Flavia Soares Gomes

J V, aluno diagnosticado como DI em comorbidade com outros transtornos. Segundo relato de docentes, era um estudante preguiçoso, desmotivado e que não respondia ao proposto, só fazia “rabiscos”.

Como tinha uma vivência cultural distinta dos outros estudantes – ia pra shows, teatro – tinha um vocábulo oral significativo, no entanto, no momento de transcrever tinha dificuldades. Gosta muito de música e incentivei os pais a matricularem-no no curso de música para ajudar no quesito de atenção, concentração, disciplina.

Certo dia, a professora de português procura-me e diz que não conseguiu ler o que o aluno havia feito na prova, e o pouco que lera, não tinha relação com o proposto, pedi para que pudesse ajudá-lo a refazer a prova.

Dei um conto de Malba Tahan para que o estudante lesse. Deixei que ele fizesse análise do texto, li junto com ele, fizemos considerações e o estudante nos deu respostas com ótimas inferências, analogias. As respostas foram tão boas que fui questionada da real produção do estudante.

O fato é que um estudante com DI, desde que seja mediado, consegue um desenvolvimento proximal adequado a série em que está. 

Quanto aos rabiscos, ainda trabalhamos com caligrafia, tivemos grande êxito, mesmo que o desenho escrito já tenha se “solidificado”, o estudante já consegue escrever de tal forma que os professores consigam ler.

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