Material pedagógico sensorial estimula alunos em jogo de perguntas e respostas

Sou professora mediadora na escola municipal Doutor Ely Baiense Vailante, em Mesquita (RJ). Minha função é auxiliar os estudantes com deficiência, adequando as estratégias pedagógicas, entre outras tarefas. Para uma atividade em uma turma de 27 alunos do 2º ano do ensino fundamental, procurei criar uma dinâmica para que todos pudessem ter uma boa experiência juntos com o material pedagógico acessível Caixa sensorial. Ao todo, havia na sala uma criança autista, uma com transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDHA) e duas com dificuldades de aprendizagem.

A Caixa sensorial é um recurso pedagógico feito de papelão que acende duas luzes. Na sua tampa, há símbolos de certo e errado. Dentro, o material conta com um mecanismo de carrinho de controle remoto, que, sob meu comando, fazia a caixa vibrar e as luzes acenderem.

A atividade consistia em fazer perguntas gerais de português e matemática para os estudantes. Depois que eles respondiam, eu acionava o controle, fazendo a caixa indicar se a resposta estava certa (luz verde) ou errada (luz vermelha).

 

Atividade com a Caixa sensorial

Os alunos foram divididos em grupos. A cada rodada, um time era selecionado para responder até cinco questões, que valiam entre 3 e 5 pontos. Com relação às crianças com deficiência, procurei também estimular a oralidade. Para isso, elaborei questões sobre a junção de consoantes com vogais para saber se o som estava certo. Durante a atividade, também fiz questionamentos com números, contas de adição, subtração etc.

Todos estudantes, com e sem deficiência, respeitaram a vez do outro e se ajudaram. No grupo da Sofie, que é uma aluna com dificuldade de aprendizagem, eles a incentivavam a responder, dizendo: “se juntar D com A é igual a quê?” E ela respondia: “Da!”. Ela vibrava muito a cada acerto!

Veja como a Caixa sensorial foi usada na escola Doutor Ely Baiense Vailante, em Mesquita (RJ):

 

Aprendizado e autoestima

Era nítido que todos estavam muito alegres por estarem participando. Wallace, um garoto que apresenta déficit de atenção e hiperatividade, foi um dos mais empolgados.

A atividade estimulou o aprendizado da matemática e do português de um modo lúdico. Por meio do brincar, as crianças aprendem melhor e têm a autoestima aumentada. Todas percebem que podem ir além, independente da presença ou não de uma deficiência.

A curiosidade também estava presente. Materiais como a Caixa sensorial, que tem no seu funcionamento um tipo de tecnologia, chama muito a atenção dos alunos.

 

Adaptável a qualquer conteúdo

A caixa pode ser usada para trabalhar o conteúdo de qualquer disciplina. Nessa minha experiência, apliquei a matemática e o português de uma maneira divertida.

Sophia, uma aluna da turma que tem autismo, por ter a sensibilidade aguçada, recusou um pouco o material porque não gostou da vibração da caixa. Para o aluno com autismo, acho que a caixa também poderia ser usada no dia a dia, como forma de expressar de sua opinião. Por exemplo, numa situação em que fique irritado com algo e venha a agredir um colega, depois de acalmá-lo, a caixa poderia ser um meio para perguntar se ele acha certo o que fez, no sentido de “sim” ou “não”.

Seria uma forma diferente de falar sobre o assunto e até reforçar combinados. No caso de crianças autistas não oralizadas, poderia ser trabalhado mais a questão visual, em que poderiam ser usados na caixa símbolos de proibido (como a placa de proibido de estacionar, uma carinha triste) e de permitido (uma mãozinha de curtir, uma carinha sorrindo, por exemplo).

Aprenda a construir a Caixa sensorial.

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