Lucinei Pereira Barbosa Pachella

Inserção dos Recursos de Tecnologia Assistiva na Sala Regular

PACHELLA, Lucinei Pereira Barbosa. NASCIMENTO,Marilda Rocha do EM. Karina Athia Krasuscki Secretaria Municipal de Educação de Presidente Prudente/SP

Considerando a atual Política Nacional de Educação Especial, o Município de Presidente Prudente através da Secretaria Municipal de Educação tem desenvolvido projetos para garantia do Atendimento Educacional Especializado – AEE aos seus alunos matriculados na rede regular de ensino, em consonância com os princípios de Educação Inclusiva. O presente relato tem como objetivo apresentar o trabalho de parceria realizado no ano de 2011 entre escola, professoras da sala regular, professora do Atendimento Educacional Especializado e Profissionais do Atendimento Clínico, para atender um aluno com Deficiência Física. O referido aluno apresenta comprometimentos motores e de linguagem e estava matriculado na Educação Infantil no Maternal II no ano de 2011. Visando a inserção do aluno no ambiente escolar e oferecimento de condições de acesso as aprendizagens escolares, fundamentais para seu desenvolvimento nesta fase, foram articuladas ações conjuntas com o objetivo de identificar as reais necessidades da criança, decorrentes de sua limitação física e que impediam seu acesso e participação efetiva nas atividades escolares. Além disso, procurou-se também identificar suas potencialidades e habilidades que deveriam ser estimuladas para garantia de sua inclusão escolar e valorização de suas diferenças. Diante deste levantamento foram realizadas ações para a inserção de recursos de Tecnologia Assistiva direcionadas a vida escolar do educando.

Segundo Bersch (2007), “Tecnologia Assistiva é uma expressão utilizada para identificar todo o arsenal de recursos e serviços que contribuem para proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência e, consequentemente, promover vida independente e inclusão”. No que se refere a acessibilidade e locomoção do aluno no espaço escolar foram avaliadas a necessidade da disponibilização de uma cadeira de rodas adaptada, pois até então a criança era locomovida em um carrinho de bebê. Em contato com o Fisioterapeuta da Instituição onde a criança recebe atendimento clínico, foi solicitado prescrição de medida e adaptações para a compra de uma cadeira de rodas adaptada, que foi adquirida com recursos da Educação, por ser considerada um mobiliário escolar adaptado, além de um recurso de Tecnologia Assistiva que oferece auxílio para a mobilidade.

Em sala de aula para que o aluno tivesse uma adequação postural correta e que possibilitasse seu melhor posicionamento para participar e realizar as atividades escolares, foram disponibilizados outros mobiliários adaptados para sala de aula (mesa e cadeira adaptada e banco de chão), de acordo com orientações de medida e posicionamento do fisioterapeuta. No trabalho pedagógico em sala de aula, em conjunto com as professoras, foram criadas estratégias e recursos educacionais que favorecessem a participação efetiva do aluno nas atividades escolares. Foram sugeridas pela professora do AEE a confecção de jogos adaptados que trabalhavam diferentes conceitos e habilidades motoras, como jogo das cores (com tampa de garrafa pet), jogos com velcro, lápis engrossado (facilitação da preensão), pranchas temáticas com figuras. Foram pensadas e criadas situações de aprendizagens que estimulassem a independência pessoal do aluno durante as atividades de rotina, na hora da roda, no momento da chamada, (exemplo: como chegaria até o seu crachá), no momento das brincadeiras com os colegas, pois mesmo com o auxílio de uma tutora (cuidadora que permanece o tempo todo com a criança) buscou-se desenvolver ao máximo sua independência, considerando para tanto, todas as suas possibilidades, incentivando cada habilidade que possuía (exemplo: movimentar os braços, arrastar-se no chão, expressar-se através de gestos, expressão facial).

As professoras da sala trabalharam com temáticas importantes para o desenvolvimento dos alunos, baseadas nos referenciais curriculares da Educação Infantil, dentro de uma metodologia de projetos de trabalho que possibilitava a vivência de situações reais e significativas para os alunos (Projeto quem sou eu, Salada de Frutas, Horta dentre outros), o que também possibilitou maior acesso da criança ao conhecimento, uma vez que tal metodologia permite que os conteúdos escolares sejam tratados de forma contextualizada e significativa, atraindo ainda mais a atenção e interesse da criança. No que se refere as dificuldades de comunicação expressiva que o aluno apresenta, foram confeccionadas fichas de comunicação alternativa como recurso para auxiliar na expressão de seus desejos, necessidades, ideias a respeito das temáticas abordadas em sala de aula. Para introduzir a comunicação alternativa, foi realizada uma reunião com a Fonoaudióloga que atende a criança e os profissionais da escola para, em conjunto, decidir a melhor forma de introduzir o recurso, como o aluno iria acessá-las, como seria feita a seleção de figuras mais representativas e significativas para o aluno, dentro do contexto escolar, visando a ampliação futura para o ambiente familiar e social. Durante este trabalho foi possível perceber que o aluno alcançou avanços significativos em sua aprendizagem e desenvolvimento, conseguindo participar de forma ativa das atividades propostas, interagindo e estabelecendo trocas com os colegas e professoras da sala, construindo aprendizagem dos conceitos trabalhados em sala de aula e desenvolvendo independência pessoal nas atividades de rotina no espaço escolar. É importante ressaltar que os avanços apontados foram resultados do trabalho de parceria entre os diferentes espaços que a criança frequenta, cada qual contribuindo com seus conhecimentos e ações para a melhoria da qualidade de acesso ao conhecimento e, consequentemente de aprendizagem da criança.

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