Como alfabetizar criança com hipótese de autismo no 1º ano?

Tenho um sobrinho de 9 anos, ele estava na 3ª série, e a escola voltou ele para o 1º ano, porque a escola informa que ele não consegue acompanhar a turma, não consegue ler e nem escrever. A professora dele disse que ele não consegue aprender e nem se integrar com os colegas. Ele foi para psicopedagoga e ela acha que ele tem espectro autista.

Fui até a psiquiatra e ela pediu uma consulta no geneticista. Enfim, já trocamos de escola e não deu certo. Estamos meio perdidos porque não tem nada certo, não tem escolas próprias, o tratamento é bem complicado. Ele não consegue ser alfabetizado. Precisamos de ajuda.

Obrigado mais uma vez
Lucia

Transtorno do espectro autista (TEA)

1 resposta

Por Raquel Paganelli em 06/11/2018

Olá Lucia!

Depoimentos como o seu atestam que, apesar de já termos avançado muito, “a luta continua”!

Esperamos que as referências (abaixo) que selecionamos possam ajudá-la – sugerimos que explore todos os links embutidos no texto. 😉

Você sabe se há atendimento educacional especializado (AEE) na escola? Trata-se de um importante serviço de educação especial cuja função é identificar, elaborar e organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade para a eliminação de barreiras em prol da plena participação dos estudantes com deficiência, transtorno do espectro autista (TEA) e altas habilidades, considerando suas necessidades específicas. É um direito garantido a estes alunos a partir da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. E representa uma estratégia potente em situações como a descrita em sua pergunta. Selecionamos três relatos que demonstram isso, ressaltando particularmente a importância da parceria entre os(as) professores(as) regente de sala de aula e de AEE para o processo de inclusão de estudantes com TEA no contexto da escola. O primeiro, apresenta um exemplo de recurso pedagógico criado conjuntamente pelas professoras regente de sala de aula e de AEE a partir de uma situação específica. O segundo, trata do plano de AEE e da necessidade de articulação com a família. E o terceiro , fala sobre a importância de explorar os interesses do aluno, particularmente no processo de alfabetização.

O primeiro passo para encaminhar o seu sobrinho para o AEE é pedir que a escola avalie a situação a partir da hipótese de TEA. Lembrando que, havendo esta hipótese e constatada a necessidade, não é preciso haver diagnóstico para encaminha-lo para o AEE. Na rede pública, se não houver AEE na escola, é recomendado procurar a respectiva Secretaria de Educação para que esta indique um local próximo onde o serviço possa ser oferecido. Na privada, a própria escola deverá garanti-lo.

Mas é importante lembrar que o principal responsável pelos estudantes com TEA é o(a) professor(a) regente de sala de aula. Esta pergunta do fórum foi respondida por uma professora de sala que foi em busca de recursos para que o seu aluno pudesse participar e aprender. E esta outra, por uma diretora escolar que dá dicas importantes, que podem ser úteis no caso do seu sobrinho. Assim como a minha resposta a esta pergunta, que indica a importância de o professor regente conhecer cada um de seus alunos individualmente a fim de descobrir como cada um aprende para, com o auxílio da equipe da escola, encontrar estratégias que garantam sua participação e aprendizagem. Esta última, aponta o estudo de caso como estratégia potente para identificar barreiras e soluções em situações como a descrita por você. Este relato de experiência atesta isso, ressaltando, entre outras coisas, a importância do estabelecimento de vínculos entre o estudante e seus colegas. Este é apenas um dos motivos porque questionamos a decisão de fazê-lo voltar do terceiro para o primeiro ano. Acreditamos que, idealmente, independentemente do diagnostico, os estudantes devam ser matriculados em classes com outros de mesma idade cronológica – a resposta a esta outra pergunta do fórum fala mais sobre isso. Não por acaso a legislação brasileira não prevê a possibilidade de retorno de qualquer aluno para anos anteriores. 

Além das referências anteriores, indicamos, ainda, esta lista de conteúdos  e este artigo, escrito por uma especialista, que trata especificamente do processo de alfabetização de estudantes com diagnóstico ou características de TEA.

Esperamos que possam servir como subsídio para a interlocução com a escola e a busca conjunta por melhores alternativas para a inclusão de seu sobrinho. Acreditamos que o estabelecimento de parcerias seja, na maioria dos casos, mais efetiva que o confronto. Mas se as tentativas de diálogo com a escola se esgotarem, os pais (ou responsáveis) podem contatar o Ministério Público, exigindo seus direitos. Lembrando que o direito à educação inclusiva não se restringe, ao acesso – matrícula e presença – à escola e a serviços e recursos de educação especial, compreendendo também o desenvolvimento de suas potencialidades para a plena participação em igualdade de condições, com dignidade.

Conte-nos mais sobre isso e continue participando da comunidade. Você é muito bem-vinda aqui.

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