Jorge Santos e Ana Cláudia

A nossa prática profissional foi posta em cheque, quando em 2009 recebemos alguns alunos com Encefalopatia Crônica Não Progressiva (Paralisia Cerebral). Era uma demanda que confrontava com os nossos saberes usuais, pois nunca havíamos trabalhado com tais necessidades. Eles precisavam de recursos adaptados para suprir suas necessidades educacionais e assim garantir o acesso e a permanência na escola.
Na época foi uma realidade desafiadora e que nos fez repensar nossas práticas pedagógicas. Acolhemos o desafio e investimos em novos conhecimentos que pudessem atender as necessidades educacionais dos nossos alunos. Transformamos a teoria em prática, ou seja, pesquisamos e definimos os caminhos para inclusão dos alunos. Após avaliação e identificação das necessidades de cada um, confeccionamos recursos de acessibilidade como: órteses, aranha mola, mouse adaptado, pranchas de comunicação e temáticas e diversos jogos pedagógicos e incentivamos o uso do computador e softwares educativos.

O Atendimento Educacional Especializado desenvolvido em nossa escola tem como princípio a valorização do aluno. Procuramos atender suas necessidades singulares oferecendo-lhes suporte para vencer barreiras impostas pelo ambiente e por sua condição de vida. A oportunidade de trabalhar com eles transformou as nossas vidas. Nossa atual realidade é inclusiva, é prazeroso ver nossos alunos vencendo os desafios e participando das atividades propostas na unidade escolar. A conquista não foi somente nossa, toda instituição envolveu-se e comprometeu-se com a inclusão, desde a direção, que apoia e incentiva nosso trabalho, ao professor de sala de aula que abraça esse desafio e com os quais formamos uma parceira de troca e conquistas, aos auxiliares e aos alunos que recepcionam muito bem todo e qualquer novo colega. E principalmente a parceria que formamos com os pais que, além da confiança depositada, muito nos ensinaram e ensinam. Exatamente por isso ficamos emocionados quando um dos nossos alunos, ao ser entrevistado por um jornal local, utilizando o computador afirmou: "EU ACHO QUE MEUS AMIGOS ME AJUDAM TIOS E TIAS ME AJUDAM TAMBÉM. EU AMO ESTUDAR NO PEQUENO". Fantástico! O nosso aluno Mateus rompendo com a limitação da fala e com a paraplegia e mostrando a todos nós que nesta vida tudo é possível quando há crédito e amor na raça humana.

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