Gestão escolar inclusiva: possibilidades de ação de uma diretora

Salas amplas, prédio acessível e mais de 850 alunos distribuídos no ensino fundamental I e II e na educação de jovens e adultos (EJA). Essa é a nossa Unidade Municipal de Educação (UME) Cidade de Santos, que leva o nome do município onde está localizada. Duas professoras do atendimento educacional especializado (AEE) atuam nos períodos matutino e vespertino, dividindo seu horário entre o atendimento ao público-alvo da educação especial no contraturno, e a orientação aos docentes e funcionários, em horário específico. Além de contar com a sala de recursos multifuncionais (SRM), nossas crianças e adolescentes com deficiência física, transtorno do espectro autista (TEA), deficiência intelectual, e outros distúrbios de desenvolvimento da aprendizagem, também são acompanhados por professores mediadores.

A equipe gestora, formada por seis pedagogas de diferentes concepções e formações iniciais, atua na perspectiva compartilhada, zelando pelo princípio de respeito incondicional às características da idade e das particularidades de cada estudante. Sendo a adolescência nosso maior e mais numeroso desafio, temos claro que adolescente é adolescente e quer ser tratado como tal. O jovem diverge, reclama, ri, chora. Respeitando seus momentos, conseguimos o respeito da maioria. Todas as dificuldades e desafios vividos diariamente sempre nos levam a refletir se estamos fazendo o nosso melhor e como, onde e o quê ainda precisamos melhorar.

Ao participar do DIVERSA presencial enquanto diretora da escola tive oportunidade de enxergar além de nossa realidade. Leituras e vivências de outros contextos ajudou a ressignificar nossas relações. Com todas essas informações e um novo olhar, percebemos que tínhamos tudo para atender de maneira adequada os estudantes com deficiência. O que nos faltava era unir todos recursos e possibilitar mais trocas entre os profissionais, que percebemos ser compartimentada.
 
 

Construindo uma gestão escolar inclusiva

A partir de considerações que foram inicialmente rabiscadas em um dos encontros da formação, surgiu a ideia de promover um encontro de todos que atendiam os estudantes público-alvo da educação especial da unidade. As professoras mediadoras e as de AEE elaboraram um documento a partir das questões propostas no DIVERSA presencial e, em uma grande reunião, compartilhamos com todos as necessidades e possibilidades desses meninos e meninas. Foram múltiplas as visões dos docentes. Ouvimos desde falas do tipo “ela nem parece que é aluna de inclusão” até relatos emocionantes sobre condições familiares que alguns viviam.

Tornou-se conhecimento de todos o fato de que professores, nossos colegas de unidade escolar, conseguiam replanejar o conteúdo e, de maneira silenciosa, atendiam os estudantes no que eles realmente precisavam. Com esse encontro, foi possível conhecer o meu, o seu, o nosso aluno de diferentes ângulos. A firmeza para cobrar atitudes concretas dos responsáveis também foi importante.

Saber que a pessoa vem antes da deficiência e que os desafios sempre irão existir foram os aprendizados dos encontros do DIVERSA presencial. Contudo, só esse saber, embora importantíssimo, não é suficiente para quebrar as barreiras atitudinais. Foi preciso a união, o estudo, a reflexão e a análise dos estudantes da escola. Informação e diálogo na convivência: foi isso que fez e continuará fazendo a diferença na constante busca por uma escola inclusiva.

Finalizaremos o ano com um relato das conquistas dos estudantes público-alvo da educação especial feito pelos diversos profissionais que os atenderam. Esse será o ponto de partida para o planejamento individual do próximo ano letivo. Compartilhar essas informações é realmente importante. À medida que as dificuldades forem aparecendo, a equipe gestora deve estar lá para ajudar todos os alunos a se superarem e a aprender.

A pessoa vem antes da deficiência, o conhecimento vem antes das dificuldades. Esse é apenas o início de tantas outras reflexões e ressignificações de saberes na busca constante de fazer a gestão escolar inclusiva para garantir uma educação de qualidade para todos.

Projeto participante do DIVERSA presencial.

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  • MIGUEL R. SILVA

    Muito bom!