendamos que, ao atribuir notas, você não tome os outros estudantes como referência nem estabeleça comparações. Os critérios balizadores para a avaliação devem ser os objetivos planejados a partir das características do próprio aluno. Ou seja, a referência para a atribuição de notas é o próprio estudante, sua trajetória – de onde partiu e onde chegou, considerando o investimento feito pelo professor de sala e toda a comunidade escolar.

Sugerimos, também, que você busque envolver toda a comunidade escolar neste processo. Não só com o objetivo de possibilitar o êxito do referido aluno, mas também de fomentar o estabelecimento de uma cultura inclusiva, como um projeto coletivo de toda a escola.

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